O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, desembarca na Colômbia como parte de sua primeira viagem oficial pela América Latina ocupando o cargo diplomático. A agenda na região também contempla passagens pelo Equador e pelo Peru, nações cujos governos mantêm alinhamento estreito com a gestão do presidente norte-americano, Donald Trump.
Conforme comunicado emitido pelo Departamento de Estado, a principal finalidade da missão diplomática consiste em estreitar a cooperação voltada ao enfrentamento conjunto do narcoterrorismo, além de dinamizar os intercâmbios comerciais com as nações parceiras.
A chegada de Rubio ocorre em um momento de reaproximação bilateral impulsionada pela recente eleição do presidente colombiano, Abelardo de la Espriella. Conhecido por posicionamentos firmes no combate à criminalidade e por demonstrar apreço político por Trump, De la Espriella recepcionará o representante norte-americano em uma base militar localizada na cidade de Barranquilla.
A nova administração em Bogotá marca uma guinada nos laços estratégicos militares após o período de atritos institucionais registrado durante o mandato do ex-presidente Gustavo Petro.
Ainda antes de embarcar rumo à América do Sul, Rubio declarou a jornalistas nas dependências do aeroporto de Miami o interesse de Washington em consolidar vínculos duradouros com o território colombiano.
Mudança de rumo na segurança e ações conjuntas
Em poucas semanas à frente do Executivo colombiano, De la Espriella implementou diretrizes voltadas ao uso de bombardeios estratégicos para desarticular facções ligadas ao narcotráfico e determinou a suspensão definitiva das tratativas de paz que haviam sido encabeçadas pela gestão anterior.
O governo local também viabilizou a execução de manobras militares integradas com as forças dos Estados Unidos. Meses antes, autoridades colombianas receberam o comando do setor sul das forças armadas norte-americanas para debater táticas antidrogas, além de formalizarem a adesão ao Escudo das Américas, coalizão regional voltada à repressão ao tráfico ilícito.
Apoio em cenário de calamidade
Além das pautas de segurança pública e comércio bilateral, os encontros em Barranquilla abrangerão o planejamento de auxílio humanitário e reconstrução após o forte abalo sísmico registrado no dia 10 de agosto, desastre que provocou mais de 330 mortes no país, segundo dados repassados pelo porta-voz governamental Tommy Pigott.
O tremor de terra causou colapsos em redes de ensino, unidades de saúde e milhares de moradias. Diante do cenário, o governo de De la Espriella pleiteou suporte financeiro e logístico a Washington, bem como a isenção temporária de tarifas alfandegárias para acelerar as obras civis de recuperação.
O ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Omar Bula, classificou as tratativas como o marco inicial para reatar uma parceria estratégica de peso com os norte-americanos.
Encerrada a agenda em solo colombiano, a comitiva diplomática seguirá para Quito, onde ocorrerá um encontro com o presidente equatoriano, Daniel Noboa. Na sequência, o roteiro prevê uma visita a Lima para reuniões com a presidente do Peru, Keiko Fujimori.
Nascido em Cuba, o secretário de Estado reiterou que a América Latina e o Caribe configuram prioridades fundamentais para a política externa da administração Trump e sinalizou a intenção de estender as visitas a outras nações da região futuramente.
Influência geopolítica e recursos estratégicos
Desde o retorno de Donald Trump à presidência norte-americana, governos de diferentes países sul-americanos e centro-americanos vêm promovendo transições para administrações de perfil conservador.
Analistas apontam que a movimentação diplomática reflete a consolidação da chamada “doutrina Donroe”, releitura moderna da clássica diretriz histórica que define o continente americano como área prioritária de hegemonia dos Estados Unidos.
A viagem de Rubio acontece na esteira da operação militar conduzida pelos EUA em Caracas que resultou na captura do governante da Venezuela, Nicolás Maduro. O périplo também sucede o anúncio de um pacto com autoridades interinas venezuelanas que assegura ao governo norte-americano o domínio acionário sobre mais de 65 bilhões de barriles em reservas petrolíferas.
Questionado sobre os ativos energéticos, Rubio argumentou que o controle atual garante maior segurança operacional em comparação ao cenário anterior, no qual as jazidas estariam sob influência de potências como China, Rússia e Irã.
No Equador, a cooperação mútua no combate ao crime organizado transnacional permanece como eixo central das conversas com Daniel Noboa. Ambas as nações mantêm patrulhas navais coordenadas no Oceano Pacífico voltadas à interceptação de embarcações suspeitas de ligação com cartéis criminosos.
Fonte:: estadao.com.br


