As cotações do algodão em pluma apresentaram movimento de alta no decorrer do mês de agosto, impulsionadas principalmente pela postura firme dos vendedores na condução das negociações e pelo fortalecimento dos preços internacionais da commodity. Mesmo com essa valorização no mercado brasileiro, a média de preços praticada internamente ficou ligeiramente abaixo da paridade de exportação, registrando um recuo de cerca de 1,5% na comparação com o indicador externo, conforme apontam os levantamentos realizados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Este movimento marca uma inversão de cenário no mercado nacional. Trata-se da primeira oportunidade desde o final de 2025 em que o preço interno da pluma se posiciona abaixo desse importante parâmetro de paridade internacional. Nos sete meses imediatamente anteriores, a cotação praticada dentro do país havia se mantido consistentemente acima da paridade de exportação, sustentada por uma demanda firme e por um contexto de oferta restrita em determinados períodos.
Influência do mercado externo e clima nos Estados Unidos
De acordo com as análises divulgadas pelos pesquisadores da instituição, o principal motor para a valorização da pluma nas praças internacionais esteve relacionado às condições meteorológicas desfavoráveis registradas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos, com destaque para o estado do Texas.
O regime de chuvas escassas combinado com ondas de calor intenso na região gerou preocupações significativas quanto ao desenvolvimento das lavouras norte-americanas. Esse cenário adverso elevou consideravelmente os riscos de perdas na produtividade e, por consequência, acendeu um alerta sobre a possibilidade de restrição na oferta global de algodão para os próximos meses.
Além dos fatores climáticos restritivos à produção agrícola, o comportamento das cotações do petróleo no mercado internacional também desempenhou um papel relevante. A alta na energia exerceu pressão sobre os custos e ajudou a dar sustentabilidade aos patamares de preços do algodão e de outras fibras no cenário global.
Dinamismo da oferta e comercialização no Brasil
No âmbito doméstico, o mês foi marcado pela intensificação dos trabalhos de campo, com o avanço constante da colheita e das etapas de beneficiamento referentes à safra 2025/26. Os produtores e agentes do setor concentraram grande parte de seus esforços no cumprimento de contratos a termo que já haviam sido firmados anteriormente, com forte direcionamento para o atendimento da demanda externa.
Essa priorização logística e comercial fez com que a disponibilidade de lotes de algodão voltados para o mercado spot — focado em negociações de pronta entrega — permanecesse em patamares restritos. Diante desse cenário de oferta limitada, os compradores que necessitavam adquirir matéria-prima para suprir demandas de curto prazo precisaram elevar suas ofertas financeiras para conseguir fechar novos negócios, especialmente quando a busca era por lotes com padrões específicos de qualidade exigidos pela indústria têxtil.
A dinâmica entre a cautela dos vendedores na fixação de preços e a necessidade de abastecimento imediato por parte da indústria continua ditando o ritmo do mercado brasileiro, que segue atento aos desdobramentos da safra nacional e às oscilações da economia internacional.
Fonte:: canalrural.com.br


