Tempestade severa deixa rastro de descargas elétricas e surpreende moradores no estado

Redação Rádio Plug
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Foto: Foto: Freepik/Reprodução

O estado do Paraná enfrentou uma intensa instabilidade climática que resultou na marca impressionante de mais de 15 mil descargas elétricas atmosféricas em um intervalo inferior a 24 horas. O fenômeno chamou a atenção de meteorologistas e moradores pela alta frequência e intensidade das tempestades registradas em diversas regiões do território paranaense.

De acordo com os dados consolidados pelos órgãos de monitoramento meteorológico, o volume de energia liberada na atmosfera foi expressivo entre a meia-noite e o fim da tarde de uma única segunda-feira, período em que os radares contabilizaram milhares de ocorrências do tipo nuvem-solo, que são aquelas em que a eletricidade acumulada no interior das formações tempestuosas atinge diretamente a superfície terrestre.

No topo da lista dos municípios que mais concentraram a incidência dessas ocorrências elétricas aparece Guarapuava, localizada na região Centro-Sul paranaense. Somente na cidade, os sensores registraram centenas de pontos de impacto durante o período avaliado, liderando o ranking estadual com margem significativa em relação aos demais municípios afetados pelas fortes chuvas e rajadas de vento associadas aos temporais.

Outras localidades do interior também registraram números elevados, como Candói e Três Barras do Paraná, que completam as primeiras posições do levantamento oficial. No total, a instabilidade climática atingiu de forma direta mais da metade dos municípios paranaenses, evidenciando a abrangência territorial do sistema de tempestades que cruzou o estado ao longo do dia.

Panorama das localidades mais atingidas pelas descargas

O monitoramento detalhado permitiu mapear quais regiões sofreram maior impacto da atividade elétrica. Dos 399 municípios que compõem o estado do Paraná, centenas apresentaram registros significativos de descargas atmosféricas durante o período chuvoso. A distribuição dos fenômenos concentrou-se especialmente em áreas das regiões Centro-Sul e Oeste.

  1. Guarapuava 949
  2. Candói 622
  3. Três Barras do Paraná 528
  4. Pinhão 469
  5. Palmas 440
  6. Lapa 425
  7. Prudentópolis 386
  8. Quedas do Iguaçu 376
  9. Inácio Martins 334
  10. Rio Bonito do Iguaçu 291
  11. Boa Vista da Aparecida 268
  12. Nova Laranjeiras 249
  13. Coronel Domingos Soares 240
  14. São Mateus do Sul 240
  15. Espigão Alto do Iguaçu 198
  16. Laranjeiras do Sul 192
  17. Cantagalo 191
  18. Capanema 189
  19. Bituruna 188
  20. Reserva do Iguaçu 188

Compreendendo o fenômeno das descargas nuvem-solo

As descargas elétricas classificadas como nuvem-solo representam um dos eventos meteorológicos mais estudados pela ciência devido ao seu elevado potencial destrutivo e aos riscos inerentes que oferecem à infraestrutura urbana, às redes de transmissão de energia e à segurança da população em geral. Esses eventos são categorizados fundamentalmente em duas polaridades distintas, determinadas pelo sinal da carga elétrica efetivamente transferida entre a atmosfera e a terra.

A grande maioria dos registros globais, cerca de 90%, corresponde às chamadas descargas negativas. Nesse processo, elétrons acumulados em uma zona específica da nuvem cumulonimbus são descarregados em direção ao solo. Os 10% restantes referem-se aos eventos positivos, nos quais ocorre a transferência de cargas opostas, exigindo atenção redobrada dos especialistas devido à sua intensidade muitas vezes superior.

Em termos de duração, o fenômeno costuma ser extremamente rápido, durando em média apenas uma fração de segundo, embora variações temporais possam ocorrer dependendo das condições da atmosfera. No entanto, o trajeto percorrido pela eletricidade pode abranger desde poucos quilômetros até dezenas deles, cortando o céu com intensidades de corrente elétrica que oscilam amplamente entre centenas de ampères e milhares de quiloampères.

O canal físico por onde flui toda essa energia possui dimensões reduzidas, medindo poucos centímetros de diâmetro, mas é capaz de gerar temperaturas extremas que rivalizam com as camadas mais externas do Sol, além de provocar ondas de pressão atmosférica intensas. Embora a percepção visual humana muitas vezes registre o evento como um clarão único e contínuo, a física por trás do processo demonstra que a maioria das descargas é formada por múltiplos impulsos sucessivos em intervalos de tempo imperceptíveis a olho nu.

Fonte:: bemparana.com.br

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