Durante a realização de uma cúpula do BRICS na Índia, o presidente da China, Xi Jinping, utilizou seu espaço de fala para criticar duramente as imposições de tarifas comerciais consideradas por ele arbitrárias. Embora o mandatário chinês tenha evitado fazer menção direta aos Estados Unidos durante o seu discurso oficial, o teor das declarações ecoou fortemente nos bastidores da geopolítica internacional.
Conforme informações repassadas pela agência estatal de notícias da China, o chefe de Estado orientou formalmente que os países integrantes do BRICS mantenham uma postura firme de oposição contra barreiras alfandegárias unilaterais e rejeitem qualquer iniciativa voltada ao protecionismo econômico global.
Representando o Brasil no evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu presencialmente ao encontro diplomático e enviou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para responder pelos interesses nacionais. O bloco atualmente congrega economias emergentes tradicionais como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de novos membros recentemente integrados.
Preocupações com o Oriente Médio e sanções internacionais
Além das discussões de cunho estritamente comercial, os líderes políticos reunidos na conferência aproveitaram o momento para manifestar profunda apreensão em relação à escalada de conflitos e tensões no Oriente Médio. Na ocasião, houve um posicionamento conjunto que condenou o uso de sanções não autorizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, marcou presença nas discussões.
Apesar de o nome da gestão liderada por Donald Trump não ter sido pronunciado de forma explícita pelos palestrantes, analistas políticos interpretaram as mensagens como recados diretos à política externa norte-americana e suas investidas comerciais recentes.
No centro de outras pautas sensíveis, a Rússia — na qualidade de membro permanente do grupo — segue enfrentando pesadas sanções econômicas impostas por potências ocidentais desde o início do conflito envolvendo a Ucrânia. O presidente russo, Vladimir Putin, marcou forte presença nas deliberações da cúpula.
Visão conciliadora da Índia
Em contrapartida às falas mais incisivas sobre o cenário de guerra comercial, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, optou por conduzir sua participação sob um viés estritamente conciliador. Para o chefe de governo indiano, o bloco geopolítico funciona fundamentalmente como uma ferramenta legítima para garantir que as nações em desenvolvimento ganhem maior protagonismo e poder de voz nos fóruns de decisão internacional.
“O BRICS não é contra ninguém”, pontuou Modi durante o seu discurso aos demais líderes. O premiê indiano avaliou ainda que a instituição atingiu um estágio de maturidade institucional importante, defendendo que o Sul Global precisa assumir o papel de principal formador de regras na arquitetura da governança mundial contemporânea.
“É hora de transformarmos nossa unidade e consenso no BRICS em resultados concretos”, concluiu o líder indiano, reforçando a necessidade de cooperação prática entre os países associados.
Fonte:: estadao.com.br


