A embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, passou a ocupar o centro de uma crise diplomática internacional após ter seu visto revogado pelo governo americano. A punição imposta por Washington ocorreu como resposta a um impasse que envolve a negativa brasileira na emissão de vistos a dois diplomatas dos Estados Unidos que pretendiam visitar o País, além da lentidão de Brasília em referendar o nome escolhido pela administração norte-americana para comandar a embaixada em solo brasileiro.
Com uma extensa carreira dedicada à diplomacia, Maria Luiza nasceu em Belo Horizonte (MG) e tem 72 anos. Sua formação na área começou em 1976, quando concluiu o Curso de Preparação à Carreira Diplomática (CPCD) oferecido pelo tradicional Instituto Rio Branco. Anos mais tarde, diversificou sua formação acadêmica ao diplomar-se em Economia pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal, em 1978, e concluir uma pós-graduação na mesma disciplina pela Universidade de Brasília, em 1982.
Atuação de destaque em organismos internacionais
A diplomata construiu uma sólida reputação no cenário exterior, com passagens fundamentais pela Missão do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU), sediada em Nova York. Ao longo dos anos, ela atuou em três momentos distintos nesse escritório: inicialmente como primeira-secretária, entre 1985 e 1988; posteriormente como ministra-conselheira, de 1997 a 2004; e, por fim, como representante permanente do país, cargo que exerceu de 2007 a 2013.
Durante sua gestão como representante permanente, liderou a Delegação do Brasil no Conselho de Segurança da ONU no biênio 2010-2011, assumindo a presidência rotativa do órgão em fevereiro de 2011. Sua projeção global a levou a ocupar, posteriormente, o posto de chefe de gabinete do secretário-geral das Nações Unidas durante o período compreendido entre 2017 e 2021.
Antes de alcançar o posto máximo na diplomacia bilateral com os norte-americanos, a mineira atuou como conselheira em La Paz, na Bolívia, entre 1993 e 1996, e chefiou a representação diplomática do Brasil na Alemanha entre 2013 e 2016. No retorno ao Brasil, assumiu a subsecretaria-geral para Ásia e Pacífico no Ministério das Relações Exteriores e atuou como negociadora-chefe (ou sherpa) do país no Brics.
Sua chegada a Washington ocorreu em junho de 2023, sob a gestão do democrata Joe Biden, marcando um momento histórico por ter sido a primeira mulher a assumir a embaixada brasileira nos Estados Unidos.
O impasse diplomático com Washington
Em nota oficial divulgada na terça-feira, o Departamento de Estado norte-americano esclareceu que a embaixadora não foi formalmente declarada *persona non grata*, mas alertou que outras medidas de retaliação seguem disponíveis e que, caso ela deixe o território dos Estados Unidos, precisará passar por um novo processo de solicitação de visto para retornar.
Fontes diplomáticas ouvidas pela agência de notícias Associated Press, que preferiram manter o anonimato, apontam que a permanência e o exercício regular das funções de Maria Luiza poderão ser revistos caso o governo brasileiro aceite a indicação do presidente dos EUA, Donald Trump, para o novo embaixador no Brasil: o ex-presidente da Câmara dos Deputados da Flórida, Danny Perez.
Além da demora em avaliar a indicação de Perez, o governo brasileiro barrou recentemente os vistos do secretário-adjunto de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes, e de um assessor direto. A decisão ocorreu após informações de que ambos fariam críticas públicas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao sistema eleitoral brasileiro.
Em contrapartida, o governo americano refutou tais acusações, argumentando que a viagem dos funcionários a Brasília — programada inicialmente para o final de julho — tinha o objetivo exclusivo de debater com autoridades governamentais e líderes sociais temas como integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão.
Diante do cenário, o presidente Lula classificou a revogação do visto como uma medida impensada e irresponsável. Por meio de manifestação oficial, a Presidência da República repudiou o ato, afirmando que a decisão dos EUA se baseia em premissas falsas e reflete uma escalada hostil e ideológica contra o Brasil, com indícios de tentativa de interferência no pleito presidencial futuro.
Fonte:: estadao.com.br




