O Banco Central do Brasil (BC) diminuiu sua intensidade na aquisição de ouro, um elemento essencial para a formação de suas reservas internacionais. Essa mudança ocorre após o órgão ter se destacado como um dos maiores investidores globais nesse ativo em 2025. De acordo com os dados do Conselho Mundial do Ouro (WGC, na sigla em inglês), o Brasil não se posicionou entre os principais compradores de ouro nos relatórios referentes aos primeiros meses deste ano, após ter sido o quarto maior comprador no ano anterior.
No ano de 2025, o Banco Central brasileiro adquiriu 43 toneladas do metal precioso, ficando atrás apenas de países como Polônia, Cazaquistão e Azerbaijão. Contudo, em 2026, o Brasil não figurou na lista dos principais compradores de ouro nos relatórios de janeiro, fevereiro e março divulgados pelo WGC.
Recentemente, o WGC informou que os bancos centrais do mundo concentraram 244 toneladas de ouro em suas reservas no primeiro trimestre de 2026, marcando um aumento de 3% em relação ao ano anterior. Contudo, também foi observado um crescimento na quantidade de vendas, especialmente por parte de países como Turquia, Rússia e Azerbaijão.
No contexto atual, o WGC prevê que as compras por parte dos bancos centrais se mantenham em níveis robustos, semelhantes aos de 2025. “A demanda por ouro continua a apresentar um bom suporte, mesmo diante da volatilidade dos preços e dos riscos geoeconômicos persistentes, que podem oferecer oportunidades de valorização adicional. Entretanto, não se pode desconsiderar a possibilidade de ajustes periódicos nas reservas de ouro em resposta a novos choques de oferta”, destacou a entidade em seu último relatório.
Tendências de Compra de Ouro
O WGC acredita que a tendência de compra de ouro por bancos centrais é sustentada por estratégias de diversificação de investimentos e pela busca por ativos que não estejam expostos a riscos de contrapartes. Esse movimento se mantém forte, com a antecipação de que juros elevados ao redor do mundo possam desencadear mudanças em relação às reservas de ouro.
Entretanto, os especialistas ressaltam a volatilidade dos preços do ouro, que chegaram a atingir quase US$ 5.600 por onça no final de janeiro, antes de uma reversão acentuada devido à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. A alta nos preços da energia elevou as expectativas de inflação global, o que pode levar os bancos centrais a manter as taxas de juros elevadas por um período mais prolongado.
Além disso, como o ouro não produz rendimento, isso representa um fator desfavorável para o ativo, refletido na queda de 12% observada ao longo de março de 2026, a maior registrada em um único mês desde 2008.
A Evolução das Reservas do Brasil
Nos últimos dez anos, a proporção de ouro nas reservas do Brasil vem aumentando: de 1,19% em 2013 para os atuais 7,19%. Em contrapartida, a participação da moeda americana nas reservas passou de 83,46% em 2016 para 72% em 2025.

“Em 2025, considerando o aumento nas incertezas econômicas e geopolíticas, e com o objetivo de reforçar a segurança e a liquidez das reservas, o Banco Central expandiu a diversificação de sua carteira. Isso incluiu uma revisão anual que resultou na adição de instrumentos denominados em won sul-coreano ao portfólio, bem como um aumento nas posições em ouro, euro e renminbi”, informou o BC em seu relatório de gestão das reservas internacionais.
Com as mudanças no cenário econômico global e a busca constante por segurança financeira, o monitoramento das atividades do Banco Central em relação às suas reservas de ouro continua sendo um ponto de interesse fundamental para investidores e analistas do mercado.
Fonte:: infomoney.com.br




