A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) deu um passo considerado pioneiro no setor de saneamento básico do país ao concluir o seu Plano de Descarbonização. O documento estabelece a meta ambiciosa de reduzir em 65% a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) associados aos processos de tratamento de esgoto até o ano de 2050. O Plano de Descarbonização da Sanepar posiciona a empresa na vanguarda do enfrentamento global às mudanças climáticas, um desafio que tem ganhado urgência diante de eventos climáticos extremos intensificados nos últimos anos.
Para a diretoria da companhia, a iniciativa funciona como um selo de responsabilidade ambiental que agrega valor institucional e atratividade no mercado financeiro. “Esse Plano de Descarbonização é um certificado enorme para nós, que agrega um grande valor. É para colocarmos no peito que somos uma empresa verde com atratividade de mercado”, pontua o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley.
Estratégia baseada em dados concretos
Diferente de compromissos genéricos, a nova diretriz da estatal paranaense detalha os caminhos práticos para alcançar as metas propostas. O planejamento apoia-se em um histórico robusto, utilizando como base o inventário de GEE da Companhia, que foi o primeiro do setor no Brasil, lançado originalmente em 2008.
A partir da atualização e do cruzamento desses dados operacionais, o estudo estruturou 44 alavancas estratégicas. Tratam-se de iniciativas concretas adaptadas à realidade regulatória, financeira, institucional e operacional da empresa de saneamento.
Alinhamento com diretrizes internacionais
O projeto foi desenhado em consonância com as principais referências mundiais de sustentabilidade, como o Acordo de Paris e as premissas do movimento NetZero. Além disso, o plano está em harmonia com o Plano Nacional sobre Mudança do Clima (Plano Clima) voltado para a vertente de resíduos sólidos e efluentes, instrumento estratégico que norteia a política climática brasileira.
Além dos ganhos diretos para o ecossistema, a implementação de práticas sustentáveis abre novos horizontes para a captação de recursos financeiros. A conformidade ambiental facilita a emissão de debêntures verdes, captação de créditos de carbono e o acesso a *water bonds* — títulos de renda fixa voltados especificamente para o financiamento de infraestruturas hídricas e sanitárias.
Um planejamento de longo prazo multifacetado
Desenvolvido ao longo de um ano e oito meses de pesquisas técnicas, o planejamento ecológico vai muito além da mitigação de gases poluentes específicos gerados no tratamento sanitário, como o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). A estratégia foi concebida para convergir com outras metas estruturais da Sanepar, englobando:
- Ampliação da capacidade de tratamento de esgoto, acompanhando o crescimento populacional dos grandes centros urbanos e as metas de universalização do saneamento;
- Atualizações tecnológicas e melhorias de infraestrutura em harmonia com o Plano Plurianual de Investimentos (PPI);
- Elevação contínua nos padrões de qualidade da água tratada devolvida aos mananciais e rios;
- Expansão de iniciativas de economia circular, contemplando o reúso de água, o reaproveitamento do lodo e a captação de gases para geração de energia limpa.
“Este é um plano inteligente, construído com a premissa de ser um plano integrador de todas as áreas da Companhia, que leva em consideração a universalização do serviço e propõe 44 alavancas que vão possibilitar múltiplos benefícios além da descarbonização, como a melhoria na eficiência energética”, esclarece o gerente de Planejamento e Desenvolvimento Ambiental da Sanepar, Pedro Luiz Prado Franco.
A fase de transição para a prática já começou a ser estruturada pelos colaboradores da companhia. A coordenadora do Grupo Técnico de Trabalho de Descarbonização, Roberta Miguel Kiska Filippini, destacou que as equipes já articulam as primeiras ações operacionais. “Já estamos tirando o plano do papel, desse projeto que é de toda a Sanepar”, afirmou.
A elaboração do Plano de Descarbonização contou com a mobilização de empregados de diversas áreas da empresa paranaense, em conjunto com o consórcio especializado formado pelas companhias I Care, CR ETES e Rotária do Brasil, contratadas para conduzir os estudos técnicos que fundamentaram as metas de longo prazo.
Fonte:: parana.pr.gov.br


