Aquisição de supercomputador federal de inteligência artificial é adiada para 2027

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

O plano do governo federal para adquirir um supercomputador de quase R$ 1 bilhão, apresentado como um dos pilares do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deverá ser concluído apenas em 2027. O processo de compra, gerenciado pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) por meio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Computação Científica (FACC), passou por mais uma paralisação e agora aguarda uma nova reformulação do edital, sem prazo oficial definido para o recebimento de propostas.

A interrupção do processo foi oficializada em 29 de outubro, momento em que a FACC optou por cancelar a sessão que estava agendada para uma quarta-feira e determinou a consolidação das diretrizes técnicas. Com a decisão, o edital precisará ser republicado, o que exige a abertura de um novo prazo integral de 35 dias úteis para que os interessados possam submeter suas ofertas. Na prática, o cronograma empurra a definição da empresa vencedora para o próximo ano, a menos que ocorra uma alteração excepcional no calendário oficial.

Impacto nos prazos e cronograma de entrega

Este novo revés acontece a menos de três meses do anúncio oficial feito por Lula, em 20 de agosto, sobre a instalação do equipamento de alta tecnologia no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, situado no município de Macaíba, na região metropolitana de Natal, no Rio Grande do Norte. A estrutura foi planejada para servir de base no treinamento e na execução de grandes modelos de linguagem e inteligência artificial, oferecendo suporte estratégico a órgãos da administração pública, universidades, instituições científicas e empresas do país. A responsabilidade técnica pela condução do projeto segue com o LNCC, localizado em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro.

Identificada como Seleção Pública nº 27/2026, a licitação possui um orçamento estimado em R$ 959.040.959,04. Os recursos financeiros são provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), administrados por meio da Finep. O convênio associado possui um teto de R$ 960 milhões e validade assegurada até agosto de 2030. A iniciativa foi divulgada pelo Executivo como parte de um pacote mais abrangente de aportes voltados à infraestrutura tecnológica nacional, avaliado em R$ 2,3 bilhões.

Modificações nas regras do edital

De acordo com os bastidores da decisão, a prorrogação decorre da necessidade de implementar modificações profundas nos termos da contratação. Entre os pontos alterados estão a metodologia adotada para julgar as propostas, a inclusão de novas exigências voltadas ao incentivo da produção nacional, a revisão dos testes de desempenho técnico e o ajuste nas responsabilidades contratuais dos fornecedores.

Inicialmente, o edital previa um modelo de julgamento baseado em técnica e preço, onde o aspecto técnico respondia por 70% da nota e o preço por 30%. No entanto, a publicação da Errata nº 01 alterou essa distribuição: o peso da técnica permaneceu em 70%, mas a produção nacional passou a valer 20%, restando apenas 10% para o fator financeiro. A mudança eleva o grau de exigência industrial e tecnológica para a escolha da empresa parceira, diminuindo a relevância exclusiva de propostas com menores custos.

Outro ponto que gerou debates envolve o Termo de Referência, que prevê um prazo limite de até 520 dias para a efetiva entrega do maquinário, ao mesmo tempo em que estipula 360 dias como o período ideal, penalizando com a perda de pontos as propostas que superassem esse intervalo. Com a nova suspensão e o adiamento da contratação para 2027, caso a empresa vencedora utilize o prazo máximo de 520 dias, a disponibilização completa da infraestrutura poderá ocorrer somente entre 2028 e 2029.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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