O cenário cultural de Curitiba e do Paraná perdeu neste domingo (30) uma de suas figuras mais expressivas. O empresário e produtor cultural Hélio Pimentel Filho, amplamente conhecido como Helinho Pimentel, faleceu aos 70 anos no Hospital São Vicente, na capital paranaense, em decorrência de complicações causadas por uma pneumonia. O velório do produtor foi programado para acontecer na emblemática Ópera de Arame.
Com uma trajetória que ultrapassou meio século dedicada inteiramente à arte, à cultura e à indústria fonográfica e de entretenimento, Helinho deixou uma marca profunda e indelével na história musical de Curitiba. Sua atuação moldou a forma como os moradores da capital e os visitantes vivenciam os grandes espetáculos ao ar livre e consumiram conteúdos radiofônicos especializados ao longo de décadas.
Cinco décadas dedicadas ao rock e aos grandes festivais
A influência de Helinho Pimentel na cena artística começou a se consolidar através do rádio. Ao longo de sua carreira, ele esteve fortemente ligado a emissoras pioneiras e focadas no segmento do rock, como a Estação Primeira, a 96 Rock e a Mundo Livre FM. Por meio desses veículos, ajudou a formar gerações de ouvintes e a abrir espaço para artistas locais e nacionais.
Além do rádio, seu faro para grandes produções o levou a idealizar e comandar eventos de grande porte, com destaque para o Festival Lupaluna. No entanto, sua realização mais monumental esteve umbilicalmente ligada à transformação de uma antiga área de extração de minério em um dos palcos mais famosos do mundo: a Pedreira Paulo Leminski.
A criação da Pedreira Paulo Leminski e a parceria com poetas
Amigo íntimo do poeta e escritor Paulo Leminski, Helinho costumava relembrar que, ainda no final da década de 1970, os dois visitavam a área da antiga pedreira e imaginavam o potencial acústico e visual daquele espaço para a realização de grandes festivais de música. O delírio criativo começou a se transformar em projeto concreto em 1990, quando o então prefeito Jaime Lerner convidou Helinho para integrar a equipe que converteria o local em um complexo de eventos de grande proporção.
Anos mais tarde, em 2012, Helinho uniu forças com os empresários Dody Sirena e Cicão Chies, da DC Set, para vencer a licitação de concessão da Pedreira Paulo Leminski e da Ópera de Arame. A partir desse marco, ele participou ativamente da revitalização e da gestão da nova fase dos espaços, consolidando Curitiba definitivamente na rota das turnês internacionais e dos maiores shows do país.
Em sua fase mais recente, atuando como CEO do Parque das Pedreiras Jaime Lerner, Helinho esteve à frente de iniciativas voltadas à expansão e integração do complexo cultural. Um dos frutos dessa visão foi a inauguração da Rua da Música, concebida para unir gastronomia, natureza, convivência e os dois principais cartões-postais da região.

A última aparição pública de Helinho Pimentel ocorreu justamente durante as comemorações do primeiro aniversário da Rua da Música e de seu aniversário de 70 anos, celebrados em 7 de agosto, ocasião em que discursou sobre sua trajetória e a concretização de seus sonhos profissionais.
Reconhecimento oficial e legado para o estado
Em dezembro de 2025, o trabalho incansável de Helinho em prol da identidade cultural paranaense foi condecorado oficialmente. Ele recebeu da Assembleia Legislativa do Paraná o título de Cidadão Benemérito do Estado. Na tribuna, durante a entrega da honraria, o produtor resumiu sua filosofia de vida: “A música é a madrinha de todas as artes, e essa homenagem da Assembleia, ela é muito importante nesse momento da minha vida. É um dia muito emocionante, para lembrar as conquistas, as quedas, as derrotas, todo o aprendizado. A minha missão nessa vida é ser um agente promotor dessa grande mãe da arte que é a música”.
Despedida e notas de homenagem
Em nota oficial divulgada à imprensa, o Parque Jaime Lerner e o Grupo DC Set lamentaram profundamente a perda do sócio e executivo. O texto destacou que Helinho foi a mente visionária por trás de um ecossistema onde a música funcionava como motor de conexões humanas e transformações urbanas.
“Foi através da música que Helinho transformou amigos e parceiros em irmãos, reuniu pessoas diferentes em torno de uma mesma paixão e fez nascer sonhos que ajudaram a escrever parte da história cultural de Curitiba e do Brasil”, diz um trecho do comunicado, que também enumerou marcos de sua carreira como a Estação Primeira, a 96 Rock, Mundo Livre, Syndicate, Geração Pedreira e os projetos futuros do parque.
Helinho Pimentel deixa esposa, quatro filhos e quatro netos, além de um vazio irreparável no meio cultural brasileiro e um acervo de memórias sonoras que permanecerá vivo na arquitetura e na alma de Curitiba.
Fonte:: bemparana.com.br




