Uma forte enchente repentina atingiu a região do Grand Canyon, nos Estados Unidos, deixando mais de 20 pessoas desaparecidas, conforme dados divulgados pelo Serviço Nacional de Parques (National Park Service) do país norte-americano.
O fenômeno extremo ocorreu na tarde de sábado, 29, quando uma tromba d’água e chuvas intensas castigaram a área. A inundação forçou a retirada imediata de dezenas de visitantes e moradores locais, enquanto a força da correnteza arrastava grandes rochas, estruturas metálicas e diversos detritos diretamente para o rio Colorado, principal curso d’água que corta o cânion.
De acordo com as autoridades locais, o transbordamento aconteceu de maneira abrupta no Bright Angel Creek, um riacho que deságua no rio Colorado. A violência das águas destruiu pontes de pedestres construídas sobre o córrego e modificou drasticamente a topografia local, expandindo significativamente o leito fluvial e gerando o que aparenta ser uma nova corredeira no curso principal do rio.
Diante do cenário de destruição, o serviço de parques iniciou uma força-tarefa para localizar mais de 20 pessoas cujo paradeiro é incerto ou que estão sem comunicação desde o temporal. A administração do parque fez um apelo público para que qualquer pessoa que possua informações sobre turistas, campistas ou trilheiros que estavam na região entre em contato com os canais oficiais de atendimento.
As operações de resgate e salvamento contam com o apoio contínuo do Departamento de Segurança Pública do Arizona, que mobilizou equipes para auxiliar nas evacuações aéreas e terrestres na região afetada.
Impacto na infraestrutura e turismo local
Especialistas apontam que o evento serve como um alerta severo sobre a volatilidade da natureza na região. “Isso é um lembrete de como o Grand Canyon é uma paisagem dinâmica e ativa”, destacou Jack Schmidt, diretor do Centro de Estudos do Rio Colorado na Universidade Estadual de Utah.
Como consequência direta do desastre natural, pontos turísticos de grande movimentação — incluindo o acampamento Bright Angel, o complexo Phantom Ranch e trechos da trilha North Kaibab — permaneceram com os acessos bloqueados enquanto equipes técnicas realizavam uma varredura completa para avaliar os danos estruturais. Além disso, as tradicionais expedições de rafting no Rio Colorado foram temporariamente suspensas por motivos de segurança.

Apesar da gravidade da situação e da intensidade da enchente, o balanço oficial inicial não registrou feridos graves ou vítimas fatais. No total, mais de 60 pessoas precisaram ser retiradas com segurança do Phantom Ranch, um ponto estratégico que abriga alojamentos e um restaurante histórico, muito utilizado por praticantes de rafting para entrar e sair das trilhas do cânion.
Relatos de sobreviventes
Turistas que estavam no local no momento da tempestade descreveram momentos de tensão. Erica Viola relatou que integrava um grupo de aproximadamente 50 caminhantes no acampamento Bright Angel quando o temporal desabou na tarde de sábado. Segundo seu depoimento, o nível do riacho subiu em questão de minutos, fazendo com que detritos, incluindo partes de estruturas que pareciam ser de alojamentos, começassem a flutuar pela correnteza.
O grupo de excursionistas acabou sendo resgatado por helicópteros das equipes de emergência e transportado para uma zona segura, o que obrigou o encerramento prematuro da expedição dois dias antes do cronograma original.
Dados meteorológicos fornecidos por Justin Johndrow, meteorologista do Serviço Meteorológico Nacional na cidade de Flagstaff, indicam que o volume pluviométrico foi altamente concentrado: entre 1,2 e 2,5 centímetros de chuva caíram em apenas 30 minutos sobre a formação rochosa, que apresenta declives acentuados e favorece o escoamento rápido da água para as partes mais baixas do relevo.
Fonte:: estadao.com.br




