Prioridades para o novo mandato presidencial
Logo após ser confirmado vitorioso no pleito do último domingo com 51,79% dos votos válidos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou seu primeiro pronunciamento oficial para delinear os rumos de sua gestão. Entre os temas centrais abordados pelo chefe do Executivo para o seu quarto mandato presidencial, destacam-se a urgência na regulamentação das chamadas big techs e o desenvolvimento de uma tecnologia de inteligência artificial com identidade e características brasileiras.
O cenário político e econômico global tem colocado a discussão sobre o papel das corporações de tecnologia no centro dos debates nacionais. Para o governo recém-eleito, o avanço da soberania digital passa obrigatoriamente pelo estabelecimento de regras claras para o funcionamento dessas plataformas no território brasileiro, um tema que tramita no Congresso Nacional, mas que sofreu paralisações em virtude do calendário eleitoral recente.
O combate aos crimes digitais e a cobrança de tributos
Durante o discurso, o presidente reeleito foi enfático ao abordar a atuação das gigantes da tecnologia, argumentando que o país superou o que classificou como tentativas de interferência das plataformas digitais no processo democrático. Na visão do governo, a legislação atual precisa ser modernizada para tratar infrações cometidas no ambiente virtual com o mesmo rigor aplicado aos delitos do mundo físico.
Além da segurança e da integridade dos pleitos eleitorais, o mandatário criticou o modelo de negócios dessas corporações transnacionais, apontando para o volume expressivo de capital movimentado por essas empresas em contraponto à arrecadação tributária local. A proposta defendida é assegurar que o crescimento econômico gerado no setor digital seja acompanhado de contrapartidas fiscais justas para a sociedade brasileira.
Nos bastidores da campanha política que antecedeu o resultado das urnas, o grupo político do petista já havia manifestado preocupações públicas em relação à atuação de conglomerados de mídia social, como a Meta — controladora de redes sociais amplamente utilizadas pela população, a exemplo de Instagram, Facebook e WhatsApp —, acusando a companhia de supostamente favorecer candidaturas opositores, como a de Flávio Bolsonaro.
Infraestrutura e o projeto de inteligência artificial soberana
Outro ponto nevrálgico da estratégia econômica traçada pelo Planalto envolve o incentivo à instalação e expansão de centros de processamento de dados no país, os chamados data centers. O tema ganha tração regulatória com o andamento do programa de benefícios conhecido como Redata, cujas diretrizes aguardam os trâmites finais de regulamentação no âmbito do Poder Executivo.
O plano governamental para a tecnologia não se restringe à infraestrutura física. Lula apontou a necessidade de fortalecer as bases educacionais do país, com foco redobrado no aprendizado de matemática e engenharia nas instituições de ensino. O objetivo estratégico declarando é afastar o Brasil de uma posição de dependência tecnológica em relação a potências estrangeiras, como os Estados Unidos e a China.
A meta oficial é fomentar a criação de uma inteligência artificial genuinamente nacional, aproveitando as vantagens comparativas do país. Entre os diferenciais competitivos citados está a matriz energética brasileira, considerada uma das mais limpas e com maior potencial de fontes renováveis no planeta, o que viabilizaria a atração dos data centers necessários para garantir a soberania e o armazenamento de dados em solo nacional.
Desenvolvimento econômico e projeção internacional
Ao projetar o futuro da economia nos próximos anos, o presidente destacou a intenção de diversificar as bases produtivas do país, priorizando frentes como a economia digital, a transição para a economia verde e o fomento à economia criativa. O discurso reforçou o propósito de consolidar o Brasil não apenas como uma nação em desenvolvimento, mas como um ator central e decisivo nos cenários político e econômico internacionais, distanciando-se de papéis periféricos e ampliando sua influência nas deliberações globais sobre paz e cooperação.
Fonte:: convergenciadigital.com.br


