Os dados do payroll de abril, divulgados nesta sexta-feira (8) pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, mostram que o mercado de trabalho continua a se manter estável, afastando, por enquanto, os temores de uma deterioração significativa. Esses dados devem sustentar a abordagem cautelosa do Federal Reserve (Fed) nas próximas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) ao decidir sobre a taxa de juros.
Os economistas agora direcionam seus olhares para o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de abril, cuja divulgação está marcada para a próxima terça-feira.
De acordo com o relatório, a criação de 115 mil vagas de trabalho no mês foi superior às expectativas do mercado, embora as revisões nos dados de fevereiro e março tenham indicado uma desaceleração na média móvel trimestral. A taxa de desemprego, por sua vez, permaneceu inalterada em 4,3%.
Segundo Andressa Durão, economista do ASA, os dados de emprego de abril indicam um mercado de trabalho ainda resiliente, sem sinais de recessão iminente, mas que também não é apertado o suficiente para provocar riscos inflacionários significativos. “O cenário para a taxa de juros continua sendo de estabilidade este ano, mas os perigos inflacionários associados à continuidade do conflito no Oriente Médio aumentam a probabilidade de incrementos futuros na taxa”, afirma.
Citado por especialistas, Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, comenta que, ao observar de forma integrada os dados de indústria, varejo e emprego, o Fed percebe uma economia que não necessita de afrouxamento monetário imediato. “O foco do banco central, assim, se desloca para o monitoramento da inflação – particularmente em relação aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços, combustíveis e energia. Esse cenário é compatível com a postura alerta que Jerome Powell, presidente do Fed, indicou na última reunião do Fomc: é preciso aguardar e observar antes de sinalizar qualquer movimento”, acrescenta.
A Suno Research prevê que a taxa de juros se mantenha no nível atual até pelo menos o final do ano. “Uma melhoria ou conclusão do conflito no Oriente Médio poderia abrir caminho para um corte no final de 2026, mas ainda existem muitas variáveis em jogo”, pondera Sung.
André Valério, economista sênior do Inter, observa que os dados mais recentes do emprego nos EUA sugerem uma leve reaceleração, mesmo considerando os potenciais impactos do conflito no Irã. Embora este tenha gerado alguma pressão inflacionária, até agora isso não foi suficiente para desacelerar o mercado de trabalho. “Para o Fed, o cenário ainda é delicado. Com a inflação pressionada pelos preços do petróleo e as expectativas já desencontradas, a retomada dos cortes nos juros só deverá ocorrer se houver uma desaceleração significativa no mercado de trabalho”, diz Valério, que acredita que isso não é o caso atualmente. “Isso deverá manter o Fed cauteloso e em modo de espera nas próximas reuniões. Por outro lado, se o mercado de trabalho continuar mostrando sinais de reaceleração e o choque do petróleo não se revelar temporário, a possibilidade de um aumento na taxa de juros pelo Fed se intensifica.”
Equilíbrio no Mercado de Trabalho
O Bradesco considera que o resultado de abril superou as expectativas, mas ressalta que a leitura ainda se alinha à tese de um mercado de trabalho equilibrado, com contratações e demissões em níveis baixos. “Entretanto, a maior diversificação setorial, o retorno dos setores cíclicos ao crescimento e a recuperação dos serviços temporários diminuem a narrativa de uma deterioração próxima. Para o Fed, o ponto mais crítico deverá ser a desaceleração dos salários, que dá ao Fomc a margem para manter uma postura cautelosa nas próximas reuniões”, informa a instituição.
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, também vê a situação de forma semelhante. “Acreditamos que a combinação de um mercado de trabalho estável, inflação crescente e a possibilidade de continuidade do conflito no Oriente Médio impede que a autoridade monetária americana considere cortes nas taxas de juros em breve”, diz.
O C6 Bank projeta que as taxas permanecerão dentro da faixa atual, entre 3,5% e 3,75%, na próxima reunião prevista para junho.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, acrescenta que os dados recentes confirmam um cenário de pausa prolongada para o Fed. “Um mercado de trabalho sólido e a inflação em alta são dois argumentos que se complementam. O debate está se afastando da questão de ‘quando cortar’ para ‘é necessário aumentar?’. O CPI da próxima semana será um indicativo importante”, alerta.
A publicação original foi veiculada no InfoMoney.
Fonte:: infomoney.com.br




