O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizou, de forma inédita, a abertura de uma urna eletrônica ao vivo na segunda-feira (3.ago.2026). O objetivo da transmissão foi demonstrar o funcionamento interno do equipamento e detalhar as diferentes camadas de segurança que compõem o sistema eletrônico de votação brasileiro. A iniciativa faz parte da programação da 1ª Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, evento promovido pela Justiça Eleitoral com o intuito de aproximar a sociedade dos procedimentos democráticos.
Durante a exibição, que durou aproximadamente 48 minutos, especialistas em tecnologia da informação da Secretaria do TSE desmontaram peça por peça o dispositivo. Na ocasião, foram apresentados os componentes físicos e explicados os principais mecanismos de proteção, como a criptografia avançada, as assinaturas digitais, a presença de processadores dedicados exclusivamente à segurança e a total ausência de conexão com a internet, redes Wi-Fi ou Bluetooth. Conforme os técnicos, qualquer tentativa de modificação não autorizada no software paralisa imediatamente o funcionamento do aparelho.
A demonstração também contemplou a emissão de documentos essenciais para a transparência do pleito, como a zerésima — certidão emitida antes do início da votação que atesta a inexistência de votos prévios na urna — e o boletim de urna, impresso logo após o encerramento da votação, fundamental para que partidos políticos e fiscais possam auditar os resultados de cada seção.
Assista a trechos da abertura da urna (15min20s):
Outro ponto abordado pelos técnicos foi o plano de contingência operacional adotado no dia das eleições. Caso ocorra alguma falha mecânica ou eletrônica em um equipamento durante o pleito, a urna danificada é prontamente substituída por uma de reserva, assegurando a preservação dos votos já computados por meio da transferência da mídia de dados oficial.
A live também deu destaque aos recursos de acessibilidade integrados ao sistema de votação, contemplando teclado em braile, sintetizador de voz voltado para eleitores com deficiência visual e uma interface simplificada para auxiliar no processo de escolha dos candidatos.
Ao longo da programação semanal, diversas ações coordenadas por tribunais regionais eleitorais em vários estados foram exibidas para mostrar a estudantes e à população em geral como a tecnologia atua para garantir a lisura das eleições no país.
Assista à íntegra (49min):
Como funciona a urna eletrônica
De acordo com o TSE, o equipamento reúne uma série de barreiras tecnológicas para registrar e resguardar o voto de cada cidadão. Entre os principais mecanismos destacados pela Justiça Eleitoral, estão:
- Ausência de conexão externa: a urna eletrônica opera de forma totalmente isolada, sem acesso à internet, redes sem fio (Wi-Fi) ou Bluetooth, o que bloqueia qualquer possibilidade de invasão ou ataque remoto.
Reprodução/TSE – 3.ago.2026 — Parte traseira da urna eletrônica
- Criptografia de dados: as teclas acionadas pelo eleitor passam por um processador criptográfico específico, blindando a escolha antes mesmo de ser interpretada pelo sistema principal.
- Checagem de integridade: ao ser ligada, a urna executa verificações sucessivas de assinaturas digitais em seus programas. Se houver qualquer divergência ou sinal de adulteração, a inicialização é cancelada e o equipamento trava.
- Emissão da zerésima: antes do início oficial da votação na seção, o mesário imprime a zerésima, documento que comprova formalmente que todos os candidatos registram zero voto no sistema naquele momento.
Reprodução/TSE – 3.ago.2026 — Impressão da zerésima, documento que comprova que a urna inicia a votação sem votos registrados
- Disponibilização do boletim de urna: encerrada a votação, o equipamento emite o boletim impresso com o total de sufrágios obtidos por cada concorrente, afixado na própria seção e entregue aos fiscais.
Reprodução/TSE – 3.ago.2026
- Auditoria facilitada: cada boletim de urna conta com um código QR e identificadores próprios, permitindo confrontar o relatório impresso na seção com os dados enviados aos servidores centrais de totalização do TSE.
Reprodução/TSE – 3.ago.2026 — Boletim de urna; documento traz QR Code, identificação da urna e resultado da seção para conferência
- Protocolo de contingência: caso ocorra pane em algum terminal durante o horário de votação, o plano de substituição prevê a troca rápida do hardware, com reaproveitamento da mídia de votação para garantir a continuidade segura do processo.
Fonte:: poder360.com.br






