Manifestações na Europa reúnem multidões contra alto custo de vida

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Redação

O cenário de insatisfação social que toma conta de diversos países europeus ganhou novos capítulos com uma série de mobilizações populares realizadas neste sábado. Estudantes, trabalhadores e jovens voltaram a ocupar as ruas para expressar revolta contra a disparada no custo de vida, a crise na habitação e a falta de perspectivas econômicas, exigindo respostas imediatas dos governos nacionais.

As manifestações, que vêm se intensificando desde o mês passado, espalharam-se por nações como França, Alemanha, Portugal e Albânia. Embora grande parte dos atos tenha começado de maneira pacífica, episódios de confronto e forte repressão policial marcaram o encerramento do dia em várias capitais e grandes centros urbanos do continente.

França registra centenas de prisões e atos de extrema violência

Na França, onde os protestos têm forte liderança estudantil e foco nas dificuldades financeiras enfrentadas pelas novas gerações, a situação atingiu níveis críticos. O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, informou à imprensa que mais de 290 pessoas foram detidas durante os atos em todo o país.

Apesar de o governo classificar a maioria das marchas como ordeira, Nuñez destacou um nível considerado extraordinário de violência por parte de pequenos grupos. O ministro culpou facções extremistas de extrema esquerda pelos ataques sistemáticos direcionados às forças de segurança.

Entre os episódios mais graves relatados pelas autoridades francesas em Paris está o lançamento de um coquetel Molotov contra um policial da tropa de choque. O agente sofreu ferimentos leves, mas o caso foi tratado oficialmente pelas autoridades como uma tentativa de homicídio. A tensão nas ruas francesas reflete o desgaste acumulado em torno da condução política e econômica do país.

Alemanha convoca milhares de policiais e usa canhões de água

Em território alemão, a mobilização foi capitaneada pelo grupo autointitulado “GenZ regelt!” (A Geração Z está no comando!), unindo jovens desencantados com o rumo da economia. Milhares de policiais foram mobilizados preventivamente em Berlim, Frankfurt, Colônia e dezenas de outras cidades para conter possíveis distúrbios.

Enquanto as marchas diurnas ocorreram em sua maioria sem grandes incidentes, a situação mudou radicalmente com a chegada da noite. Manifestantes encapuzados lançaram fogos de artifício e diversos projéteis contra as forças de segurança. A polícia alemã reagiu com o uso de canhões de água para dispersar a multidão e retomar o controle das ruas.

Entre os alvos da indignação popular na Alemanha estavam faixas e cartazes com palavras de ordem exigindo mudanças estruturais e críticas diretas ao chanceler conservador Friedrich Merz, cuja saída foi pedida publicamente por centenas de manifestantes.

Crise habitacional mobiliza Portugal e Albânia vive confrontos severos

A onda de protestos também encontrou eco na Península Ibérica. Em Portugal, as manifestações populares seguiram a dinâmica observada na vizinha Espanha semanas antes, tendo como principal combustível a revolta generalizada contra o encarecimento drástico dos aluguéis e do custo da moradia.

Diante do crescimento da pressão nas ruas, o presidente português, António José Seguro — cuja atuação é predominantemente cerimonial, mas dotada de considerável peso institucional —, convocou o Conselho de Estado para uma reunião de emergência na próxima semana, com o objetivo de debater soluções para o impasse social.

Enquanto isso, no sudeste europeu, a situação na Albânia atingiu graus severos de confronto. As forças de segurança albanesas recorreram ao uso intensivo de gás lacrimogêneo e canhões de água para afastar manifestantes concentrados nas imediações do gabinete do primeiro-ministro Edi Rama, cujo afastamento do cargo vem sendo exigido por oposicionistas e cidadãos há meses.

Balanços oficiais divulgados pelo Ministério do Interior da Albânia, comandado por Ervin Demo, apontam que cerca de 350 pessoas — incluindo policiais, manifestantes e civis que passavam pelo local — ficaram feridas desde o início das mobilizações em meados de outubro. Além disso, o governo confirmou que aproximadamente 270 menores de idade foram detidos no decorrer dos protestos no país.

Fonte:: estadao.com.br

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