O mercado hortigranjeiro nacional registrou uma movimentação expressiva nos preços de comercialização durante o mês de setembro, com destaque para a queda acentuada nos valores da cenoura. As cotações do tubérculo apresentaram um recuo de 16% na média ponderada apurada nas principais Centrais de Abastecimento (Ceasas) de todo o território nacional. Os dados foram divulgados pelo 10º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), vinculado à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Essa retração nos preços ocorre após uma dinâmica de queda observada previamente no mês de julho e um período de estabilidade registrado ao longo de agosto. De acordo com os analistas do setor, a tendência de baixa na comercialização da cenoura continuou a se fazer presente também no decorrer da primeira quinzena do mês de outubro.
O levantamento técnico da Conab aponta um fator curioso para a desvalorização do produto: a queda nos preços aconteceu mesmo diante de um cenário de menor volume comercializado. Nas regiões produtoras localizadas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, a incidência de chuvas acabou por limitar a expansão da oferta do alimento. Contudo, as precipitações excessivas também causaram impactos negativos diretos sobre a qualidade das raízes colhidas, o que acabou pressionando os valores para baixo nos mercados atacadistas.
Comportamento divergente entre as principais hortaliças
O boletim mensal da companhia é responsável por monitorar de perto as cinco hortaliças que possuem maior representatividade econômica e de consumo nas principais Ceasas do país — grupo que engloba a batata, a cenoura, a cebola, o tomate e a alface. Além disso, o documento acompanha cinco frutas fundamentais que possuem grande peso no cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Enquanto a cenoura seguiu o caminho da desvalorização, as demais hortaliças monitoradas trilharam um rumo completamente opuesto no mês de setembro, apresentando aumentos expressivos em suas médias ponderadas.
A alface, por exemplo, registrou uma elevação de 15,69% na média ponderada geral. Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), o salto nos preços foi ainda mais drástico, atingindo a marca de 48,3% de alta em setembro na comparação com o mês anterior. A justificativa apresentada pela Conab aponta que as chuvas recorrentes nas principais zonas produtoras do Sudeste prejudicaram severamente o ritmo habitual de colheita, dificultaram novas etapas de plantio e comprometeram o volume da produção.
Outro produto que registrou alta considerável foi a batata, cujos valores subiram 32,88% na média ponderada de setembro, interrompendo um ciclo de dois meses consecutivos de baixa nos preços. Seguindo a mesma tendência de encarecimento, a cebola avançou 29,31%, impulsionada por uma menor disponibilidade do bulbo nos mercados analisados.
O tomate, por sua vez, acumulou uma nova e expressiva valorização, com alta de 48,9%. O movimento de alta foi fortemente influenciado pelas condições climáticas desfavoráveis, marcadas por chuvas intensas e frequentes nas regiões produtoras do Sul e do Sudeste. As intempéries reduziram drasticamente o ritmo de colheita e tornaram o processo de maturação dos frutos consideravelmente mais lento.
Panorama do mercado de frutas e o setor de exportações
No segmento das frutas, o cenário de preços apresentou variações mistas durante o mês de setembro. Entre os produtos que registraram alívio para o consumidor, a melancia apresentou recuo de 11,06%, enquanto o mamão teve baixa de 8,92% na média ponderada do período.
A banana também acompanhou o movimento de retração, registrando uma queda de 2,63%, e conseguiu manter a tendência de baixa na maior parte das Centrais de Abastecimento durante a primeira quinzena de outubro.
Em contrapartida, algumas frutas seguiram o caminho de alta. A laranja encerrou o mês com acréscimo de 3,28% em suas cotações, enquanto a maçã teve um avanço expressivo de 11,99%. Esse aumento na fruta foi impulsionado pela aceleração no ritmo de consumo dos estoques armazenados em câmaras frias, dinâmica comum após o encerramento da colheita da safra de 2025/26.
No âmbito do comércio exterior brasileiro, os números consolidados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revelam um desempenho bastante positivo. As exportações nacionais de frutas e hortaliças alcançaram a marca de 909 mil toneladas comercializadas ao longo dos primeiros nove meses de 2026, o que representa um crescimento de 6,61% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O faturamento obtido com as vendas externas também apresentou forte expansão, chegando a US$ 1,17 bilhão, um avanço de 17,56%. Os destaques principais na pauta exportadora ficaram por conta dos mercados de maçãs, pêssegos, abacates, mangas e mamões, que continuam ganhando espaço e relevância no cenário internacional.
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Fonte:: canalrural.com.br


