FMI aponta inteligência artificial como possível catalisador de crise cibernética no sistema financeiro

Redação Rádio Plug
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Logo do FMI na sede do Fundo em Washington 24/1...

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou, em relatório nesta quinta-feira, 7, uma análise que alerta sobre os potenciais riscos representados por incidentes cibernéticos para o sistema financeiro global. De acordo com o documento, perdas severas decorrentes de ataques cibernéticos podem gerar pressão nos financiamentos, elevar preocupações sobre a solvência das instituições e provocar distúrbios em mercados financeiros mais amplos.

O FMI destaca que os modelos avançados de inteligência artificial (IA) têm a capacidade de acelerar significativamente o tempo e os custos associados à identificação e exploração de vulnerabilidades. Dessa forma, aumenta a probabilidade de descobertas e direcionamentos a fraquezas em sistemas amplamente utilizados no setor financeiro.

Entretanto, a análise ressalta que, por enquanto, existem fatores que mitigam esses riscos. As tecnologias cibernéticas avançadas relacionadas à IA ainda não estão amplamente acessíveis, e os softwares financeiros, que são predominantemente fechados, apresentam mais dificuldades de serem atacados em comparação com infraestruturas baseadas em código aberto. No entanto, o FMI adverte que esses mecanismos de proteção podem não se sustentar por muito tempo, já que a expansão do treinamento de modelos e a disseminação de tecnologias em combinação com eventuais vazamentos podem comprometer essas defesas. “A segurança temporária não deve ser vista como um substituto para defesas robustas e duráveis”, afirma o relatório.

Uma outra constatação do FMI é que a IA pode ser utilizada como uma ferramenta para minimizar vulnerabilidades durante a fase de desenvolvimento dos sistemas, em vez de simplesmente corrigir falhas após seu lançamento. Para as infraestruturas financeiras que têm um amplo alcance, esses avanços podem resultar em uma redução significativa da exposição a riscos sistêmicos, contanto que as instituições financeiras façam investimentos adequados em integração, governança e supervisão humana. Essas áreas precisam ser cada vez mais avaliadas pelos órgãos reguladores encargados da supervisão.

Além disso, o relatório do FMI enfatiza a necessidade de uma coordenação internacional mais eficiente para enfrentar as ameaças cibernéticas, o que inclui um maior compartilhamento de informações e um desenvolvimento ampliado das capacidades para garantir a estabilidade financeira em escala global. Economias emergentes e em desenvolvimento, que frequentemente apresentam limitações de recursos mais severas, podem ser desproporcionalmente vulneráveis a ataques de hackers que visam regiões com defesas menos robustas.

Por fim, a análise do FMI lança uma questão central que as autoridades devem considerar: será que o sistema financeiro poderá manter sua funcionalidade diante de condições de estresse extremo impostas pela evolução tecnológica impulsionada pela IA?

Fonte:: infomoney.com.br

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