A aprovação do fim da jornada 6×1 pela Câmara dos Deputados na noite de quarta-feira (27) provocou reações divergentes entre entidades de trabalhadores e do setor empresarial. Organizações como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Associação Comercial do Paraná (ACP), a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap) e a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) criticaram a proposta, considerando-a “inadequada e inoportuna”. Estas entidades expressam preocupação com as possíveis consequências, que incluem o fechamento de empresas, a redução de postos de trabalho e um aumento da informalidade no mercado de trabalho.
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A Fiep apontou que a medida avança de maneira apressada, sem um diálogo adequado com o setor produtivo, desconsiderando os impactos econômicos e sociais que já foram evidenciados em estudos técnicos apresentados por entidades do setor. Segundo a federação, com a aprovação do novo texto, o Brasil poderá enfrentar, já em 2027, uma redução de 1,9% em seu PIB, resultando na demissão de mais de 1,3 milhão de trabalhadores. Esses dados são frutos de um estudo realizado em parceria com a Tendências Consultoria, defendendo que a redução compulsória da jornada de trabalho, sem correspondentes ganhos de produtividade ou medidas compensatórias, deve elevar os custos operacionais, reduzir a competitividade das empresas e impactar negativamente a geração de empregos formais. Os setores industriais, especialmente aqueles que dependem intensivamente de mão de obra e operam em regime contínuo, serão os mais afetados, conforme destacou a nota da Fiep enviada à equipe de reportagem.
A Fiep ainda salienta que um período de transição de apenas um ano, previsto no texto aprovado, é insuficiente para que os diferentes setores se adaptem a uma mudança tão significativa. Ante esse cenário, a federação espera que o Senado Federal reexamine a proposta em sua atual forma ou, no mínimo, ofereça uma transição mais responsável, de ao menos quatro anos, para a diminuição das jornadas até um total de 40 horas semanais. Para a Fiep, o Brasil deve priorizar políticas que estimulem a produtividade, a competitividade e a segurança para investimentos, em vez de decisões que parecem ser motivadas por ganhos eleitorais, sem responsabilidade nem compromisso com o futuro do país.
Fim da jornada 6×1: “Falta de aprofundamento técnico”
Em uma declaração, a ACP lamentou que um assunto tão complexo e de grande impacto econômico, como a extinção da jornada 6×1, tenha sido tratado de forma apressada e em um ambiente pré-eleitoral, sem o necessário aprofundamento técnico e consultas formais ao setor produtivo. A associação deixou claro que não se opõe a melhorias nas condições de trabalho, mas que é contrária a medidas que, embora busquem proteger os trabalhadores, possam provocar consequências econômicas negativas sobre emprego e renda. “Dados da Fecomércio/SP indicam que a aprovação do projeto poderia aumentar o custo do trabalho em até 22%. Muitas empresas, especialmente micro e pequenas, não têm capacidade para absorver esse impacto imediatamente”, reforça a ACP.
A ACP também destacou que pesquisa realizada por sua própria entidade revela que 72% dos empresários de pequeno e médio porte consideram a medida prejudicial para a sustentabilidade de seus negócios. A associação reiterou uma solicitação ao Senado Federal para que o tema seja tratado com a responsabilidade necessária, incluindo audiências públicas e estudos sobre os impactos setoriais, além de uma ampla consulta ao setor produtivo e à sociedade civil.
Faciap: “Debate sob forte pressão política e eleitoral”
A Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap) também emitiu uma nota expressando que o debate acerca do fim da jornada 6×1 foi conduzido sob uma intensa pressão política e eleitoral, deixando de lado uma análise técnica aprofundada sobre as consequências da proposta. Em sua manifestação, a Faciap ressaltou a importância de considerar a estrutura econômica e o valor que o setor produtivo desempenha na geração de empregos e na sustentação da economia. “Estamos preocupados com a mudança abrupta de posicionamento de alguns parlamentares, que parecem mais motivados por conveniências políticas do que por uma responsabilidade econômica”, afirma a nota da Faciap.
Outro lado
Pela perspectiva da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o resultado representa a concretização de “uma das principais reivindicações do movimento sindical das últimas décadas”. A CUT atribui a aprovação ao esforço de mobilização das centrais sindicais, e à pressão de movimentos sociais que influenciaram diretamente nas negociações com os parlamentares. Em sua nota, a central convocou os trabalhadores a manterem a mobilização para garantir que o Senado prossiga com a análise da matéria.
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Fonte:: bemparana.com.br




