O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) foi o anfitrião do 4.º Encontro de Agroecologia, realizado na quarta-feira (13). O evento teve como foco principal os bioinsumos e contou com a participação de aproximadamente 320 pessoas, incluindo agricultores, estudantes de colégios agrícolas e universidades, além de profissionais das ciências agrárias, provenientes da Região Metropolitana de Curitiba e do Litoral paranaense.
Organizado pelo IDR-Paraná através do projeto Casa da Agroecologia, o encontro ocorreu no Centro Estadual de Educação Profissional Newton Freire Maia e na Estação de Pesquisa em Agroecologia, ambas localizadas em Pinhais.
Moacir Darolt, que é assessor de Agroecologia do IDR-Paraná e gerente do projeto, enfatizou a relevância do tema abordado. Ele mencionou que a utilização de bioinsumos representa uma alternativa para promover uma agricultura mais sustentável e resiliente, especialmente frente aos atuais desafios de produção. De acordo com Darolt, a programação foi elaborada para provocar reflexões e demonstrar, de maneira prática, como essa tecnologia pode ajudar a fortalecer a autonomia produtiva das famílias de agricultores.
Durante a cerimônia de abertura, representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia (AOPA), do Colégio Newton Freire Maia, além de integrantes do IDR-Paraná, estiveram presentes.
O pesquisador Arnaldo Colozzi, do IDR-Paraná, destacou que o uso de bioinsumos pode reduzir a dependência de fertilizantes químicos importados, cujos preços sofrem alterações em decorrência de eventos como guerras em países produtores. “Uma das estratégias que estamos buscando é implementar uma produção nacional de bioinsumos, que satisfaz as demandas da nossa agricultura e contribui para uma abordagem mais agroecológica”, afirmou Colozzi.
Durante o encontro, Celso Tomita, consultor em bioinsumos, microbiologia e controle biológico, ministrou uma palestra sobre a produção de bioinsumos “on farm”, capacitação e sua aplicação no campo. Além disso, uma mesa-redonda foi realizada, reunindo pesquisadores e produtores para trocar experiências sobre o uso de bioinsumos, bem como discutir os desafios e oportunidades para a agricultura familiar.
Oficinas práticas
A parte da tarde foi reservada para a realização de nove oficinas, cada uma explorando diversas práticas associadas ao uso de bioinsumos. As oficinas abordaram temas como Multiplicação “on farm”, Biodigestor, Microalgas, Controle biológico de pragas, e Biofertilizantes líquidos (como biofertilizantes e chá de húmus). Também foram discutidas práticas de Compostagem, Minhocultura e produção de húmus, Microrganismos benéficos, além de técnicas de Caldas e bioinsumos.
A agricultora Carmencita de Souza, originária de Bocaiúva do Sul, participou do evento com o objetivo de adquirir conhecimento para expandir sua produção de alimentos orgânicos. Ela esteve nas oficinas de “on farm”, microalgas, biofertilizantes líquidos e minhocário. Carmencita comentou sobre a relevância prática das oficinas em sua rotina: “No minhocário eu encontrei uma forma de usar o esterco da vaca, que é uma matéria-prima disponível e que não sabíamos como utilizar. Eu vim em busca dessa informação e encontrei”, relatou, animada com o que aprendeu durante o evento.
Minicurso enfocando Bioinsumos
Além das oficinas, alguns participantes tiveram a oportunidade de se inscrever em um minicurso conduzido por Celso Tomita. Neste minicurso, o consultor aprofundou o conhecimento apresentado anteriormente, discutindo o método TMT, que é voltado para a produção de bioinsumos e biofertilizantes diretamente na lavoura, promovendo a regeneração microbiológica do solo e a sustentabilidade nas práticas agrícolas. Esse minicurso contou com a participação de técnicos do IDR-Paraná, do Programa Paraná Mais Orgânico – Núcleo de Curitiba e agricultores locais.
Ícaro Petter, um dos extensionistas que participou do minicurso, levou outros cinco agricultores para a atividade. Ele avaliou a experiência como extremamente enriquecedora: “O curso foi muito valioso. Em algumas ocasiões, recebemos uma ‘injeção’ de motivação e conhecimento, e essa foi uma delas. Isso nos faz repensar, mudar paradigmas, e considerar as melhorias que podemos aplicar no nosso trabalho de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) imediatamente”, destacou.
Além da colaboração com o Colégio Newton Freire Maia, o 4.º Encontro de Agroecologia teve o apoio da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da empresa Ambiente Livre e das Centrais de Abastecimento do Paraná (CEASA), o que ressalta a importância da união entre diferentes setores para promover a agroecologia na região.
Fonte:: idrparana.pr.gov.br




