Trump quer declarar guerra aos cartéis de droga. Ele acaba de ganhar um aliado na Colômbia

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Título: Novo presidente da Colômbia promete combate rigoroso ao narcotráfico com apoio dos EUA

CONTEÚDO ORIGINAL:

A relação entre os Estados Unidos e a Colômbia enfrentava um período de tensão. Apenas cinco meses atrás, o presidente Donald Trump insinuou uma possível ação militar contra o país, criticando o presidente colombiano, que tem uma ideologia de esquerda, e acusando-o de ser um “homem doente” que gerenciava “fábricas de cocaína”. Essa turbulência na aliança, que já dura décadas e é crucial na luta americana contra as drogas, parecia estar à beira do colapso.

No entanto, a eleição presidencial realizada na Colômbia mudou o cenário. Com a vitória do advogado Abelardo De La Espriella, um candidato conservador que recebeu apoio de Trump e promete um combate militar aos narcotraficantes, o país parece voltar a ser bem visto pelos Estados Unidos.

O triunfo de Espriella, parte de um movimento conservador que ganha força na América Latina, representa um aliado significativo para Trump em sua estratégia de fortalecimento da presença americana na região.

Esse evento evidencia como o respaldo de um presidente americano em uma eleição na América Latina pode impulsionar uma onda populista, mesmo em um contexto histórico de intervenções americanas que tem deixado a população local fatigada pela violência associada ao tráfico de drogas.

Com um aliado entusiasta na presidência colombiana, o maior produtor de cocaína do mundo, Trump pode intensificar o combate às organizações criminosas. Apesar de Espriella ter enfatizado a necessidade de respeitar a soberania colombiana e ter feito uma ressalva sobre uma intervenção militar direta dos EUA, ele manifestou apoio ao aumento de compartilhamento de inteligência e operações conjuntas.

Essa nova abordagem gera otimismo entre muitos colombianos que estão desiludidos com o governo atual, mas levanta preocupações entre críticos que temem que uma estratégia militar possa resultar em mais violência, sem resolver de fato o problema do tráfico.

O presidente Gustavo Petro, que deixa o cargo, adotou uma postura de oposição aberta a Trump, mesmo com outros líderes sul-americanos se alinhando mais com a posição do presidente americano. Os EUA, após a derrubada do ex-ditador Nicolás Maduro, têm exercido influência significativa sobre a Venezuela, enquanto o Pentágono intensificou operações contra gangues de narcotraficantes no Equador. Além disso, a Bolívia voltou a aceitar a presença de agentes antidrogas americanos após duas décadas sob governos de esquerda.

Em uma entrevista, o senador republicano Bernie Moreno, com raízes na Colômbia, afirmou que Espriella poderá ser um grande parceiro dos EUA na América Latina.

O entusiasmo de Trump foi evidente após a vitória de Espriella, a qual ele comemorou em sua rede social, afirmando “Ele venceu, e de lavada!”. O novo presidente tem planos de construir prisões em locais isolados e propõe uma ofensiva militar abrangente contra os cartéis de drogas, gerando preocupações sobre uma possível erosão das liberdades civis e danos à população civil.

Durante seu discurso de vitória, Espriella expressou: “Não há liberdade sem segurança”, defendendo que a democracia não pode existir sem uma autoridade forte.

Ele também aplaudiu operações no Equador, propondo a ideia de que a Colômbia se junte a uma nova coalizão dos EUA e outros países latino-americanos para combater os cartéis.

Além disso, ele apoiou as ações militares dos EUA contra embarcações suspeitas de contrabando, que resultaram em mais de 200 mortes e são consideradas por muitos especialistas como execuções extrajudiciais. Espriella afirmou que suas forças armadas atacariam quaisquer aeronaves ou barcos que transportassem drogas em suas costas.

O ex-embaixador americano na Colômbia, Kevin Whitaker, observou que a administração Trump deverá adotar uma abordagem mais focada em ações militares, ao invés de soluções baseadas em aplicação da lei ou resultados judiciais, como vinha sendo a prática anteriormente.

Os EUA investiram aproximadamente US$ 15 bilhões na Colômbia ao longo de mais de 20 anos para modernizar suas forças armadas e auxiliar na conversão de culturas de coca. Embora essas medidas tenham enfraquecido grupos guerrilheiros que lucravam com o tráfico, não conseguiram acabar com o comércio global de cocaína a longo prazo, segundo especialistas.

A produção de cocaína bateu recordes impulsionada pela demanda global, e redes de tráfico têm utilizado uma variedade de métodos, como lanchas rápidas e submarinos, para escoar a droga para os EUA e Europa. Grupos criminosos que controlam o tráfico se fortaleceram na última década.

Espriella colheu o apoio dos colombianos preocupados com a crescente insegurança durante o governo de Petro. O ex-presidente adotou uma política de drogas focada na apreensão de cocaína e incentivo à substituição de plantações de coca por culturas legais, resistindo à pressão de Trump por uma abordagem mais rigorosa.

Com Espriella, um novo cenário se desenha. Ele, que não possui experiência política, derrotou o candidato de Petro em uma das eleições mais disputadas da história da Colômbia, conforme resultados preliminares.

Analistas indicam que a relação com os EUA deverá ser bem mais favorável, onde os pedidos dos americanos terão maior receptividade por parte do novo governo. Espriella prometeu o uso de aeronaves para a pulverização de herbicidas nas plantações de coca, estratégia que havia sido abandonada na Colômbia em 2015, devido a preocupações sobre a saúde pública.

Uma mudança na política de extradição também pode estar a caminho. Ao contrário de Petro, que tinha uma visão cética sobre o tema, Espriella poderá priorizar a captura e extraditação de traficantes de alta relevância para os EUA.

No entanto, Whitaker alertou que focar apenas na liderança do tráfico, sem abordar as complexas estruturas financeiras que sustentam esses grupos, é uma abordagem simplista que provavelmente não resolverá o problema.

A certificação da Colômbia como parceira no combate às drogas deve ser restabelecida por Trump após a revogação recente, o que poderia reintegrar a nação na lista de países aliados no combate ao narcotráfico.

Por fim, analistas acreditam que os EUA continuarão a oferecer suporte e inteligência operacional às forças colombianas, que enfrentaram alta rotatividade de pessoal sob o governo anterior. “É uma área essencial para que haja colaboração efetiva”, disse Carolina Barco, ex-embaixadora da Colômbia nos EUA.

Espriella demonstrou interesse em exibir um forte poderio militar, mas ainda precisa apresentar planos mais concretos. Sua promessa de restaurar o controle estatal em áreas de influência de grupos armados em um prazo de 90 dias é considerada irrealista por especialistas.

Os ataques letais autorizados por Trump, que não têm apresentado resultados concretos na redução do tráfico, foram classificados por analistas como uma estratégia de espetáculo político.

Fonte:: estadao.com.br

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