Crescimento de 17 milhões de brasileiros familiarizados com ativos digitais

Redação Rádio Plug
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O Poder360 entrevistou Julia Rosin (foto) nesta...

O mercado de criptoativos no Brasil registrou um avanço expressivo na conscientização e no número de adeptos. Durante participação no Zetta Summit 2026, realizado em Brasília, a diretora-presidente da ABcripto (Associação Brasileira de Criptoeconomia), destacou que o país passou a contar com 17 milhões de cidadãos a mais declarando conhecimento sobre o funcionamento dos ativos virtuais.

A informação faz parte de pesquisa realizada pela associação em parceria com o instituto Datafolha, cujos resultados foram divulgados em maio de 2026. A declaração foi concedida durante entrevista ao editor sênior do portal Poder360, Paulo Silva Pinto, no evento que reúne lideranças da inovação financeira.

Ao detalhar os dados do levantamento, a representante da ABcripto enfatizou a magnitude da mudança no patamar de entendimento da população sobre a economia digital. “Quando a gente faz aquela pergunta: ‘Você sabe o que é um ativo virtual?’, a gente teve uma diferença de aumento de 17 milhões de pessoas. Então, 17 milhões de pessoas a mais sabem o que é um ativo virtual hoje”, pontuou durante o painel.

Ampliação da base de usuários e novos rumos

Além da expansão no nível de conhecimento geral, o estudo aponta um reflexo direto no comportamento prático dos brasileiros. As estimativas da entidade mostram que o contingente de usuários ativos de criptomoedas e tokens no país saltou de aproximadamente 25 milhões em 2025 para cerca de 29 milhões em 2026.

Para a liderança da associação, esse crescimento contínuo está atrelado a diversos fatores macroeconômicos e estruturais. Entre os principais motivadores estão a maior inserção do assunto nas discussões do cotidiano público, a chegada de novas corretoras especializadas (exchanges) ao território nacional e a ampliação da oferta de produtos cripto por parte de instituições financeiras tradicionais, como bancos de varejo e corretoras tradicionais.

Outro ponto nevrálgico destacado foi o avanço do processo de regulamentação do setor no Brasil. Na visão da executiva, a criação de normas claras e diretrizes legais consolida a confiança dos investidores tradicionais e estabelece barreiras mais rígidas contra a atuação de empresas de fachada ou agentes que tentem utilizar o mercado para práticas ilícitas.

“Os próximos anos são realmente de consolidação e de ampliação da oferta de produtos e de acesso”, avaliou, projetando um cenário de maior maturidade para o ecossistema financeiro nacional.

O papel da regulamentação institucional

O ambiente regulatório dos ativos virtuais no Brasil atravessa um momento determinante de transição e estruturação jurídica. As diretrizes aplicadas às prestadoras de serviços que lidam com criptoativos — desde que estes não sejam classificados como valores mobiliários — estão sob a alçada e supervisão do Banco Central.

Por outro lado, os ativos digitais que recebem o enquadramento de valores mobiliários permanecem submetidos à regulamentação e fiscalização da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Para a presidência da ABcripto, o início formal da fase de autorizações para o funcionamento das empresas representa um marco histórico de “amadurecimento institucional”. A executiva reforçou que uma fiscalização mais rigorosa atua diretamente na limpeza do mercado, eliminando players que operam à margem da conformidade e elevando o custo de oportunidade para eventuais utilizações criminosas dos ativos.

Brasil entre os líderes globais de adoção

O cenário brasileiro ganha relevância não apenas pelo volume transacionado, mas também pela posição de destaque internacional. De acordo com os dados apresentados, o país abriga atualmente a quinta maior população de usuários de criptoativos em todo o planeta.

Além disso, o Brasil tem se posicionado na vanguarda regulatória em comparação a outras nações. Segundo a avaliação da especialista, as discussões voltadas à criação de regras e modelos de licenciamento corporativo começaram no território brasileiro antes mesmo de mercados consolidados como os Estados Unidos e a vizinha Argentina.

“O mercado de ativos virtuais no Brasil não é só expressivo em termos de volume, mas também vem liderando essas discussões regulatórias”, enfatizou, reforçando a relevância geopolítica e econômica do país nas mesas de debate global sobre finanças descentralizadas e regulação de ativos.

A confluência entre o crescimento da base de adeptos, a diversidade na oferta de produtos financeiros e a evolução de um marco regulatório seguro compõem a base que deverá sustentar a expansão contínua do mercado de criptoativos brasileiro nos próximos anos.

Zetta Summit e o futuro da inovação financeira

O Zetta Summit realiza sua primeira edição consolidando-se como um ponto de encontro estratégico para o debate econômico nacional. O evento reúne executivos C-level, presidentes de empresas, autoridades governamentais, formuladores de políticas públicas, reguladores, investidores e especialistas acadêmicos.

O principal objetivo do encontro é debater os desafios estruturais e as oportunidades que vão desenhar os próximos dez anos da inovação no setor financeiro brasileiro. A programação conta com a presença de figuras centrais da economia do país, como o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, o atual diretor do BC Ailton de Aquino, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda Rogério Ceron, e o secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, Guilherme Mello.

Assista aos painéis do evento:

Fonte:: poder360.com.br

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