O sul da Europa enfrenta uma situação crítica nesta quinta-feira, 23, com o avanço de incêndios florestais violentos impulsionados por ventos fortes e temperaturas extremas. O cenário de destruição obrigou a retirada de milhares de moradores em países como França e Espanha.
De acordo com dados de satélite do sistema Effis analisados pela agência de notícias AFP, 2026 já é o segundo pior ano em termos de área queimada na União Europeia para este período, desde o início dos registros há duas décadas. A gravidade da crise também cobrou vidas: três bombeiros morreram nos últimos dias, sendo dois na França e um na Itália.
No território francês, as equipes de emergência combateram dois grandes focos. Um deles, localizado em Le Porge, consumiu 4.800 hectares. Segundo fontes locais, as chamas teriam começado durante trabalhos de limpeza de vegetação em uma estrada florestal. Diante da magnitude da ocorrência, o presidente Emmanuel Macron anunciou na rede social X que o país solicitou a ativação do mecanismo de proteção civil da União Europeia.
“Em breve, poderemos contar com o reforço de dois Canadair croatas, dois Air Tractor portugueses e dois helicópteros pesados Black Hawk tchecos e eslovacos”, afirmou o mandatário francês.
Na Espanha, o governo decretou estado de emergência de interesse nacional na região de Madri e na província de Ávila. A medida tem como objetivo agilizar o envio de recursos para o combate às chamas que já forçaram a evacuação de 10 mil pessoas nos arredores da capital, deixando a resposta sob a tutela da Unidade Militar de Emergências (UME).
Mais de 12 mil focos registrados no ano
Outro incêndio de grandes proporções teve início na terça-feira, 21, em uma área rural e se propagou pelo departamento de Var, no sudeste da França, atingindo 2.700 hectares e exigindo a retirada de mais de 300 pessoas. Durante a tarde, o prefeito Simon Fabre informou sobre a reativação do fogo, estimando entre 50 e 100 novos focos na região.
O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, pontuou que mais de 12.500 incêndios foram catalogados desde o começo do ano, acumulando 44 mil hectares queimados. Na França, os incêndios florestais nunca consumiram tanta superfície nesta época do ano. Espanha e Itália vivem realidade semelhante, figurando entre os piores anos históricos.
Especialistas apontam que a facilidade com que o fogo se alastra está diretamente ligada à seca prolongada que afeta a vegetação e os solos europeus. O quadro foi intensificado pelas ondas de calor excepcionais registradas em junho e julho, que elevaram os índices de evaporação. Um estudo divulgado nesta quinta-feira pelo grupo World Weather Attribution concluiu que as mudanças climáticas, impulsionadas pela queima de combustíveis fósseis, desempenham papel central no agravamento dessa seca.
Calor extremo castiga a Itália
Na Itália, a situação é alarmante na ilha da Sicília, onde dezenas de incêndios florestais continuam ativos, conforme relatou o ministro do Interior, Matteo Piantedosi. Na quarta-feira, 22, cem moradores e 22 pacientes de uma clínica no centro da ilha — onde os termômetros superaram os 40°C — precisaram ser evacuados.
O presidente da região, Renato Schifani, informou que cerca de 5,000 efetivos foram mobilizados, com o apoio de 20 aeronaves. Dos 344 incidentes reportados no dia anterior, aproximadamente 50 seguiam em atividade. A Agência de Proteção Civil italiana reforçou que o cenário é agravado pelas temperaturas extremas e pela secura extrema do solo, somando-se a mais de 160 ocorrências registradas na Calábria nas últimas 24 horas.
Novas evacuações em solo espanhol
Em território espanhol, o principal foco desenvolveu-se a cerca de 100 quilômetros ao norte de Madri, na província de Guadalajara, devastando 32 mil hectares desde a última quinta-feira, 16.
As autoridades ordenaram a retirada de 3,5 mil habitantes de Aldea del Fresno, situada a 60 km de Madri. Com múltiplos focos ativos na comunidade autônoma madrilenha, o número total de deslocados ultrapassa a marca de 10 mil. Dezoito unidades de combate a incêndios e militares da UME atuam na contenção das chamas, que continuam bloqueando diversas vias de acesso na região.
Fonte:: estadao.com.br




