O Instituto Água e Terra (IAT) promoveu, nesta quarta-feira (3), uma atuação eficiente em restauração ambiental da Mata Atlântica por meio da dispersão aérea de 700 mil sementes da palmeira-juçara (Euterpe edulis). Esta atividade foi realizada em diversas localidades do Litoral do Paraná e coordenada pelo Centro de Operações Aéreas do IAT (COA-IAT), abrangendo quatro Unidades de Conservação de Proteção Integral: Parque Estadual do Rio da Onça, em Matinhos; Estação Ecológica de Guaraguaçu, em Paranaguá; Parque Estadual do Boguaçu, em Guaratuba; e Parque Estadual Pico do Marumbi, que envolve os municípios de Morretes, Piraquara e Quatro Barras.
As sementes utilizadas nessa ação são oriundas de coletas realizadas pelo próprio IAT e também de doações feitas por organizações parceiras, como o Instituto de Estudos Ambientais Mater Natura, o Instituto Juçara de Agroecologia e a Associação de Produtores Orgânicos de Quedas do Iguaçu Produzindo Vida (APOQI). A realização da atividade também contou com a colaboração do Distrito 4730 do Rotary Club.
O diretor-presidente do IAT, José Volnei Bisognin, explicou que as áreas escolhidas para a dispersão foram selecionadas com base em registros de crimes ambientais, como a extração ilegal da palmeira. “Não se trata de um lançamento aleatório; ele será monitorado posteriormente para avaliarmos a eficácia da ação”, ressaltou Bisognin.
A iniciativa visa não apenas a conservação e valorização da palmeira-juçara, uma espécie ameaçada pela exploração ilegal, mas também tem um caráter educativo. O objetivo é conscientizar a população sobre a importância ecológica da Mata Atlântica e da preservação das espécies nativas.
“Precisamos que as pessoas compreendam a relevância da preservação dessa espécie, que é crucial para o ecossistema da Mata Atlântica. Disponibilizamos 19 viveiros em todo o Estado que podem fornecer mudas para a comunidade. Nossa intenção é incentivar a população a colaborar com o plantio em suas residências, contribuindo assim para a melhoria da qualidade ambiental do Paraná”, destacou Bisognin.
O chefe da regional do IAT no Litoral, Altamir Hacke, complementou afirmando que “esta é uma ação que temos planos de repetir no futuro, pois é essencial para a regeneração do meio ambiente”.
Características da Palmeira-Juçara
A palmeira-juçara (Euterpe edulis Martius) é uma espécie típica da Floresta Atlântica, ocorrendo desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. Os frutos da palmeira são apreciados por muitas espécies de aves e mamíferos, servindo como alimento para tucanos, jacutingas, jacus, sábias e arapongas, que são os principais dispersores das sementes. Outros animais, como cutias, antas e esquilos, também se alimentam dos frutos e sementes.
“Nosso propósito com esse projeto é promover o ressurgimento da palmeira-juçara na região litorânea do Estado, refletindo uma visão futura voltada para a preservação da Mata Atlântica”, declarou Marcelo Passos, governador do Distrito 4730 do Rotary.
A germinação das sementes de palmito-juçara é um processo lento e variável. Esta espécie está adaptada a ambientes de sub-bosque, onde pode formar um denso banco de sementes que aguardam condições favoráveis de luz e umidade para germinar. A palmeira pode atingir entre 10 a 20 metros de altura e demora cerca de seis anos para alcançar a maturidade reprodutiva. Dado este contexto, a dispersão aérea de sementes se mostra uma alternativa prática para aumentar a presença dessa espécie nas áreas remanescentes da Mata Atlântica no Litoral paranaense.
Fonte:: iat.pr.gov.br




