A aproximação entre governos latino-americanos e Israel redefine o cenário geopolítico regional

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: The Economist

O fortalecimento de laços diplomáticos e estratégicos com o governo israelense ganha força em meio a uma guinada conservadora na América Latina

“Algo notável está acontecendo na América Latina”, declarou o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu em outubro, durante um pronunciamento em meio a um cenário de instabilidade política. A declaração ocorreu após a inauguração da nova representação diplomática da Colômbia em Jerusalém. Com esse movimento, a Colômbia consolidou-se como o quarto país latino-americano — e o mais populoso até o momento — a reconhecer a cidade como capital de Israel, uma tendência que analistas apontam como passível de expansão na região.

Embora Israel tenha enfrentado maior isolamento internacional devido ao conflito na Faixa de Gaza, lideranças conservadoras recém-eleitas na América Latina têm buscado estreitar drasticamente os laços bilaterais. Na Argentina, o presidente Javier Milei destaca-se como um dos principais entusiastas da aproximação, tendo classificado Netanyahu publicamente como uma “superestrela” e autoproclamando-se o “presidente mais sionista do mundo”. O governo argentino anunciou recentemente os chamados “Acordos de Isaac”, uma iniciativa voltada a ampliar o engajamento político e econômico com o Estado israelense, além da implementação de uma nova rota aérea direta entre Buenos Aires e Tel-Aviv.

Outros países da região seguem o mesmo movimento. No Brasil, figuras do campo conservador têm defendido a transferência da embaixada brasileira para Jerusalém e demonstrado apoio a políticas voltadas a assentamentos na Cisjordânia. No âmbito diplomático, a Colômbia também se destacou ao alinhar-se aos Estados Unidos ao declarar apoio às reivindicações territoriais israelenses sobre as Colinas de Golan. Especialistas apontam que a atenção dedicada à pauta diplomática com Israel atinge patamares historicamente elevados em várias capitais sul-americanas.

Fatores ideológicos e alinhamento geopolítico

A retomada ou o fortalecimento de canais diplomáticos também pode ser observado em nações como Bolívia, Chile e Honduras, além de sinais de flexibilização em posturas tradicionais na Venezuela após ofertas de cooperação humanitária em situações de emergência. Para analistas políticos, a guinada reflete tanto convicções pessoais de líderes — muitos deles associados a pautas religiosas e conservadoras — quanto cálculos estratégicos voltados a assegurar afinidade com o espectro político conservador dos Estados Unidos.

Estudos de opinião pública indicam que os custos políticos dessas decisões são limitados em grande parte da região. Pesquisas de centros internacionais de estatística apontam que índices de rejeição a Israel na América Latina tendem a ser inferiores aos registrados em países europeus. Para o eleitorado sul-americano, prioridades cotidianas como o combate à criminalidade e a recuperação econômica costumam se sobrepor aos debates sobre o Oriente Médio.

Segurança pública e cooperação em defesa

Um dos pilares centrais dessa nova fase de cooperação envolve a área de segurança. Diante dos desafios impostos pelo crime organizado e cartéis de drogas, governos latino-americanos têm recorrido à tecnologia militar, equipamentos de defesa, veículos blindados e sistemas de inteligência desenvolvidos por Israel. O Equador, por exemplo, destinou recursos expressivos para a aquisição de frotas blindadas israelenses com o objetivo de reforçar o patrulhamento urbano e o enfrentamento à violência armada.

Especialistas em forças armadas destacam que a dependência de tecnologia de ponta e drones de monitoramento torna a parceria estratégica para o reaparelhamento de exércitos nacionais na região, especialmente após períodos de interrupção de contratos e fornecimentos em gestões anteriores, como ocorreu na Colômbia sob a presidência de Gustavo Petro.

Apesar do momento de forte convergência, analistas ponderam que a sustentabilidade dessa relação dependerá de variáveis internacionais e locais, incluindo o desdobramento de processos eleitorais tanto no hemisfério norte quanto na própria região, além de eventuais resistências internas de comunidades locais com laços históricos com a Palestina. Por ora, contudo, o eixo diplomático entre a América Latina e Israel atravessa seu período de maior dinamismo em anos.

Fonte:: estadao.com.br

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