O governo do presidente norte-americano Donald Trump realizou uma movimentação de grande impacto em meio ao complexo cenário jurídico envolvendo a OpenAI e o tradicional periódico The New York Times, posicionando-se abertamente a favor da desenvolvedora de inteligência artificial.
O litígio teve início em 2023, quando a publicação processou judicialmente a empresa de tecnologia. A acusação central apontava que a companhia infringiu leis de direitos autorais ao utilizar acervos e materiais protegidos para o aprimoramento e treinamento de seus sistemas de chatbot.
Intervenção do departamento de justiça
Durante uma quarta-feira, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos protocolou uma manifestação oficial argumentando que impor restrições à OpenAI quanto ao uso de milhões de artigos jornalísticos para o avanço de seus modelos computacionais “impediria o progresso criativo e científico, ao mesmo tempo em que prejudicaria a prosperidade e a mobilidade econômica norte-americanas”, conforme apuração divulgada pelo jornal Financial Times.
O documento governamental sublinha que os Estados Unidos possuem um interesse relevante em que a corte recuse qualquer entendimento que classifique o treinamento de modelos de linguagem com conteúdos protegidos como uma infração à legislação vigente. A petição faz menção direta a decretos assinados por Trump que visam assegurar a hegemonia norte-americana no setor tecnológico global.
Especialistas apontam que essa tomada de posição oficial pode gerar repercussões diretas sobre dezenas de ações judiciais semelhantes em curso. Outros veículos de imprensa, editoras literárias, gravadoras e detentores de propriedade intelectual têm acionado empresas de IA na Justiça sob a acusação de recolherem grandes volumes de dados sem consentimento prévio ou remuneração financeira adequada.
Tensões políticas e posicionamentos
As relações entre a gestão de Donald Trump e o The New York Times historicamente acumulam episódios de atrito. O mandatário já entrou em conflito com profissionais do veículo em diversas ocasiões e chegou a abrir um processo avaliado em US$ 15 bilhões por alegações de difamação, enquanto a empresa de mídia refuta veementemente qualquer irregularidade em sua atuação.
Em resposta à intervenção do governo, Graham James, porta-voz do jornal, criticou duramente a decisão. Segundo ele, a administração federal decidiu apoiar um grupo restrito de corporações de inteligência artificial avaliadas em cifras multibilionárias em detrimento de criadores de conteúdo norte-americanos que tiveram seus trabalhos utilizados sem autorização.
“As empresas de IA simplesmente precisam pagar de forma justa pelo conteúdo que torna seus produtos possíveis, como exige a legislação de direitos autorais”, declarou o representante do jornal, acrescentando que a permissão para o uso desregulado ameaça a sobrevivência do jornalismo profissional e da produção intelectual humana.
Nos bastidores da indústria, observa-se também a proximidade entre lideranças do setor e o espectro político da atual gestão; Greg Brockman, cofundador da OpenAI, figura entre os principais colaboradores financeiros do movimento Maga (Make America Great Again), grupo de apoio político ao presidente republicano.
Questionada sobre os desdobramentos da manifestação jurídica pelo Financial Times, a diretoria da OpenAI preferiu não emitir comentários imediatos sobre o caso.
Fonte:: poder360.com.br


