Relatório da Polícia Federal aponta vantagens indevidas recebidas por ex-governador em esquema investigado pelo Supremo Tribunal Federal

Redação Rádio Plug
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Foto: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um relatório recente da Polícia Federal (PF) trouxe novos detalhes sobre as investigações da segunda fase da Operação Sem Refino, cujo sigilo foi retirado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento aponta que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro teria obtido diversas vantagens indevidas em troca da atuação de órgãos estaduais em favor da refinaria Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. A defesa do ex-chefe do Executivo fluminense nega veementemente todas as acusações.

De acordo com os investigadores, o esquema contava com mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, registrando bens de luxo em nome de terceiros, conhecidos popularmente como “laranjas”, para beneficiar e custear despesas pessoais de Castro. Em contrapartida, o ex-governador teria favorecido os interesses do empresário Ricardo Magro, apontado pelas autoridades como o líder da organização criminosa responsável por corromper agentes públicos do estado.

As apurações reuniram mensagens extraídas de celulares apreendidos que indicam que Castro mantinha contato direto com responsáveis por licenças ambientais, buscando agilizar a liberação de empreendimentos e prejudicar concorrentes comerciais de Magro. Atualmente, o empresário possui mandado de prisão preventiva expedido por Moraes, mas encontra-se foragido, tendo seu nome incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.

Detalhes das vantagens investigadas

O relatório policial detalha uma série de benefícios de alto valor que teriam sido direcionados ao ex-governador. Entre eles, destaca-se uma compra de R$ 10,5 mil em caviar realizada durante uma hospedagem de Castro no Hotel Emiliano, um estabelecimento cinco estrelas localizado em São Paulo. O montante não foi quitado pelo político, mas sim pela empresa AC Santos Participações e Empreendimentos, controlada pelo advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, apelidado de “Pipo” e apontado como peça-chave na ocultação de patrimônio do grupo da Refit.

Outro ponto de destaque na investigação envolve o usufruto de uma mansão em Petrópolis, na região serrana fluminense, registrada formalmente em nome da empresa Concrecasa Construções Inteligentes Ltda. Segundo a PF, o ex-governador determinava a rotina dos funcionários do local e teria ordenado a construção de uma adega personalizada avaliada em R$ 245 mil. O uso do imóvel funcionaria como compensação pelo favorecimento da empresa Enge Prat Engenharia, comandada pelo empresário Luiz Fernando Gomes e responsável por assinar contratos de R$ 355 milhões com o governo do estado.

Os investigadores também apontam irregularidades no aluguel da cobertura onde Castro reside, na Barra da Tijuca, bairro nobre da capital fluminense. O ex-governador pagava mensalmente cerca de R$ 10 mil pelo imóvel, valor considerado significativamente abaixo dos preços praticados na região para propriedades semelhantes, que giram em torno de R$ 25 mil. A aquisição da cobertura foi feita pela empresa J3 Real Estate Participações Ltda. por R$ 3,4 milhões, apenas 50 dias após a criação da pessoa jurídica, sendo este o único imóvel registrado em seu nome.

Posicionamento da defesa

Por meio de nota oficial, a defesa de Cláudio Castro refutou as acusações, negando qualquer participação em esquemas de lavagem de dinheiro, recebimento de propina ou favorecimento a terceiros. Os representantes legais afirmam que o imóvel residencial possui contrato de locação regular com pagamentos comprovados, enquanto a casa em Petrópolis também era alugada e o contrato já foi encerrado.

Sobre o episódio do caviar, a defesa argumenta que o consumo ocorreu mais de 30 dias após o término do mandato de Castro no governo estadual. Segundo a nota, a encomenda inicial havia sido feita por um amigo, limitando-se o ex-governador a retirar os produtos em São Paulo e entregar ao comprador, tendo consumido apenas uma unidade com autorização prévia.

A nota oficial na íntegra reforça que não existem conexões entre as compras e os imóveis citados e a empresa Refit, classificando-os como situações distintas. Os defensores sustentam que os contatos institucionais mantidos com representantes da refinaria não geraram benefícios e que a gestão estadual atuou para cobrar valores devidos pela companhia. A defesa informou ainda que já solicitou ao ministro Alexandre de Moraes a oportunidade de prestar depoimento à Polícia Federal para esclarecer todas as dúvidas e apresentar documentos comprobatórios, aguardando deliberação da Justiça.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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