Gravadoras e associações que representam artistas estão fazendo um apelo às plataformas de streaming para que canções criadas por inteligência artificial sejam claramente identificadas com etiquetas específicas. O anúncio foi realizado na última sexta-feira, 10 de julho de 2026, e recebeu a assinatura de várias entidades da indústria fonográfica, incluindo gravadoras independentes, artistas, profissionais do setor de entretenimento, a Academia da Gravação, que organiza a premiação do Grammy, e a Human Artistry Campaign.
A proposta sugere a criação de dois tipos distintos de marcação. A primeira etiqueta identificaria faixas que são totalmente concebidas por inteligência artificial, abrangendo composições em que os vocais principais ou instrumentações fundamentais foram produzidos inteiramente pela tecnologia. A segunda marcaria músicas que foram “assistidas por IA”, ou seja, composições predominantemente feitas por humanos, mas que utilizaram a ferramenta em alguma extensão.
Esse sistema funcionaria de maneira semelhante aos avisos de conteúdo explícito já utilizados nos serviços de streaming. Inicialmente, a identificação não incluiria o uso de inteligência artificial na composição de letras, na criação de videoclipes ou nas artes de capa.
Os representantes do grupo afirmam que desejam cooperar com plataformas como Spotify e Apple Music para a implementação dessas etiquetas. A declaração do uso da inteligência artificial seria feita de forma voluntária por artistas, gravadoras e distribuidores.
De acordo com um comunicado conjunto, em abril de 2026, o serviço de streaming Deezer revelou que as músicas geradas por inteligência artificial correspondiam a 44% de todos os novos lançamentos em sua plataforma. Por sua vez, a Apple Music informou que mais de um terço das faixas enviadas ao serviço eram produzidas integralmente por inteligência artificial.
“Cada vez mais, artistas estão descobrindo maneiras de utilizar a inteligência artificial para apoiar e aprimorar sua criatividade, sem que ela substitua o trabalho humano. Esses novos rótulos serão úteis para os ouvintes distinguirem gravações que foram totalmente criadas por IA das que contaram com a intervenção de artistas humanos, mesmo que de forma limitada”, afirma o comunicado.
Este manifesto foi assinado por oito organizações do setor. Entre elas estão a IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica), a RIAA (Associação da Indústria Fonográfica da América), a A2IM (Associação Americana de Música Independente), a WIN (Worldwide Independent Network), a IMPALA (Associação Europeia de Empresas Musicais Independentes), a Recording Academy, o SAG-AFTRA (Sindicato dos Atores de Cinema e Federação Americana de Artistas de Rádio e Televisão) e a Human Artistry Campaign.
Fonte:: poder360.com.br




