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A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) manifestou-se oficialmente sobre o desfecho das eleições presidenciais, enfatizando a importância do respeito institucional ao resultado das urnas, mas aproveitando o momento para direcionar cobranças firmes ao Poder Executivo recém-eleito no que tange à condução da economia nacional e às diretrizes voltadas ao setor produtivo.
Em um comunicado oficial divulgado após o encerramento do segundo turno do pleito, a entidade presidida por Tirso Meirelles reforçou seu compromisso histórico com o desenvolvimento econômico sustentável, a produção sustentável e a solidez das instituições democráticas do país, estabelecendo bases para o diálogo que deverá marcar os próximos anos de administração federal.
O processo eleitoral culminou com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que garantiu sua recondução ao cargo máximo do Executivo federal ao alcançar 51,79% dos votos válidos, superando seu adversário na disputa, que obteve 48,21% dos sufrágios válidos, conforme os dados consolidados e divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Diante do cenário político desenhado pelas urnas, a liderança da Faesp pontuou que o resultado evidencia de maneira clara a necessidade premente de a gestão federal intensificar os canais de diálogo com as diversas frentes da sociedade civil organizada, prestando a devida atenção também aos anseios e às pautas defendidas pela parcela do eleitorado que optou por caminhos alternativos durante o processo de escolha dos representantes.
Além disso, a federação chamou a atenção para os índices expressivos registrados no que tange ao absenteísmo, bem como ao volume de votos em branco e nulos computados no pleito. Para a instituição, esses números funcionam como um termômetro importante, refletindo um sentimento latente de insatisfação por parte de setores significativos da população em relação às propostas e aos rumos apresentados pelos candidatos ao longo da campanha.
“A democracia não é um evento que se encerra no dia da votação; é um processo vivo que exige cuidado, diálogo e aperfeiçoamento diário. Ela se consolida quando há compromisso genuíno com a totalidade da sociedade, e não apenas com uma parcela dela”, destacou Tirso Meirelles ao ponderar sobre a maturidade exigida dos atores políticos no atual momento do país.
Prioridades estratégicas para o novo ciclo governamental
No bojo das discussões econômicas e institucionais, a entidade setorial estruturou um conjunto de prioridades consideradas fundamentais para garantir a previsibilidade e a competitividade do setor agropecuário ao longo do novo mandato presidencial. Entre as principais exigências colocadas na mesa de debates estão a contenção rigorosa dos gastos públicos, a busca por patamares mais baixos e sustentáveis para as taxas de juros, a simplificação drástica do sistema tributário nacional e a consolidação de um ambiente de maior segurança jurídica no campo.
No tocante à política fiscal, a Faesp argumenta que o governo federal precisa demonstrar um compromisso real com a eficiência administrativa, cortando excessos na máquina pública para aliviar a pressão sobre as contas do Estado e criar espaço para uma melhora consistente no cenário macroeconômico.
No aspecto financeiro, a federação aponta que o custo do crédito continua sendo um dos maiores entraves para a expansão e a modernização das atividades agropecuárias. Por essa razão, a criação de condições que favoreçam a redução estrutural dos juros é tratada como condição sine qua non para que os produtores possam planejar investimentos de médio e longo prazo com maior tranquilidade.
No campo tributário, a demanda histórica por simplificação ganha novo fôlego, com a exigência de que eventuais reformas e alterações na arrecadação não resultem em um aumento da carga tributária sobre a cadeia produtiva, preservando a competitividade do Brasil no mercado internacional de commodities e alimentos.
Outro ponto nevrálgico destacado pela organização diz respeito à estabilidade institucional no meio rural. A garantia irrestrita ao direito de propriedade, o combate a qualquer forma de insegurança jurídica e a manutenção de regras claras e previsíveis são apontadas como pilares indispensáveis para atrair novos capitais e manter o fluxo de investimentos na produção de alimentos.
Visão sistêmica e defesa de um plano nacional
A atuação da entidade, segundo reforçado pela diretoria, continuará pautada pela interlocução constante e propositiva tanto com o governo federal quanto com o Congresso Nacional e demais instâncias da República, sempre com o foco na defesa intransigente dos interesses dos produtores rurais paulistas e brasileiros.
Lembrou-se, na ocasião, que o agronegócio responde por uma fatia monumental da geração de postos de trabalho, da movimentação da engrenagem econômica e da garantia da segurança alimentar tanto no âmbito doméstico quanto em dezenas de nações ao redor do globo que dependem das exportações brasileiras.
Como desdobramento dessa visão estratégica, a Faesp tem defendido a estruturação e a implementação de um pacto abrangente, frequentemente referido como um “Plano Brasil”. A proposta tem como escopo primordial a melhoria sistêmica do ambiente de negócios, o fortalecimento do protagonismo da iniciativa privada e o estabelecimento de alicerces sólidos para um ciclo duradouro de prosperidade econômica.
Em suma, a mensagem deixada pela federação aponta que o sucesso da nova gestão governamental dependerá estritamente da capacidade de conciliar o respeito inegociável às normas democráticas com a execução de políticas públicas pragmáticas, capazes de assegurar estabilidade macroeconômica, controle fiscal e total respaldo ao setor produtivo.
Fonte:: canalrural.com.br


