Protesto na Faria Lima cobra transparência da Meta e critica eleições

Redação Rádio Plug
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Cerca de 200 pessoas cobraram transparência sob...

Manifestantes e representantes de movimentos sociais realizaram um ato na tarde desta segunda-feira (19.out.2026) em frente à sede da Meta, dona de plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp, localizada na avenida Brigadeiro Faria Lima, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. O protesto teve como principal motivação o que os organizadores classificam como interferência da empresa nas eleições brasileiras em curso.

Reunindo aproximadamente 300 pessoas, a mobilização chamada “Meta, não se meta na nossa eleição” ocorreu no Edifício B32, conhecido popularmente como o “prédio da Baleia”. O grupo exigiu maior transparência na moderação de conteúdos, reparações por restrições impostas a perfis e publicações, além de medidas concretas para assegurar a igualdade de condições entre os candidatos que disputam a Presidência da República.

Durante a manifestação, que teve previsão de término para as 20h, os presentes entoaram palavras de ordem direcionadas a figuras centrais da política internacional e do universo tecnológico. Entre os gritos entoados estavam frases como “Donald Trump, não leve a mal, o Brasil não vai ser seu quintal” e “Meta não se meta”, acompanhadas de pedidos por uma regulação mais rígida das chamadas Big Techs.

Cartazes levados pelo público exibiam os rostos de Mark Zuckerberg, fundador da gigante da tecnologia, e do presidente norte-americano Donald Trump. Outras imagens traziam autoridades e figuras públicas brasileiras, como Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, acompanhadas pelo lema “não vão roubar nossas eleições”.




Manifestantes usaram cartazes com autoridades como Donald Trump, Mark Zuckerberg e Elon Musk

Notificação extrajudicial e exigências

Como parte do protesto, os organizadores planejavam entregar uma notificação extrajudicial diretamente a Conrado Leister, diretor-geral da Meta no Brasil. O documento inclui uma série de reivindicações voltadas a mitigar os impactos das decisões da empresa no pleito.

Entre os pedidos contidos na notificação, destaca-se a exigência de que a plataforma publique um anúncio no Instagram reconhecendo os efeitos de falhas técnicas recentes e apresentando desculpas públicas. As entidades também cobram o bloqueio efetivo de anúncios eleitorais irregulares pagos com recursos do exterior e a transparência em relação às receitas geradas por essa modalidade de publicidade.

Adicionalmente, os grupos requerem a criação de um painel público detalhando contas banidas e conteúdos removidos, a disponibilização de canais de revisão humana para esses casos, a implementação de auditorias independentes nos algoritmos de recomendação e garantias de proteção para jornalistas e organizações da sociedade civil que atuam na fiscalização do ambiente digital.

Contexto das denúncias e posicionamento da empresa

A mobilização reflete um cenário de insatisfação acumulada nas últimas semanas, período em que milhares de queixas foram registradas por usuários devido a perfis suspensos, postagens deletadas e quedas drásticas de alcance sem justificativas claras. Segundo os organizadores, as restrições atingiram desproporcionalmente conteúdos associados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição.

Levantamentos da plataforma De Olho na Meta apontam que, de um total de 430 reportagens analisadas em mais de 200 veículos de imprensa, dezenas abordam supostas interferências e desinformação. As entidades argumentam que os compromissos assumidos pela empresa perante o Tribunal Superior Eleitoral não estão sendo integralmente cumpridos.

A controvérsia ganhou novos contornos após a divulgação de mensagens internas da companhia, reveladas por uma reportagem da Folha de S.Paulo, nas quais engenheiros admitiam prejuízos ao perfil de Lula decorrentes de restrições algorítmicas.

Em resposta às críticas, a Meta divulgou um comunicado oficial no qual rejeita qualquer acusação de favorecimento ou interferência nas eleições gerais de 2026. A empresa reconheceu, contudo, a ocorrência de falhas técnicas de caráter temporário que acabaram por impactar a campanha do candidato petista. A íntegra do documento detalha os argumentos da companhia.

Paralelamente, o TSE determinou recentemente que a empresa comprove, no prazo de 24 horas, a garantia de condições equitativas na distribuição de conteúdo para as campanhas de Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Além disso, órgãos como o Ministério da Justiça, a Agência Nacional de Proteção de Dados e a Procuradoria Federal dos Direitos Cidadãos passaram a acompanhar ou investigar as condutas da plataforma no país.

O ato público foi idealizado e construído de forma conjunta por coletivos e entidades como CTRL+Z, Código Não Binário, Artigo 19, Diracom, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e Sleeping Giants Brasil.

Fonte:: poder360.com.br

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