O técnico Lisca abriu o coração recentemente ao relembrar a sua passagem pelo Paraná Clube durante a campanha que culminou no acesso à Série A do Campeonato Brasileiro, em 2017. Em uma participação detalhada no podcast Do Instinto à Consciência, o experiente treinador compartilhou memórias marcantes daquele período e admitiu ter se emocionado profundamente ao acompanhar uma atividade específica da equipe.
De acordo com o relato do comandante, a entrega e a dedicação demonstradas pelos atletas que não haviam sido relacionados para a partida seguinte serviram como um reflexo exato da forte mobilização que encontrou nos bastidores da Vila Capanema. O envolvimento foi tanto que o próprio técnico precisou paralisar o treinamento para explicar aos jogadores o motivo de suas lágrimas naquele momento de intensa sinergia entre comissão técnica e grupo.
“Eu ia a todos os treinos dos não relacionados e dava o treino junto com o auxiliar. Em um deles, eu não dei e fiquei olhando. Eu chorei vendo o treino. Chorei pela entrega dos caras, pelo jeito como estavam treinando”, recordou o treinador durante a entrevista.
A cena comoveu os presentes e marcou a relação de respeito mútuo construída naqueles meses decisivos para o clube paranaense. “No meio, parei o treino e falei: ‘Olhem aqui, eu estou chorando. Sabe por quê? Por causa disso que estou vendo. Ninguém aqui está no jogo e vocês estão treinando para caramba. Isso não tem preço’”, complementou.
A incerteza inicial antes de assumir o Tricolor
A chegada de Lisca ao clube da capital paranaense ocorreu em um momento delicado de sua carreira. Meses antes, ele havia enfrentado uma experiência traumática no comando do Internacional, sendo contratado nas três rodadas finais do Brasileirão de 2016 sem conseguir evitar o primeiro rebaixamento na história da equipe gaúcha.
Esse histórico recente gerou grande hesitação quando o convite do Paraná surgiu, visto que a equipe também lutava contra a zona de rebaixamento na Série B daquele ano. O receio de vivenciar novamente uma queda de divisão pesou na decisão do profissional.

Lisca comandando as atividades do Tricolor durante a campanha de 2017. Foto: Arquivo/UmDois
“Eu cheguei e o Paraná estava em 16º. Me chamaram e falaram: ‘Não deixa cair, pelo amor de Deus’. Era a Série B de 2017, logo depois de eu ter caído naqueles três jogos no Internacional. Então, fiquei na dúvida: ‘Vou ou não vou? De novo esse negócio de cair, só que agora na Série B’. Aí falei: ‘Deixa eu assistir a um jogo’. Assisti, gostei e decidi ir”, relatou o técnico.
Registros históricos apontam pequenas variações sobre a exata posição do time no momento do acerto. O Paraná figurava na 15ª colocação antes de aplicar uma goleada por 4 a 1 sobre o Brasil de Pelotas, na Vila Capanema. Embora já estivesse integrado ao clube e acompanhado o duelo de um dos camarotes, sua contratação foi oficializada somente após o apito final. A reação na tabela foi rápida: após seis rodadas, o clube já ocupava a sétima posição, alcançando o cobiçado G4 na 24ª rodada.
A força da torcida na Vila Capanema
Outro ponto de destaque na entrevista foi a rápida transformação do ambiente na Vila Capanema, impulsionada pelo engajamento crescente da torcida paranista com a campanha de recuperação do time na competição nacional.

Treinador durante entrevista coletiva pelo clube paranaense. Foto: Guilherme Artigas/FotoArena/Alamy Live News/IconSport
“A torcida do Paraná, que ninguém conhece muito, é apaixonada. No meu primeiro jogo na Vila Capanema havia 3 mil pessoas e ganhamos por 4 a 1 do Brasil de Pelotas. No segundo, já havia 10 mil. No terceiro, 15 mil, lotou e aquilo virou uma loucura”, enfatizou.
Mesmo considerando a goleada sobre a equipe gaúcha como sua estreia não oficial na casamata, aquele embate simbolizou o marco zero de uma parceria sólida entre elenco, comissão técnica e arquibancada. “Em seis rodadas, saímos de 16º e já estávamos em sexto. O time era bom para caramba. Os jogadores compraram a minha bronca, eu comprei a deles, e a torcida e a imprensa entraram juntas”, celebrou.
Desfecho da passagem e o acesso histórico
Apesar do forte impacto inicial e da campanha consistente, a trajetória de Lisca no Paraná Clube durou apenas 46 dias. Sob sua liderança, a equipe disputou oito partidas, somando quatro vitórias, três empates e apenas uma derrota.
Sua saída ocorreu no início do mês de setembro, na sequência de divergências internas que envolveram membros da comissão técnica, especificamente um desentendimento com o então auxiliar Matheus Costa.

Passagem de Lisca foi encerrada após episódios internos com a comissão técnica. Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagem/FotoArena/Alamy Live News/IconSport
A base de trabalho estruturada naquele período, contudo, continuou rendendo frutos. Sob o comando de Matheus Costa, que assumiu a vaga deixada no banco de reservas, o Tricolor manteve o ritmo na reta final da Série B, garantiu a quarta colocação na tabela geral e celebrou o tão sonhado retorno à elite do futebol brasileiro após uma década de ausência.
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Fonte:: umdoisesportes.com.br


