O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, fez declarações impactantes nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, ressaltando que criticar informações falsas sobre aqueles de quem se gosta, enquanto se perpetua o mesmo comportamento em relação a outras pessoas, não é a solução. Ele falou com o site Poder360 durante a realização do 14º Fórum de Lisboa, onde abordou o uso da inteligência artificial nas eleições vindouras.
Barroso expressou sua preocupação com a disseminação de desinformação e a manipulação das emoções do público. Ele enfatizou que a questão da desinformação persiste, seja com ou sem a ajuda da inteligência artificial, afirmando que esta tecnologia pode, de fato, ampliar o problema. “A questão central é educar as pessoas sobre como interagir com essas novas tecnologias”, afirmou.
O ex-ministro lembrou que, no passado, com a ascensão da sociedade de consumo, houve a necessidade de educar a população sobre práticas simples de cidadania, como não jogar lixo nas ruas. Ele argumentou que agora é fundamental promover uma “educação midiática”, que ensine a não compartilhar informações falsas e a garantir a autenticidade das informações antes de repassá-las. Barroso ainda reforçou uma importante regra de convivência: “Não fazer aos outros o que não gostaria que fizessem com você”.
Ao abordar a crescente polarização que marca o cenário das eleições de 2026, Barroso destacou a importância da recuperação da civilidade nas relações públicas. Ele defendeu que os debates deveriam focar em ideias e propostas, em vez de se tornarem arenas de desqualificação pessoal. O ministro ressaltou que a democracia é plural e deve acolher diversas visões, como as liberal, progressista e conservadora, mas observou que a capacidade de tratar os que têm opiniões diferentes de forma respeitosa parece ter se perdido.
Determinando o tema do 14º Fórum de Lisboa
O foco do Fórum deste ano é “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”. Os debates ocorrerão entre 1º e 3 de junho na Universidade de Lisboa, reunindo figuras de destaque como Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e Magda Chambriard, presidente da Petrobras, entre outros.
O número de participantes do evento teve um aumento significativo, passando de 360 em 2025 para 450 em 2026, estabelecendo um novo recorde. Contudo, o número de autoridades brasileiras diminuiu em relação ao ano anterior, exceto pelo aumento de dois congressistas que estarão presentes. O motivo para essa mudança é a nova orientação do tema central, que agora busca uma abordagem mais global, atraindo palestrantes de diversos países, além de Brasil e Portugal.
O 14º Fórum de Lisboa conta com o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa, que é concedido a eventos considerados de interesse público e relevância cívica, cultural, científica, social ou econômica. Importante ressaltar que essa chancela não envolve apoio financeiro, mas sim um reconhecimento institucional da importância do evento.
Conforme a organização do Fórum, essa distinção “reconhece a relevância institucional, acadêmica e cívica do evento, além de sua contribuição para o fortalecimento do debate democrático e a reflexão sobre os desafios contemporâneos enfrentados por Portugal, Brasil e pela comunidade internacional”.
Interações e encontros durante o evento
Durante sua estadia em Portugal, representantes do setor privado aproveitam a oportunidade para organizar festas e jantares privados para os participantes do Fórum, criando um espaço para a troca de experiências e fortalecimento de laços entre empresários e operadores do direito. Tais encontros são frequentemente vistos com críticas, pois alguns acreditam que eles podem ser considerados impróprios.
No entanto, Gilmar Mendes, decano do STF, defende que essas reuniões são importantes para que os integrantes do Judiciário reflitam sobre questões contemporâneas, permitindo uma troca significativa de experiências que os preparem melhor para o exercício de suas funções.
Entre os empresários que confirmaram presença no Fórum deste ano estão:
- André Esteves – co-fundador da Inteli e sócio sênior do BTG Pactual;
- Fábio Chilo – diretor jurídico da JBS;
- Luiza Trajano – presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza;
- Luiz Carlos Trabuco Cappi – presidente do Conselho de Administração do Banco Bradesco;
- Ricardo Faria – fundador e chairman do Grupo Granja Faria;
- Fábio Gaspar – Country Tax Manager da Shell Brasil;
- Eduardo Lopes – diretor sênior de Políticas Públicas do Nubank e CEO da Zetta;
- Anderson Baranov – CEO da Norsk Hydro Brasil e presidente do Conselho Diretor do Simineral PA;
- Eduardo Sattamini – CEO da Engie Brasil.
Para saber mais sobre o 14º Fórum de Lisboa, confira outros artigos relacionados:
- Fórum de Lisboa se globaliza com recorde de nomes internacionais.
- Fórum de Lisboa tem menos brasileiros e recorde de estrangeiros.
- Moraes diz haver “abuso criminoso de pseudo liberdade de expressão”.
- Motta critica afastamento entre posições políticas no país.
- “Teremos uso e abuso de IA” nas eleições, diz Gilmar.
- Moraes defende regulação internacional das big techs.
- “Não é fácil romper a polarização”, diz Temer sobre eleições.
Fonte:: poder360.com.br




