Protesto em Buenos Aires cobra medidas contra endividamento recorde das famílias

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Milhares de cidadãos tomaram as ruas de Buenos Aires nesta quinta-feira, dia 20, para exigir ações urgentes de alívio financeiro frente a uma onda de endividamento dos lares que alcançou o patamar mais elevado das últimas duas décadas sob a atual gestão administrativa.

De acordo Trata-se de um índice sem precedentes desde a grave crise econômica enfrentada pela nação no ano de 2001.

Entre os presentes na mobilização estava o advogado Mariano Almeyda, de 47 anos, trabalhador autônomo que relatou as dificuldades cotidianas enfrentadas pela população. “Sou mais um argentino com dívidas, autônomo, e a verdade é que isso se torna cada vez mais difícil de suportar”, declarou em entrevista.

Críticas às políticas econômicas e forte esquema de segurança

O foco das reivindicações dos manifestantes esteve direcionado à figura do presidente Javier Milei, bem como às suas diretrizes voltadas para a austeridade fiscal e a desregulamentação das taxas de juros no mercado financeiro.

“O governo tem que abandonar essa visão limitada e começar a enxergar a realidade do que estamos sofrendo”, pontuou Almeyda durante o ato público.

A manifestação contou com o respaldo formal das principais centrais sindicais do país, como a CGT (Confederação Geral do Trabalho) e a CTA (Central de Trabalhadores da Argentina), além de legendas políticas de esquerda. Os grupos ocuparam parte da tradicional Praça de Maio, nas imediações do Ministério da Economia, prédio que precisou ser isolado com grades de proteção e guarnições policiais.

O impasse entre o Estado e o setor privado

As pautas centrais do protesto incluíam a exigência de intervenção estatal para mediar a reestruturação ou a gestão do endividamento excessivo das famílias. Os manifestantes também cobraram o estabelecimento de limites para os juros abusivos praticados fora do sistema financeiro formal — modalidade de crédito à qual grande parte da população precisa recorrer devido à escassez de ofertas nos bancos tradicionais.

Em pronunciamentos recentes sobre o tema, o presidente Javier Milei adotou uma postura de não interferência, afirmando publicamente que o endividamento das famílias constitui “um assunto entre privados”, no qual o poder público não deve intervir.

Por meio de sua conta oficial na rede social X, a CGT resumiu o posicionamento das entidades organizadoras após o encerramento da marcha: “Convocamos hoje o Ministério da Economia contra um modelo que empurra as famílias argentinas a se endividar para comer, pagar o aluguel e arcar com os serviços básicos”.

Fonte:: estadao.com.br

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