Esforços de recuperação avançam na Colômbia com esperanças escassas de novos resgates

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

A Colômbia prossegue com os trabalhos de remoção de escombros após a destruição causada, há quase uma semana, por um forte terremoto. As chances de resgatar sobreviventes agora são consideradas remotas pelas equipes no local.

O som característico de retroescavadeiras, guindastes e caminhões ecoa pelas áreas mais atingidas pelo tremor de magnitude 7,4. O evento sísmico, registrado na última segunda-feira, derrubou milhares de residências, edifícios comerciais, hotéis e hospitais em diferentes regiões do país sul-americano.

O silêncio que predominou durante os longos esforços iniciais de busca e salvamento após o terremoto — considerado o mais letal deste século na Colômbia e que deixou quase 300 mortos — começa a dar lugar ao barulho contínuo das operações de recuperação e limpeza urbana.

O desastre natural ocorreu logo após a posse do novo governo liderado por Abelardo de la Espriella. Diante do cenário trágico, o presidente pediu ao aliado americano, Donald Trump, a suspensão temporária de tarifas comerciais para auxiliar na recuperação econômica do país.

A zona oeste colombiana e a tradicional região cafeeira sofreram o impacto mais severo do abalo sísmico. Quase sete dias após a tragédia, as expectativas de encontrar pessoas com vida sob os escombros diminuem consideravelmente.

Voluntários mantêm esperança em meio aos destroços

Na cidade de Cali, a fachada de um edifício de cinco andares que ruiu foi marcada por um socorrista com um “V” vermelho cortado por uma linha horizontal, símbolo universal que indica o encerramento das buscas por sobreviventes naquele ponto específico.

Apesar dos protocolos, equipes de voluntários recusam-se a paralisar totalmente as vistorias. “Embora nos digam que já se passaram muitos dias, continuamos buscando sinais de vida porque queremos continuar apostando na vida”, afirmou Juan Carlos Tabares, professor de 58 anos que coordena a operação de resgate batizada de “Valentía” (Coragem) ao lado de outros cidadãos.

Até o momento, pelo menos cem pessoas continuam desaparecidas. Especialistas em desastres reforçam que a probabilidade de encontrar sobreviventes cai drasticamente após o período crítico de 72 horas.

Buscas por animais e apelo por maquinário

Enquanto as autoridades estruturam as próximas fases, cenas de angústia persistem. Uma moradora continua vasculhando os arredores de sua antiga residência em Cali — município que registrou o maior número de vítimas fatais, totalizando 111 óbitos — à procura de seu cachorro de estimação, chamado Lucky.

Vizinhos relataram ter ouvido o ganido do animal abafado pelos escombros. Com isso, equipes de resgate intensificaram as checagens utilizando microfones especiais introduzidos nos vãos dos destroços.

“Não havia mais pessoas vivas, mas moradores da região disseram ter ouvido o Lucky chorando durante a noite; por isso, chamamos voluntários para ajudar”, explicou Cristian Moreno, bombeiro de 32 anos envolvido na ação paralela.

O prefeito de Cali, Alejandro Eder, estimou que os custos para a reconstrução da terceira maior cidade colombiana alcançarão pelo menos 3,2 bilhões de dólares. Para enfrentar a crise, o país tem recebido aportes financeiros de governos estrangeiros, como os Estados Unidos, e de organismos multilaterais, a exemplo do Banco Mundial.

Nas localidades mais afetadas, diversas edificações receberam marcações com um “X” vermelho, sinalizando alto risco de novos colapsos estruturais e proibindo o trânsito de pedestres.

Em Pereira, município severamente castigado pelo terremoto, o ministro do Interior, Rodrigo Lara, apelou ao setor empresarial para que disponibilize maquinário pesado, essencial para acelerar a remoção de escombros, embora tenha resgatado o alerta de que ainda pode haver vítimas soterradas sob as ruínas.

Fonte:: estadao.com.br

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