As recentes falhas cometidas pelo goleiro Santos em partidas contra o Vitória e o Fluminense voltaram a alimentar debates sobre o futuro da sua carreira no futebol. Parte da torcida e da crônica esportiva tem sugerido a aposentadoria do atleta, partindo da premissa de que a resolução de problemas em uma equipe de alto rendimento ocorre de maneira simplificada e imediata.
No entanto, a situação envolvendo o atual arqueiro rubro-negro apresenta camadas consideráveis de complexidade. O argumento central para a sua manutenção sob as traves reside no fato de que desvios de conduta técnica e falhas pontuais representam exceções na trajetória do jogador, e não uma regra. Para validar essa premissa, é preciso olhar para a história recente do clube, período em que o atleta consolidou-se como figura central nas conquistas do bicampeonato da Copa Sul-Americana e da Copa do Brasil.

Santos em lance recente pelo Furacão. (Foto: Heuler Andrey/DiaEsportivo/Alamy Live News/IconSport).
Analisando estritamente o período que marca o seu retorno ao Furacão, a partir de 2025, o histórico de erros é escasso. Na disputa da Série B, o experiente goleiro registrou apenas um deslize, em partida contra a Ferroviária realizada em Araraquara, ocasião em que acabou traído pelas condições do gramado ao tentar uma reposição de bola na intermediária defensiva. No restante dos compromissos, até o confronto com o Vitória, o desempenho manteve o padrão de segurança esperado de um grande profissional. Por essa perspectiva, sacrificar o atleta em razão de episódios isolados mostra-se precipitada.
O cenário da posição e a gestão de grupo
Outro fator determinante para entender o contexto atual passa pela situação de Mycael, principal concorrente à vaga. O retorno de Santos à titularidade aconteceu justamente em decorrência da instabilidade apresentada por Mycael na Segundona, cenário que teve raízes na dificuldade do jovem arqueiro em superar a falha cometida contra o Red Bull Bragantino em 2024 — momento apontado como um dos fatores que culminaram no rebaixamento da equipe. Atualmente, após meses inativo em recuperação cirúrgica e com apenas uma atuação somada no Campeonato Brasileiro, Mycael figura como uma incógnita para a comissão técnica.
Além dos aspectos técnicos e físicos, é preciso ponderar a atuação de Odair Hellmann não apenas como treinador, mas como gestor de vestiário. A experiência adquirida em décadas de cobertura dos bastidores de clubes de futebol demonstra que crises dessa natureza não encontram solução em decisões arbitrárias e isoladas. Embora a hierarquia confira ao comandante a prerrogativa de escolha, as decisões mais assertivas costumam ser precedidas por diálogos transparentes entre a comissão técnica, lideranças do elenco e os próprios atletas envolvidos.
Diante desse panorama, a exigência pelo afastamento imediato de Santos perde sustentabilidade. A tendência apontada por analistas experientes é pela continuidade do goleiro na meta rubro-negra, especialmente diante de um desafio de grande magnitude fora de casa, como o confronto contra o Cruzeiro no estádio Mineirãio. Considerar que o ciclo do atleta no Athletico chegou ao fim e que o clube deve focar apenas em homenagens de despedida representa, no mínimo, uma avaliação desproporcional do momento esportivo.
Augusto Mafuz – leia o perfil completo
Há mais de quatro décadas, o jornalista Augusto Mafuz interpreta como poucos a alma do povo atleticano em crônicas diárias movidas por loucura, conflito e emoção. A frase de um velho dito entre torcedores resume sua importância: quando estourava uma crise no Athletico, a saída era “ler o Mafuz para saber o que a gente está pensando sobre isso”.
Mafuz Antonio Abrão nasceu em Guarapuava, em 11 de maio de 1949, três dias antes da primeira das 11 vitórias consecutivas do Furacão. Chegou a Curitiba aos 17 anos e bateu à porta da Rádio Guairacá. Em 1968, iniciou como repórter de campo e, dois anos depois, escreveu textos históricos sobre o título do Athletico na Tribuna do Paraná, onde é colunista desde 1977.
Polêmico vocacional e bem-informado dos bastidores do futebol, Mafuz esconde, sob a pena perfurocortante, um homem doce e generoso. Amigo de infância de Carneiro Neto, segue em atividade no podcast Carneiro & Mafuz, provando que sua crônica continua em pé de guerra. Clique aqui e leia todas as colunas de Augusto Mafuz.
Fonte:: umdoisesportes.com.br




