A inteligência artificial possui capacidade de injetar aproximadamente R$ 1 trilhão no Produto Interno Bruto brasileiro até o final desta década. No entanto, para alcançar esse patamar, o país precisará direcionar esforços e recursos significativos para o desenvolvimento de infraestrutura tecnológica, aprimoramento da qualificação profissional e reformulação dos modelos tradicionais de negócios.
Essas pautas dominaram as discussões durante o ABES Summit 2026, evento promovido pela Associação Brasileira das Empresas de Software em conjunto com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, na capital paulista.
Durante a abertura oficial do encontro, o vice-governador Felicio Ramuth anunciou que liderará as iniciativas estaduais voltadas para inovação e tecnologia nos próximos quatro anos. O objetivo da gestão é intensificar a transformação digital em todas as secretarias do governo paulista.
O representante estadual pontuou que o estado concentra cerca de R$ 100 bilhões em aportes voltados para a instalação de centros de dados. Além disso, enfatizou a urgência de progressos na regulamentação do REDATA e manifestou preocupação com os reflexos da reforma tributária no segmento de serviços e tecnologia de software. No que tange aos sistemas inteligentes, defendeu um marco regulatório equilibrado, que estimule a competitividade sem frear o ímpeto inovador do mercado.
Para Andriei Gutierrez, presidente da entidade promotora do evento, a modernização digital precisa figurar como prioridade absoluta nas agendas governamentais, sustentada por políticas públicas de longo prazo, diretrizes claras de governança e investimentos robustos em bases estruturais. O dirigente argumentou ainda que os recursos de inteligência artificial devem transcender o departamento de tecnologia, integrando-se ao núcleo estratégico das organizações.
Trata-se de uma ferramenta de ruptura que precisa estar presente na concepção e na reestruturação de toda a arquitetura organizacional das empresas, conforme avaliou o executivo durante os debates.
Desafios na conversão de tecnologias em resultados reais
A projeção de crescimento econômico impulsionado pelas novas tecnologias foi detalhada por Tania Cosentino, conselheira de organizações internacionais e executiva com passagem por grandes empresas de tecnologia. Com base em dados de um levantamento do Boston Consulting Group mencionado em sua apresentação, a especialista apontou que a fatia de companhias capazes de extrair valor em larga escala com ferramentas inteligentes saltou de 5% para 50% em um intervalo de aproximadamente doze meses.
Apesar do avanço estatístico, a conselheira chamou a atenção para a dificuldade que grande parte do setor corporativo ainda enfrenta para transformar testes e projetos piloto em retornos financeiros efetivos e mensuráveis.
Existe uma distância considerable entre testar uma ferramenta e efetivamente gerar valor econômico com ela, pontuou a especialista. Segundo sua análise, a sobrevivência competitiva está atrelada à habilidade de inserir a inteligência artificial no centro das decisões estratégicas, criando novas linhas de produtos e descobrindo frentes inéditas de expansão no mercado.
O crescimento no uso de agentes autônomos também demanda maior rigor em termos de governança corporativa. As estatísticas exibidas no evento revelam que, embora 42% das corporações estejam acelerando a implementação desses recursos com vistas a 2030, apenas uma fração mínima de 5% possui mecanismos de controle sólidos para garantir operações sem riscos operacionais ou de segurança.
Um erro grave cometido por muitas gestões é destinar verbas expressivas para ferramentas de inteligência artificial enquanto negligenciam os investimentos em cibersegurança, alertou a executiva, reforçando que a responsabilidade final sobre eventuais falhas recai sobre a diretoria da empresa, e não sobre o código automatizado.
Expansão de centros de dados e geração de empregos
Outro ponto abordado no encontro foi a participação do Brasil no cenário global de infraestrutura digital. O país abriga atualmente cerca de 1% dos centros de dados do planeta. De acordo com as projeções apresentadas, a ampliação desse parque tecnológico nacional tem capacidade de atrair R$ 90 bilhões em novos aportes financeiros até o final da década.
Esse movimento de expansão econômica traria ainda um impacto social relevante, estimado na criação de mais de 55 mil postos de trabalho, englobando tanto contratações diretas quanto oportunidades indiretas na cadeia produtiva.
Para capitalizar essas oportunidades de desenvolvimento, os especialistas convergiram na defesa de uma política articulada em âmbito nacional. Essa estratégia deve unir esforços nas áreas de infraestrutura básica, matriz energética, fomento industrial, investimentos em pesquisa científica e na preparação educacional de líderes e equipes operacionais.
O horizonte do mercado de trabalho não aponta para um conflito entre seres humanos e algoritmos, mas sim para uma atuação integrada, onde a capacidade analítica da tecnologia potencializa o trabalho humano rumo a um patamar mais produtivo e eficiente, concluiu o debate.
Fonte:: convergenciadigital.com.br


