Falhas em áreas operacionais fundamentais, como vendas, setor financeiro, logística e tecnologia, repercutem diretamente na jornada do consumidor e afetam o desempenho financeiro global das organizações. Uma entrega fora do prazo originada na cadeia logística, uma cobrança incorreta gerada pelo departamento financeiro, uma promessa comercial irreal ou um aplicativo móvel com instabilidades técnicas são percebidas pelo cliente final não como erros departamentais isolados, mas sim como uma única e ininterrupta experiência com a marca.
É diante dessa realidade que o conceito de CX (sigla em inglês para customer experience ou experiência do cliente) evoluiu de forma significativa. O tema deixou de ser tratado como uma atribuição exclusiva do suporte ao cliente ou do pós-venda, passando a ocupar o centro das discussões sobre gestão estratégica, eficiência operacional, fidelização e expansão de mercado nas empresas.
A visão integrada da jornada do consumidor
De acordo com Bethel Lombardi, especialista em experiência do cliente e fundador da Encantar Mentory — empresa focada na orientação de empresários em estratégias de retenção, jornada do consumidor e ampliação de receitas —, um dos equívocos mais recorrentes cometidos pelas organizações é limitar a responsabilidade do CX apenas aos colaboradores que mantêm contato direto com o público.
“Experiência do cliente não é uma área isolada. Ela é resultado de decisões tomadas em vendas, marketing, financeiro, tecnologia, operações e liderança. Quando a empresa entende isso, CX deixa de ser apenas atendimento e passa a fazer parte da estratégia do negócio”, destaca o especialista, que possui mais de 24 anos de atuação no mercado.
Embora o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) cumpra um papel vital na linha de frente, ele frequentemente atua apenas como receptor de gargalos, falhas e ruídos operacionais que tiveram origem em setores completamente distintos da cadeia produtiva interna.
Essa mudança de perspectiva já alcançou o topo da hierarquia corporativa mundial. Dados do relatório C Suite Outlook 2026, publicado pelo The Conference Board, apontam que o aprimoramento da experiência do cliente figura entre as principais prioridades estratégicas de marketing elencadas por CEOs de todo o mundo para impulsionar os resultados corporativos no atual ciclo econômico.
O impacto financeiro das falhas estruturais
A aproximação entre o conceito de CX e os altos comandos da administração empresarial também se justifica pelos prejuízos financeiros gerados por processos mal estruturados. Uma falha de faturamento que resulta em cobranças indevidas exige procedimentos complexos de estorno e retrabalho administrativo. Da mesma forma, prazos de entrega violados muitas vezes demandam concessões de descontos ou compensações financeiras, enquanto expectativas comerciais frustradas culminam em cancelamentos contratuais.
“Quando o CX é analisado apenas por nota de satisfação, parte do problema fica escondida. É preciso olhar também para quanto a empresa está gastando para corrigir falhas que poderiam ter sido evitadas”, aponta Lombardi, criador do método EPL (Encantar Para Lucrar).
Sob essa ótica, a gestão da experiência do cliente conecta-se de maneira direta à eficiência operacional. A redução de atritos internos traduz-se em menos chamados abertos nos canais de suporte, diminuição de erros sistêmicos, queda drástica nas taxas de devolução e maior capacidade de retenção de clientes ativos na base.
Cultura organizacional refletida no atendimento
A dinâmica de relacionamento entre os diferentes departamentos de uma corporação dita o padrão de qualidade entregue ao mercado. Quando cada setor opera isoladamente, focado exclusivamente em suas metas internas particulares, as decisões tomadas podem favorecer um indicador departamental específico em detrimento da satisfação global do consumidor.
Nesse cenário sistêmico, o departamento comercial pode inflar taxas de conversão por meio de promessas difíceis de cumprir; a logística pode reduzir despesas de frete sacrificando prazos de entrega; e a engenharia de tecnologia pode acelerar o lançamento de softwares para cumprir cronogramas, entregando interfaces complexas que dificultam a usabilidade cotidiana.
“A experiência revela como a empresa funciona por dentro. Quando as áreas não conversam, o cliente sente. Quando as decisões são tomadas de forma integrada, ele também percebe. Por isso, CX é um reflexo da cultura empresarial”, pontua o mentor.
Os limites do suporte na resolução de problemas
É recorrente que insatisfações sistêmicas sejam tratadas pelas companhias como deficiências exclusivas da equipe de atendimento, mesmo quando a raiz do problema está enraizada em outras instâncias da operação. O suporte pode emitir pedidos de desculpas, conceder créditos compensatórios ou tentar resgatar o relacionamento desgastado, mas caso a companhia falhe em corrigir o processo gerador do erro, a mesma ocorrência continuará reaparecendo na rotina dos atendentes.
“O atendimento consegue resolver muitos casos, mas não pode funcionar como área de compensação permanente dos erros da empresa. A função da gestão é identificar por que o problema está acontecendo e impedir que ele continue chegando ao consumidor”, argumenta o especialista.
Crescimento sustentável e visão de longo prazo
Ao correlacionar a experiência do consumidor com índices de recompra, reputação institucional, eficiência interna e cultura corporativa, o CX consolida-se como um pilar indispensável para as diretrizes de crescimento de longo prazo. Organizações que monitoram a jornada do cliente apenas pelo volume de reclamações abertas deixam de captar sinais vitais sobre a saúde do próprio modelo de negócio.
“Quando um cliente volta a comprar, recomenda a marca e encontra menos atritos ao longo da jornada, existe impacto direto na receita e na eficiência. A experiência do cliente precisa ser discutida com essa visão mais ampla, porque ela não termina no atendimento. Ela atravessa o negócio inteiro”, conclui Bethel Lombardi.
Para mais informações sobre as metodologias de gestão, eventos e mentorias conduzidas pelo especialista, acesse os canais oficiais: site encantarmentory.com, informações sobre o evento imersivo em encantarexperience.com.br, ou acompanhe as atualizações profissionais através do perfil no Instagram @bethellombardi.
Fonte:: diariopr.com.br


