Agente federal do ICE aponta arma para motorista durante abordagem nos EUA

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Um incidente envolvendo agentes federais de imigração e uma motorista na cidade de Falls Church, no estado da Virgínia, gerou forte repercussão e debates sobre os limites da atuação policial e a liberdade de expressão nos Estados Unidos. O caso veio à tona após uma entrevista coletiva organizada por grupos de defesa dos imigrantes, onde a condatora da ação relatou momentos de tensão e ameaça durante uma abordagem realizada no início da semana.

A protagonista do episódio é Carolina Molina, de 36 anos, que é filha de imigrantes salvadorenhos. De acordo com relatos fornecidos à imprensa local, o desentendimento começou quando ela visitava escritórios de advocacia na região para realizar contatos profissionais e distribuir cartões de visita. Perto de um complexo de escritórios, ela percebeu a presença de veículos sem identificação e de oficiais do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) realizando detenções nas proximidades da via Columbia Pike.

Segundo o testemunho de Carolina, ela presenciou o momento em que dois homens, que pareciam ser latinos, foram detidos pelos oficiais e caídos ao chão. Sensibilizada com a situação e compreendendo as dificuldades enfrentadas pela comunidade imigrante — já que conhece pessoas deportadas e com familiares em situação migratória irregular —, ela decidiu protestar. Ao passar de carro por um dos agentes do ICE, a mulher admitiu ter gritado um insulto pela janela do veículo. Em sua defesa, ela ressaltou que agiu amparada pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de expressão dos cidadãos americanos.

A situação escalou rapidamente após essa manifestação verbal. A motorista relatou que um dos agentes federais bloqueou o seu caminho com uma viatura e, em seguida, apontou uma arma diretamente para a sua cabeça. O oficial teria questionado o motivo pelo qual ela estaria seguindo a equipe. Carolina afirmou que o cenário começou a se transformar de maneira drástica justamente quando ela pegou o telefone celular para registrar a interação em vídeo.

“Foi aí que senti que a situação mudou”, declarou ela durante a coletiva de imprensa, demonstrando choque com a atitude do agente. “Parecia que ele começou a criar a ideia de: ‘Você está tentando nos atropelar. Ela estava tentando nos atropelar’, e assim por diante. E não foi isso que aconteceu.” Segundo a condutora, a acusação de tentativa de atropelamento foi uma alegação falsa criada pelos próprios oficiais no local para justificar a agressividade da abordagem e a intimidação com arma de fogo.

O caso ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de registros visuais na internet.

🇺🇸 #US: ICE agents pulled a gun on a woman in Virginia after accusing her of attempting to run them over while she was driving.The agents dropped their arrest attempt after the woman said she had dashcam footage showing what happened. The footage was later released publicly.… pic.twitter.com/522t7tWufQ

— POPULAR FRONT (@PopularFront_) August 12, 2026

A versão oficial do Departamento de Segurança Interna

Por outro lado, a versão apresentada pelas autoridades federais diverge completamente dos relatos da motorista. Em um comunicado oficial emitido à imprensa, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) sustentou que a conduta de Carolina Molina colocou em risco a integridade física da equipe em serviço.

De acordo com o porta-voz do DHS, a motorista “começou a dirigir em círculos ao redor de nossos agentes do ICE e depois tentou ferir os agentes usando seu veículo como arma — tudo na tentativa de ajudar imigrantes em situação ilegal a fugir”. O órgão governamental acrescentou que, “temendo por sua segurança, os agentes do ICE pararam o veículo da motorista” e que as informações necessárias foram coletadas para que ela possa responder criminalmente pelas suas ações na Justiça.

O episódio ocorre em um momento de debates intensos sobre os métodos de atuação e o endurecimento das diretrizes para as agências de controle de fronteira e imigração nos Estados Unidos. Recentemente, o próprio DHS anunciou que pretende equipar os agentes do ICE com luvas capazes de emitir choques elétricos de baixa voltagem, conhecidas pela sigla G.L.O.V.E. (Generated Low Output Voltage Emitter). A agência planeja investir milhões de dólares na aquisição desses dispositivos para conter indivíduos que ofereçam resistência durante as operações de fiscalização em solo norte-americano.

Fonte:: estadao.com.br

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