A colheita do trigo no estado do Paraná chegou a atingir 82% da área total cultiva até a última terça-feira (20), avançando em relação aos 75% registrados na semana anterior. Os dados foram divulgados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado. Esse avanço na retirada do cereal marca a reta final da temporada, mas ocorre em meio a um cenário desafiador, marcado por atrasos operacionais, perdas significativas na qualidade do grão e uma retração no potencial produtivo em diversas regiões produtoras.
Conforme o levantamento do Deral, o panorama atual das lavouras de trigo paranaenses mostra que 45% das plantações encontram-se em boas condições, enquanto 42% estão em situação média e 13% apresentam condições ruins. No tocante às áreas que ainda permanecem por ser colhidas, o departamento aponta que 30% estão na fase de frutificação e 70% encontram-se em estágio de maturação.
Impactos climáticos e rentabilidade no campo
As condições meteorológicas observadas ao longo da safra acabaram impactando diretamente o ritmo dos trabalhos e a qualidade final do produto colhido. Em decorrência disso, parte da safra ficou abaixo dos padrões exigidos pelas demandas de mercado, o que resulta em uma queda considerável na rentabilidade dos produtores rurais. O órgão estadual destacou, inclusive, que há situações críticas em que o montante obtido com a comercialização não será suficiente para cobrir os custos totaistas investidos na condução da safra.
Paralelamente aos trabalhos do trigo, o cenário agrícola paranaense também abrange o andamento das culturas de verão, a começar pelo milho da safra 2026/27. Até o momento, o plantio do cereal alcançou 86% da área projetada em todo o território estadual, avançando sobre os 84% computados na semana passada.
De maneira geral, as lavouras de milho já estabelecidas demonstram boa germinação. Contudo, fatores climáticos adversos — como o excesso de precipitações, os índices de baixa luminosidade e a incidência de ventos fortes — têm tornado o ritmo de desenvolvimento inicial mais lento. Em caráter pontual, essas intempéries também acabaram comprometendo o potencial produtivo das plantas.
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Condição das lavouras de milho e avanço da soja
Os dados do Deral indicam que 81% das plantações de milho estão em boas condições, 18% em situação média e apenas 1% em condições ruins. Em termos de desenvolvimento fenológico, 5% das lavouras estão na fase de germinação, ao passo que 95% já se encontram em pleno desenvolvimento vegetativo. Contudo, o departamento fez um alerta preventivo: a persistência de chuvas contínuas poderá não apenas prejudicar o andamento da safra atual, mas também estreitar a janela operacional disponível para a posterior implantação das culturas de segunda safra.
No que diz respeito à oleaginosa principal, a semeadura da soja para a temporada 2026/27 registrou avanço e atingiu 47% da área estimada para o estado, superando os 39% medidos sete dias antes. Apesar do progresso, o ritmo da atividade agrícola segue lento na maior parte do Paraná. A principal justificativa para essa lentidão reside no excesso de chuvas, que tem deixado o solo excessivamente encharcado e dificultado a entrada e o tráfego de maquinário pesado nas lavouras.
A avaliação técnica do Deral aponta que a grande maioria das áreas com soja germinada ou em desenvolvimento apresenta boa qualidade fitossanitária: 93% estão em boas condições e 7% em situação média. Quanto ao ciclo atual, 22% das plantações estão na fase de germinação e 78% no estágio de desenvolvimento vegetativo. Apesar da boa aparência geral, o excesso de umidade e o acúmulo de água nas curvas de nível têm gerado prejuízos localizados, além de episódios pontuais de assoreamento e erosão do solo em algumas regiões.
Fonte:: canalrural.com.br


