As ações da LG Electronics quadruplicaram este ano, atingindo o limite diário de alta de 30% pela segunda sessão consecutiva na segunda-feira, após notícias de que o presidente do Grupo LG, Koo Kwang-mo, se reunirá com o CEO da NVIDIA, Jensen Huang, em 5 de junho.
O encontro terá como foco a expansão da cooperação em inteligência artificial física. E, para quem não sabe, a expressão designa os meios para a IA afetar o mundo real, como robôs.
A alta começou na semana passada, quando a LG apresentou uma tecnologia de tela automotiva baseada no Android Automotive, que utiliza um único chip para controlar múltiplas telas dentro do veículo.
E esse anúncio impulsionou uma alta de 24% em um único dia, de modo que a reunião com a NVIDIA estendeu a alta a níveis históricos.
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De mãos dadas

As afiliadas do Grupo LG seguiram o mesmo caminho. A LG CNS subiu 29%. A LG Corp. ganhou 26%. A LG Innotek subiu 23%. A LG Uplus adicionou 17%. Em suma, todas atingiram suas máximas históricas.
Ou seja, os investidores estão interpretando a reunião com a NVIDIA como um sinal de que todo o conglomerado LG, e não apenas a divisão de eletrônicos, desempenhará um papel na infraestrutura de inteligência artificial física.
Inclusive, conforme Shawn Oh, chefe de ações coreanas da NH Investment & Securities, “a colaboração pode se expandir para outras afiliadas da LG”, incluindo a LG Innotek e a LG Uplus.
Além disso, a filha de Jensen Huang (CEO da NVIDIA), Madison Huang, reuniu-se com o presidente da LG Electronics, Lyu Jae-cheol, em abril, para discutir detalhes da colaboração. A LG já utiliza a plataforma Omniverse da NVIDIA para simulações digitais de fábricas inteligentes.
Mudança de fluxo

Os ganhos destacam uma mudança na forma como os investidores estão negociando neste período de boom da IA. Após a alta das ações de semicondutores ter se estabilizado, o capital está fluindo para empresas que constroem a infraestrutura física necessária para a IA operar no mundo real.
Em outras palavras: robôs, fábricas inteligentes, veículos autônomos e sistemas industriais.
Neste contexto, o Grupo LG expandiu-se muito além do negócio original de eletrônicos que iniciou na década de 1950 sob o nome de Goldstar. E, agora, fabrica de tudo, desde eletrodomésticos e baterias para veículos elétricos até painéis de exibição.
Agenda lotada

Jensen Huang está na região esta semana para a Computex em Taipei e a agenda de reuniões com executivos coreanos indica que o papel da Coreia do Sul na estratégia global de infraestrutura de IA da NVIDIA vai além dos chips de memória da Samsung e da SK Hynix.
A capacidade de produção da LG em robótica, componentes automotivos e displays industriais oferece ao time verde um parceiro para a camada física de IA que a fabricação de chips sozinha não consegue fornecer.
Neste contexto, a valorização das ações da LG cria uma distribuição mais ampla dos ganhos relacionados à IA no mercado coreano. E a sustentabilidade desses ganhos depende de a parceria com a NVIDIA gerar receita ou permanecer apenas como um sinal.
Nem tudo são flores
A Samsung dominou o cenário de IA na Coreia por meio de seu superciclo de chips de memória. Suas ações subiram 144% no acumulado do ano e as da SK Hynix subiram 200%.
A quadruplicação das ações da LG, baseada em uma tese de IA física em vez de uma tese de chips, sugere que o mercado de IA coreano está se expandindo para além de semicondutores, abrangendo as empresas que fabricam o que a IA irá operar.
Porém, uma ação que quadruplica de valor após o anúncio de uma reunião está precificando expectativas que a própria reunião não poderá satisfazer. E a questão para a LG é se a receita com IA física se materializará em um ritmo que justifique uma avaliação que já absorveu anos de crescimento projetado.
Por enquanto, o mercado decidiu que sim. As máximas históricas de segunda-feira em todo o Grupo LG dizem isso com mais força do que qualquer relatório de analista poderia.
Fonte: Bloomberg.
Fonte:: adrenaline.com.br




