Figurinhas da Copa do Mundo fazem “Natal fora de época” para bancas de jornais em Curitiba

Redação Rádio Plug
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Figurinhas da Copa do Mundo agitam bancas de jo...

A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 já começou, restando apenas 16 dias para o seu início, que acontecerá em três países: Estados Unidos, Canadá e México. Embora a competição ainda não tenha começado na América do Norte, o clima de festa já tomou conta das bancas de jornais em Curitiba, impulsionado pelo lançamento do tradicional álbum de figurinhas da Copa, produzido pela Panini. Desde o final de março, além da compra de álbuns e pacotes de figurinhas, estão ocorrendo eventos de troca que reúnem diversas gerações de colecionadores.

Um dos espaços pioneiros em Curitiba para essas trocas é a Revistaria e Papelaria Alto da XV, localizada na Rua XV de Novembro, número 2728. José Mainheriche, conhecido como “Zé da Banca” e vice-presidente do Sindicato dos Jornaleiros do Estado do Paraná (Sinjor-PR), relata que as trocas de figurinhas são uma tradição que ele implantou há mais de 20 anos. Inicialmente, as atividades ocorriam na região do Água Verde, na Avenida Presidente Getúlio Vargas, mas há 25 anos a movimentação ganhou força no Alto da XV.

“A chegada do álbum da Copa é muito aguardada e realmente nossas vendas aumentam consideravelmente. As pessoas vêm comprar figurinhas e álbuns, acabam conhecendo a banca e levando outros produtos, o que é incrível. Para nós, jornaleiros, esse período é como um Natal. É uma expectativa constante pela chegada das figurinhas da Copa do Mundo, que para o nosso negócio é extremamente importante”, comenta Zé, destacando que o faturamento durante esse período pode triplicar em relação a um mês comum.

O impacto nas vendas é especialmente significativo logo no lançamento do álbum, realizado pela Panini em 30 de março. “As pessoas esperam ansiosamente por esse lançamento, e quando ele ocorre, a procura é intensa. Depois desse pico inicial, as pessoas continuam comprando para participar das trocas”, explica Zé da Banca.

Com a Copa se aproximando, a expectativa é de que a demanda por figurinhas aumente novamente. A esperança é que o desempenho da seleção brasileira nas partidas contribua para suas vendas nos próximos dois meses. “Durante a Copa, as vendas costumam ser boas, mas isso depende do desempenho do Brasil. Na última Copa, as vendas cresceram, mas após a eliminação para a Croácia, houve uma queda acentuada. Portanto, precisamos torcer para que o Brasil avance e que jogadores como o Neymar se destaquem, pois ele é muito querido pela nova geração de colecionadores”, acrescenta Zé.

Um evento que atrai multidões

A Revistaria e Papelaria Alto da XV realiza eventos de troca de figurinhas todos os sábados e em alguns feriados. Oficialmente, o evento ocorre das 9 às 17 horas, mas a banca abre suas portas às 8 horas, e é comum que colecionadores cheguem cedo. “Muitas vezes o pessoal já começa a se aglomerar antes da abertura, e alguns permanecem até mais tarde. Em alguns sábados, mais de 500 pessoas visitam a banca”, revela Zé, com um tom de alegria.

Ele observa que, até alguns anos atrás, as figurinhas da Copa não atraíam tanto interesse. “Em 2006, por exemplo, vendiam menos do que as figurinhas do Campeonato Brasileiro. Em 2010, as vendas começaram a crescer, mas foi em 2014, com a Copa realizada no Brasil, que realmente tivemos um aumento significativo de procura. Em 2018, as vendas foram ainda melhores e isso se repetiu em 2022, pois a Copa aconteceu em dezembro, o que gerou uma nova dinâmica”, explica o jornaleiro.

Entretanto, ele ressalta uma preocupação crescente entre os jornaleiros: a concorrência. Desde 2022, as vendas paralelas de figurinhas têm se tornado comuns, o que diminuiu a exclusividade das bancas. “Nós, jornaleiros, criamos uma estrutura e uma comunidade em torno das trocas, oferecendo suporte aos colecionadores. Porém, agora até shoppings, mercados e lojas como a Havan estão vendendo figurinhas. Isso tem chateado os jornaleiros, pois, enquanto não podemos vender medicamentos ou lanches, estabelecimentos como farmácias e lanchonetes agora vendem figurinhas, como é o caso do McDonald’s. A dispersão das vendas impactou negativamente o nosso negócio, com uma queda de mais de 50%. Entendemos que a Panini deseja ampliar suas vendas, mas a competição desleal está nos afetando”, conclui Zé da Banca.

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Fonte:: bemparana.com.br

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