China apresenta foguete que pousa de ré, como o de Elon Musk

Redação Rádio Plug
4 min. de leitura
A recuperação do 1º estágio reduz os custos de ...

A China efetivou, na última sexta-feira (10 de julho de 2026), o primeiro teste exitoso de recuperação de um foguete de classe orbital por meio de uma rede instalada em uma plataforma marítima. O teste utilizou o foguete Longa Marcha 10B, lançado do centro espacial comercial de Hainan, localizado no sul do país. Essa inovação tecnológica possui um objetivo análogo ao do sistema desenvolvido pela SpaceX, de Elon Musk, com o Falcon 9: permitir a recuperação do primeiro estágio do foguete para sua reutilização em futuras missões.

A recuperação do primeiro estágio é uma estratégia que visa reduzir significativamente os custos de lançamento, bem como aumentar a frequência das missões, um aspecto considerado fundamental para a expansão das constelações de satélites comerciais.

O Longa Marcha 10B foi lançado às 12h15 (horário local) e, cerca de seis minutos após a separação do primeiro estágio do restante do foguete, retornou verticalmente, sendo capturado por uma plataforma marítima equipada com uma rede. A emissora estatal CCTV confirmou o sucesso da operação. Além disso, a missão teve como objetivo colocar um satélite em uma órbita previamente definida.

Tecnologia de recuperação diferenciada

Embora o sistema chinês tenha o mesmo propósito do Falcon 9, a abordagem utilizada é distinta. Enquanto o foguete da SpaceX pousa de forma autônoma sobre pernas retráteis em terra firme ou em navios-drone no oceano, o Longa Marcha 10B emprega quatro ganchos para ser capturado por uma rede instalada na referida plataforma marítima.

Desenvolvido pela China Academy of Launch Vehicle Technology (CALT) para o mercado espacial comercial, o Longa Marcha 10B é comparável ao Falcon 9 em termos de porte e função. O foguete é capaz de transportar no mínimo 16 toneladas para a órbita terrestre baixa.

Assista (00min26s):

Contexto da corrida espacial global

A SpaceX foi a primeira a implementar a reutilização de foguetes de classe orbital. Em dezembro de 2015, a empresa completou com sucesso o primeiro pouso do primeiro estágio de um Falcon 9 após um voo orbital. Desde então, esse sistema passou a ser utilizado de forma recorrente, permitindo a reutilização do mesmo propulsor diversas vezes e, consequentemente, reduzindo de forma significativa os custos de lançamento de satélites e outras cargas no espaço.

Em outubro de 2024, a SpaceX atingiu outro marco ao recuperar o propulsor Super Heavy da Starship. Em vez de pousar sobre uma plataforma, o foguete retornou verticalmente e foi capturado por braços mecânicos localizados na própria torre de lançamento em Boca Chica, Texas. Este feito demonstrou a viabilidade de reutilizar também o maior foguete já construído.

A China tem se dedicado ao desenvolvimento de tecnologias de reutilização há quase dez anos. No entanto, no ano passado, duas tentativas de recuperação de foguetes de classe orbital não obtiveram sucesso: uma realizada pela empresa privada LandSpace e outra pela estatal China Aerospace Science and Technology Corporation.

Empresas privadas chinesas, por sua vez, têm intensificado os investimentos em foguetes reutilizáveis. Para dar suporte a esse setor, o governo chinês adotou medidas para flexibilizar as regras referentes a IPOs (ofertas públicas iniciais) das companhias aéreas e espaciais. Após o teste realizado na última sexta-feira, as ações de empresas do ramo apresentaram alta nas bolsas de valores da China.

O Longa Marcha 10B faz parte da família Longa Marcha 10, desenvolvida para as futuras missões lunares tripuladas da China, que estão programadas para acontecer antes de 2030. Conforme noticiado pela CCTV, o primeiro estágio recuperado no recente teste deverá ser reutilizado em outra missão ainda em 2026.

Fonte:: poder360.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo