O mercado financeiro brasileiro registrou um dia de forte otimismo nesta quarta-feira (2). O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil, encerrou a sessão com uma expressiva alta de 3,05%, atingindo os 185.205 pontos. Este desempenho representa o maior ganho percentual diário desde março e o patamar mais elevado de fechamento desde o mês de maio. No melhor momento do pregão, o indicador chegou a saltar 3,51%, alcançando 186.028 pontos.
Em sentido contrário, o dólar comercial operou em trajetória de baixa, recuando 0,89% e cotado a R$ 5,106. A desvalorização da moeda norte-americana no mercado interno foi mais acentuada do que a observada no exterior. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis principais moedas globais, registrava queda marginal de 0,08% no mesmo período.
Cenário eleitoral movimenta expectativas
Entre os fatores domésticos que concentraram as atenções dos investidores esteve a divulgação da nova pesquisa eleitoral da Quaest, publicada também nesta quarta-feira (2). O levantamento traz o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 37% das intenções de voto para o primeiro turno das eleições de 2026, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece na segunda posição com 30%.
Esta é a primeira pesquisa de âmbito nacional realizada pelo instituto após o pontapé oficial da campanha eleitoral. O panorama aponta estabilidade em comparação com a rodada anterior, divulgada em 14 de agosto, quando o petista registrava 38% e o parlamentar somava 31%.
Para a eventual disputa de segundo turno, a pesquisa desenha um cenário de empate técnico dentro da margem de erro. Lula pontua com 42%, ao passo que Flávio Bolsonaro acumula 41%. Na medição passada, o cenário também indicava igualdade estatística, com os percentuais de 43% e 40%, respectivamente, corroborando a tendência de estreitamento na diferença entre os principais concorrentes ao Palácio do Planalto.
Análise do mercado e disciplina fiscal
Especialistas do setor financeiro apontam que a proximidade nas intenções de voto tem sido interpretada pelo mercado como um sinal positivo para a alternância de poder, reduzindo o prêmio de risco embutido nos ativos locais.
Analistas destacam que o perfil de Flávio Bolsonaro é visto por parte do empresariado como mais voltado à rigidez fiscal. Declarações recentes do candidato do PL, nas quais assegurou que buscará o equilíbrio das contas públicas sem promover alterações na Previdência Social ou na política de valorização do salário mínimo, repercutiram entre os agentes econômicos.
“O otimismo é muito capitaneado pelas pesquisas que vêm sendo divulgadas, mostrando o estreitamento entre os dois principais candidatos e aumentando a possibilidade de uma alternância de governo. O mercado tem visto esse movimento com bons olhos”, avalia Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.
No mesmo sentido, Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil, pontua que a menor distância entre os concorrentes diminuiu o prêmio de risco político e fiscal. Segundo ele, o movimento beneficiou diretamente os setores de maior peso no índice, como bancos, empresas de varejo e companhias sensíveis à flutuação das taxas de juros.
Tensões no Oriente Médio e impacto nas commodities
No cenário internacional, os investidores continuaram monitorando de perto os desdobramentos dos conflitos envolvendo os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio, além dos reflexos dessas turbulências sobre as cotações do petróleo.
Na véspera, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que qualquer acordo firmado com o governo iraniano carece de validade e que Washington esgotou as oportunidades diplomáticas para o fim das hostilidades na região. Forças norte-americanas realizaram novos bombardeios no sul do território iraniano, nas proximidades do estreito de Hormuz, onde relatos apontaram explosões perto de Bandar Abbas e da ilha de Qeshm.
A tensão na rota estratégica de escoamento de energia já havia provocado danos a dois superpetroleiros com bandeira da Arábia Saudita, cada um transportando cerca de 2 milhões de barris de petróleo bruto, conforme dados da Kpler.
Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, a sessão foi marcada por ajustes e realização de lucros na commodity após sequências de alta. “O mercado segue bastante incerto em relação ao desenvolvimento da situação geopolítica no Oriente Médio, o que resulta em imprevisibilidade não só na questão militar, mas também em relação ao fluxo de petróleo e derivados escoados do Golfo Pérsico”, aponta.
Desempenho da Petrobras e do setor exportador
A alta contínua nos preços do petróleo tem servido de sustentação para os papéis do setor de óleo e gás na Bolsa brasileira. As ações preferenciais da Petrobras, que respondem por aproximadamente 8% da composição teórica do Ibovespa, acumulam valorização de 4% ao longo do mês de setembro.
Durante o pregão desta quarta-feira, o contrato futuro do petróleo Brent, referência internacional, avançou 0,50%, cotado a US$ 95,11 o barril. Seguindo o movimento, as ações preferenciais da estatal brasileira registraram alta de 2,83%, encerrando cotadas a R$ 48,20.
Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o suporte principal do índice continua ancorado na força dos papéis de grande capitalização ligados a commodities, que seguem atraindo fluxo estrangeiro. “As ações da Petrobras e de grandes mineradoras e siderúrgicas mantêm o papel de ancoragem do indicador, sustentadas pela resiliência das cotações das matérias-primas no mercado internacional. O temor de gargalos na oferta de energia, decorrente das permanentes fricções geopolíticas no Oriente Médio, oferece apoio ao preço do barril de petróleo e favorece as companhias exportadoras”, conclui.
Fonte:: bemparana.com.br


