Autoridade de proteção de dados cobra explicações da Meta sobre bloqueios em redes sociais

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Convergência Digital Mande um e-mail

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) deu início a uma série de questionamentos formais direcionados à Meta, empresa responsável por plataformas populares como o Facebook e o Instagram. A medida, oficializada nesta segunda-feira (19), exige que a companhia preste esclarecimentos detalhados a respeito de um volume crescente de denúncias relacionadas à violação de direitos dos usuários no ambiente virtual brasileiro.

O procedimento administrativo foi instaurado na última sexta-feira (16) pela Superintendência de Fiscalização (SFI-ANPD). A decisão veio após o órgão receber diversos alertas sobre possíveis irregularidades em critérios e procedimentos adotados pelas redes sociais, que envolvem desde a suspensão abrupta e a desativação definitiva de perfis até a restrição de alcance de publicações e a remoção de conteúdos. Outro ponto que motivou a abertura do processo foram as falhas relatadas nos mecanismos de contestação disponibilizados para que os cidadãos possam recorrer dessas decisões.

Diante da sensibilidade do tema e de possíveis desdobramentos no cenário político, a ANPD informou que os relatos com potencial repercussão na legislação eleitoral foram imediatamente encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que detém a competência legal para avaliar e julgar questões dessa natureza.

Origem das investigações e demandas da sociedade civil

A movimentação da Superintendência de Fiscalização não ocorreu de forma isolada. O processo foi deflagrado a partir da consolidação de manifestações formais enviadas pelo Ministério Público Federal (MPF), além de dossiês e denúncias apresentados por organizações da sociedade civil dedicadas à defesa da liberdade de expressão e dos direitos fundamentais no ambiente digital. Petições avulsas protocoladas por cidadãos comuns nos canais oficiais de atendimento da autarquia também pesaram na decisão.

Entre as principais reclamações que chegaram ao conhecimento da agência reguladora destacam-se a ausência de justificativas claras e específicas direcionadas aos usuários afetados pelas punições, a opacidade na divulgação de critérios e diretrizes internas e a recorrência alarmante de bloqueios considerados arbitrários, infundados ou carentes de transparência operacional.

Prazos e exigências para a gigante da tecnologia

Com a notificação oficial, a Meta passa a ter o prazo improrrogável de cinco dias úteis para responder a uma série de questionamentos técnicos. A empresa precisará detalhar de maneira transparente como funcionam os seus fluxos internos de notificação e denúncia, quais são os critérios exatos aplicados para a remoção de conteúdos e suspensão de contas, e de que maneira as informações são comunicadas aos titulares das contas penalizadas.

Além disso, a agência quer saber quais são as salvaguardas e barreiras tecnológicas implementadas pela empresa para evitar o uso ilícito, automatizado ou abusivo de ferramentas de denúncia por parte de terceiros de má-fé. Outro ponto central da cobrança diz respeito às decisões tomadas com base em tratamento automatizado de dados pessoais, exigindo que a companhia explique como funciona o fluxo de revisão humana dessas decisões após a interposição de recursos por parte dos usuários.

As indagações formuladas pela ANPD estão fundamentadas em obrigações legais consolidadas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e no Marco Civil da Internet, diplomas legais que receberam atualizações regulatórias recentes por meio do Decreto nº 12.975/26. O arcabouço jurídico assegura aos cidadãos o direito básico à transparência rigorosa sobre os critérios utilizados pelas plataformas na moderação e remoção de materiais, bem como o direito à existência de canais efetivos de contestação e à proteção contra o uso predatório de ferramentas de denúncia.

Concluído o prazo estipulado, a equipe técnica da ANPD fará a análise minuciosa das informações repassadas pela big tech para verificar o grau de conformidade com a legislação brasileira. Caso sejam identificadas irregularidades ou descumprimento das normas vigentes, novas medidas administrativas e sanções fiscalizatórias poderão ser aplicadas contra a empresa.

Vale destacar que o ecossistema de aplicativos da Meta já figura no radar da autarquia há algum tempo. As plataformas fazem parte de um programa contínuo de monitoramento voltado às principais empresas de tecnologia que operam no país, abrangendo desde redes sociais e lojas de aplicativos até ferramentas baseadas em inteligência artificial generativa. O objetivo final dessas ações fiscalizatórias é assegurar o cumprimento integral das diretrizes estabelecidas pelo ECA Digital, pelo Marco Civil da Internet e pelos decretos complementares que regem o setor.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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