A operadora de telecomunicações Sateliot, especializada em tecnologia 5G NTN LEO, fechou uma importante aliança estratégica com o Grupo Constanta no Brasil. A parceria engloba as empresas do conglomerado — como Laager, Nexum e HartBR —, além do Instituto Constanta de Inovação e do NEPEN. O objetivo principal da colaboração é integrar a conectividade via satélite aos dispositivos de Internet das Coisas (IoT) desenvolvidos pelo grupo, com um foco inicial voltado para o mercado de energia e serviços públicos essenciais no território nacional.
Com essa união corporativa, o mercado brasileiro se prepara para receber a primeira implementação prática de IoT utilizando satélites de órbita baixa (LEO) voltada especificamente para a infraestrutura de distribuição de energia elétrica. O cronograma estabelecido pelas companhias prevê o início da fase inicial ainda no decorrer deste ano, quando será realizada uma demonstração pioneira no país para validar o sistema nesse segmento.
Expansão para saneamento e agricultura
Após a fase de testes e validação inicial, a tecnologia deverá ser expandida progressivamente para outras verticais cruciais da economia e da gestão pública. Entre os setores contemplados estão projetos de iluminação pública, redes inteligentes de distribuição (smart grids), programas de eficiência energética, sistemas de saneamento básico e soluções avançadas para o agronegócio.
Um dos grandes diferenciais técnicos dessa implementação reside na compatibilidade da rede da Sateliot com os padrões globais estabelecidos pelo 3GPP para o protocolo NB-IoT terrestre. Na prática, isso significa que a transição de um equipamento comum para a conectividade via satélite LEO NTN não exige alterações complexas ou o redesenho do hardware existente. O processo resume-se a etapas de certificação e ajustes de configuração.
Dessa forma, os dispositivos fabricados pela Constanta ganham a capacidade de operar em um modelo híbrido: utilizam as redes móveis terrestres tradicionais sempre que houver sinal disponível e, automaticamente, alternam para a constelação de satélites da Sateliot em áreas remotas ou desprovidas de cobertura convencional, sem gerar custos adicionais de hardware para o usuário final.
Monitoramento remoto e eficiência operacional
A extensão da malha de conectividade para regiões isoladas do Brasil abre um leque de novas possibilidades para a gestão de ativos a distância. As empresas envolvidas no projeto destacam que a tecnologia permitirá realizar o monitoramento contínuo de equipamentos críticos, identificar falhas de forma antecipada, otimizar rotinas de manutenção preventiva e diminuir drasticamente a necessidade de deslocamento de equipes técnicas para visitas em campo.
O impacto prático dessa inovação reflete-se diretamente na modernização da infraestrutura do país, proporcionando uma prestação de serviços mais estável e segura para prefeituras, órgãos públicos, companhias privadas e para a população em geral.
Representantes das duas empresas comemoraram o acordo estratégico. Para Gianluca Redolfi, diretor comercial (CCO) da Sateliot, a utilização de padrões abertos em redes de órbita baixa transforma o cenário tecnológico de nações com dimensões continentais. O executivo pontua que o Brasil apresenta um dos maiores potenciais para esse tipo de aplicação e reforça o compromisso da operadora em participar ativamente da transformação digital do país.
Do lado brasileiro, Roberval Tavares, CEO da Constanta, ressalta a urgência de superar as barreiras geográficas na infraestrutura nacional. Segundo o dirigente, a parceria com a operadora internacional permitirá romper os limites das redes terrestres convencionais, oferecendo aos clientes ferramentas capazes de digitalizar pontos críticos que, até o momento, operavam totalmente desconectados.
A iniciativa consolida a trajetória da Sateliot no mercado internacional, fundamentada em parcerias locais para expandir a capilaridade da tecnologia 5G NTN LEO. Ao apostar em padrões abertos, a empresa busca garantir que dispositivos de IoT mantenham comunicação contínua e transparente, mesmo em locais onde a infraestrutura tradicional de telecomunicações ainda não chegou.
Fonte:: convergenciadigital.com.br


