O setor bancário brasileiro projeta um cenário de forte expansão nos investimentos voltados à inovação digital para o ano de 2026. De acordo com os dados revelados pela Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, desenvolvida em parceria com a Federação Brasileira de Bancos e divulgada nesta terça-feira (25 de agosto de 2026), as instituições financeiras do país pretendem direcionar aproximadamente R$ 3 bilhões exclusivamente para iniciativas de inteligência artificial, ferramentas de análise avançada de dados e big data.
Este montante expressivo representa um acréscimo de 8% em comparação ao volume de recursos aplicados nas mesmas finalidades no ano anterior. Para os interessados em aprofundar os conhecimentos sobre o cenário tecnológico do setor, a íntegra (PDF—5,3MB) do documento completo traz todas as estatísticas detalhadas e metodologias aplicadas no levantamento.
O estudo, que foi conduzido pela renomada consultoria Deloitte, faz parte de um panorama muito mais amplo. Em junho, durante a apresentação da primeira etapa da mesma pesquisa, o mercado financeiro já havia antecipado que a cifra total destinada a investimentos globais em tecnologia pelas instituições bancárias atingirá a marca de R$ 50 bilhões ao longo de 2026, consolidando o compromisso contínuo da indústria com a modernização de seus sistemas e processos operacionais.
Migração para a nuvem puxa o crescimento
Dentro do ecossistema de investimentos tecnológicos previstos para o período, os gastos relacionados aos processos de migração para ambientes em nuvem destacam-se como o principal motor de expansão orçamentária. As projeções apontam que os aportes nessa categoria específica deverão alcançar a expressiva cifra de R$ 3,9 bilhões ao longo do ano. Esse volume representa um salto considerável de 30% em relação ao capital investido em infraestrutura de nuvem no exercício anterior, demonstrando a urgência das instituições em garantir maior escalabilidade, segurança e agilidade em suas plataformas digitais.
Capacitação e formação profissional ganham relevo
A corrida tecnológica impulsionada pelo avanço da inteligência artificial também exige transformações profundas na estrutura de capital humano das organizações financeiras. Percebendo essa necessidade premente, os bancos estão ampliando de maneira significativa os orçamentos destinados à formação e ao desenvolvimento de suas equipes internas no setor de tecnologia.
As estimativas para o ano de 2026 indicam um investimento da ordem de R$ 29,4 milhões direcionado unicamente para o treinamento e a capacitação de colaboradores em inteligência artificial e inteligência artificial generativa. Trata-se de uma expansão de 31% em relação ao orçamento anterior para esse nicho específico.
Para contextualizar o ritmo de preparação da força de trabalho, os gastos totais consolidados com treinamentos em tecnologia somaram R$ 100,4 milhões, permitindo que cerca de 226,1 mil profissionais fossem capacitados em diferentes frentes. Desse total investido, as atividades de aperfeiçoamento voltadas estritamente para as equipes de tecnologia da informação representaram R$ 61,9 milhões.
A Federação Brasileira de Bancos aponta ainda que 42% das instituições consultadas durante o levantamento manifestaram a intenção de expandir o quadro de colaboradores especializados em tecnologia da informação. A projeção é de um crescimento médio de 22% no número de vagas para a área. Atualmente, a força de trabalho de TI já representa 11% do total de funcionários empregados pelo setor bancário nacional.
O mapeamento da consultoria Deloitte destacou, ainda, quais foram os cinco perfis profissionais mais requisitados e valorizados pelo mercado bancário durante o ano de 2025, uma tendência que deve se estender e se consolidar nos próximos anos:
- desenvolvedor de software;
- engenheiro de IA;
- engenheiro de dados;
- arquiteto corporativo;
- engenheiro de DevOps.
Aplicações práticas da inteligência artificial nas instituições
Com o avanço dos aportes financeiros e a chegada de novos talentos qualificados, as ferramentas baseadas em agentes inteligentes de inteligência artificial vêm ganhando espaço central nas operações diárias do sistema financeiro. O estudo detalhou as principais frentes onde essas tecnologias já estão sendo aplicadas pelas instituições mapeadas:
- automação de processos internos, presente em 76% das instituições pesquisadas;
- atendimento ao cliente por meio de chatbots e voicebots, com adoção de 71%;
- geração automatizada de relatórios e documentos corporativos, registrando também 71%;
- criação de conteúdos voltados para campanhas de marketing, utilizada por 53%;
- suporte operacional a equipes e utilização de assistentes virtuais para colaboradores internos, alcançando 53%.
O contínuo aporte de recursos em ferramentas avançadas e no capital humano reforça a estratégia dos bancos de se manterem competitivos em um ambiente digital cada vez mais dinâmico e exigente.
Fonte:: poder360.com.br




