Inteligência artificial transforma a educação e exige nova formação para crianças

Redação Rádio Plug
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Em um cenário onde as profissões são cada vez mais impactadas pela tecnologia, a administradora e pedagoga Michelle Zanélatto ressalta que o desenvolvimento das competências humanas será o diferencial para as próximas gerações. A rápida transformação que a inteligência artificial (IA) promove no mercado de trabalho está gerando mudanças significativas na educação.

Antigamente, a principal missão na educação era transmitir conhecimentos sobre matérias como matemática e português. Hoje, especialistas defendem que é crucial ensinar habilidades que possibilitem às crianças pensar criticamente, liderar, se comunicar efetivamente e tomar decisões. Essas competências são tão importantes quanto o aprendizado de disciplinas tradicionais.

Essa reflexão se alinha a uma tendência global. Segundo o Fórum Econômico Mundial, aproximadamente 39% das habilidades requeridas no mercado de trabalho deverão sofrer alterações até 2030. É nesse contexto que habilidades como pensamento analítico, inteligência emocional, criatividade, liderança, resolução de problemas complexos, adaptabilidade e aprendizagem contínua se tornam fundamentais. Essas habilidades, que permanecem intrinsecamente humanas, são essenciais mesmo frente ao avanço da IA.

Michelle, que atua como Head de Conteúdo da Leyla School e é especialista em Gestão Estratégica de Pessoas, destaca que o debate sobre tecnologia não deve se restringir apenas às ferramentas digitais. Para ela, a verdadeira transformação está em como as crianças e adolescentes devem ser preparadas para um futuro incerto e em constante mudança.

“Estamos educando uma geração que pode trabalhar em profissões que talvez ainda nem existam. A inteligência artificial continuará a evoluir, mas as habilidades humanas serão o verdadeiro diferencial competitivo. Saber aprender, colaborar, comunicar, liderar e se adaptar a mudanças será tão importante quanto qualquer conhecimento técnico”, afirma Michelle.

<pneste contexto, a IA já desempenha um papel significativo ao automatizar tarefas, organizar informações e até produzir conteúdo, impactando praticamente todos os setores da economia. Assim, a função da educação não deve ser apenas a transmissão de conhecimento, mas também o desenvolvimento de competências que acompanhem um mundo em constante transformação.

“A tecnologia proporciona respostas em segundos. O que fará a diferença será a capacidade de interpretar essas respostas, tomar decisões éticas e resolver problemas inéditos, além de construir relações humanas de qualidade. Essas competências precisam ser cultivadas desde a infância”, complementa Michelle.

No Brasil, Santa Catarina exemplifica essa nova realidade. O Estado abriga um dos principais ecossistemas de inovação do país, com mais de 30 mil empresas de tecnologia e um faturamento anual de cerca de R$ 38 bilhões. Nesse cenário, a demanda por profissionais capacitados para um mercado de trabalho dinâmico e inovador se torna ainda mais evidente.

Contudo, Michelle aponta que muitas famílias ainda se concentram em resultados escolares tradicionais, negligenciando o desenvolvimento de habilidades socioemocionais. “Os jovens chegam à universidade ou ao primeiro emprego dominando o conteúdo acadêmico, mas frequentemente têm dificuldades em administrar emoções, trabalhar em equipe, resolver conflitos e lidar com frustrações. Essas competências influenciam diretamente o sucesso pessoal e profissional”, alerta.

Ela ressalta que é necessário um novo entendimento tanto por parte das instituições de ensino quanto das famílias sobre a educação. “A educação do século XXI deve integrar conhecimento, tecnologia e desenvolvimento humano. Não é suficiente ensinar a operar ferramentas de inteligência artificial. É preciso desenvolver o pensamento crítico para questionar resultados, a ética para utilizá-las de forma responsável e a criatividade para transformar informações em inovação”, explica.

A visão de Michelle orienta o desenvolvimento de uma proposta pedagógica na Leyla School, uma startup educacional nascida em Florianópolis. A escola oferece uma formação complementar voltada ao desenvolvimento de competências humanas em crianças e adolescentes, com uma metodologia estruturada por faixas etárias, acompanhando cada etapa do desenvolvimento infantil e juvenil.

Os conteúdos abordam temas como inteligência emocional, educação financeira, comunicação, liderança, empreendedorismo, segurança digital, pensamento crítico, ética no uso da tecnologia, comportamento social e projeto de vida, sempre conectando o aprendizado às situações reais enfrentadas pelas novas gerações.

Michelle acredita que o avanço da inteligência artificial não é uma ameaça para quem adquire competências humanas consistentes. “A tecnologia permanecerá como parte integrante da vida das pessoas e do mercado. O desafio não é competir com ela, mas sim aprender a utilizá-la de forma inteligente. Aqueles que desenvolverem habilidades de adaptação, liderança, empatia e visão crítica estarão prontos para qualquer transformação que ainda venha”, conclui.

Para Michelle, mais do que acompanhar a evolução tecnológica, educar as crianças para o futuro implica formar adultos constantemente dispostos a aprender, a tomar decisões conscientes e a liderar em um mundo cuja única certeza é a mudança.

Foto Crédito: Divulgação

Fonte:: diariopr.com.br

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