Especialista aponta que avanço conservador no congresso deve redefinir pautas legislativas

Redação Rádio Plug
5 min. de leitura
Foto: Divulgação / Foto: editor

O avanço da representatividade de partidos de perfil conservador no Congresso Nacional e nas administrações estaduais tem potencial para redirecionar os rumos da agenda legislativa a partir de 2027. A avaliação é do economista, cientista político e docente da Universidade de Brasília (UnB), Jeferson Ramos dos Santos.

De acordo com o especialista, as campanhas nas diferentes regiões do país colocaram no centro do debate questões voltadas à segurança pública, ao custo de vida, à defesa de valores tradicionais e à família. Esses tópicos acabaram se consolidando como as pautas dominantes nas urnas que definiram senadores, deputados federais, estaduais e governadores.

“Os temas foram bastante relevantes. É um recado muito claro do eleitorado, mas as temáticas não foram abordadas de forma adequada pelo governo federal”, pontuou o analista durante entrevista concedida à equipe de jornalismo da Rádio Nacional.

Discussões sobre o Supremo Tribunal Federal

No entendimento do professor, a crise recente envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) teve um peso menor na decisão do eleitorado, ficando em segundo plano durante o processo de escolha nas urnas.

“Embora tenha sido uma temática relevante, que saiu na mídia e deixou a imagem do Supremo um pouco comprometida, o STF não vai às urnas. Por isso, o impacto eleitoral direto foi menor”, argumentou.

Apesar disso, a composição da nova maioria conservadora no Senado Federal deve recolocar a Corte no centro das discussões institucionais. Para o docente da UnB, os próximos anos podem trazer debates sobre o desenho institucional do tribunal, possíveis limitações na extensão do poder individual dos ministros e até mesmo a discussão sobre a implementação de mandatos para os integrantes da Suprema Corte.

Debate sobre a escala de trabalho

No âmbito trabalhista, um dos assuntos que movimenta o cenário político é a discussão em torno do fim da escala 6×1. O tema ganhou força ao longo do ano e conta com votação prevista no Senado Federal, conforme sinalizado pela presidência da Casa.

Contudo, diante da remodelação expressiva na configuração da Câmara dos Deputados e do Senado, o ritmo das tramitações e o próprio direcionamento das propostas podem sofrer alterações significativas.

“O quadro político mudou sensivelmente. Geralmente, quando há incertezas, vemos nas casas legislativas uma postergação até que o quadro fique mais claro e os atores [blocos e lideranças parlamentares] se posicionarem. Então, não acho incomum se o fim da 6×1 tomasse um pouquinho mais de tempo para ir a plenário”, analisou.

Cenário para a disputa presidencial

Os dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que a corrida pelo Palácio do Planalto será decidida no segundo turno entre os candidatos Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP). O resultado do primeiro turno registrou a menor diferença percentual da história entre os dois primeiros colocados, com uma vantagem de cerca de 2,22 milhões de votos (1,87 ponto percentual) para o candidato do PL.

Para Jeferson Ramos dos Santos, o pleito permanece aberto e altamente competitivo para a votação marcada para o dia 25 de outubro, quando os eleitores definirão o comando do país para o quadriênio entre 2027 e 2030.

“Temos 2% de diferença entre os candidatos e uma abstenção recorde. São algumas dezenas de milhões de eleitores que não se posicionaram. Então, a campanha está aberta e, a partir desta semana, uma nova eleição se coloca na praça”, avaliou.

Perspectivas para a nova legislatura

O desfecho da eleição para a Presidência da República também deve repercutir diretamente no direcionamento das atividades parlamentares a partir de 1º de fevereiro de 2027, data de posse da nova legislatura.

“A agenda, se mais conservadora, pode caminhar menos para temas trabalhistas e, talvez, para uma agenda de valores e mais focada em segurança pública. Mas o resultado da eleição presidencial vai ter impacto para reequilibrar um pouco essas pautas legislativas ou para empurrá-las ainda mais à direita”, concluiu o professor.

O retorno do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão para o segundo turno está agendado para esta sexta-feira (9). A propaganda dos candidatos à Presidência e aos governos estaduais em disputa poderá ser veiculada até o dia 23 de outubro, antecedendo o pleito final.

Fonte:: diariopr.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo