A influência de Washington na América Latina ganha força com a chamada Doutrina Donroe

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Carolina Marins

As transformações geopolíticas no continente americano vêm ganhando novos contornos com a consolidação da chamada “Doutrina Donroe”. O termo, que une o nome do presidente americano Donald Trump ao de James Monroe, criador da histórica diretriz de 1817, define uma fase de atuação mais direta e assertiva dos Estados Unidos na região. O conceito ganhou os holofotes após os desdobramentos na Venezuela, que culminaram na captura e transferência do ditador Nicolás Maduro para território norte-americano no início do ano.

Especialistas em relações internacionais apontam que a grande novidade desta política é o uso explícito da força militar na América do Sul, algo que difere das abordagens tradicionais das últimas décadas. Enquanto a doutrina original buscava afastar a influência de potências europeias de um continente recém-independente, a versão atual tem como foco central conter a expansão da China e garantir a hegemonia de Washington no Hemisfério Ocidental.

A estratégia norte-americana desdobra-se em diferentes frentes, que vão desde o endosso público a candidatos alinhados com a Casa Branca em pleitos na América Latina até a pressão comercial por meio de tarifas e acordos para a exploração de recursos estratégicos e minerais críticos. A Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, publicada recentemente, formalizou o chamado “Corolário Trump”, sinalizando que o país voltará a fazer valer sua preeminência na região após anos de relativa negligência diplomática.

O impacto dessa nova postura pôde ser observado em processos eleitorais recentes em países como Argentina, Honduras e Colômbia, onde declarações e articulações da administração americana influenciaram o debate político local. Na visão de acadêmicos da área, o movimento resgata práticas intervencionistas do passado, mas adaptadas a um cenário de disputa global em que a influência econômica chinesa na região alcançou patamares inéditos.

Escudo das Américas e cooperação militar

Como desdobramento prático da nova diretriz, o governo dos Estados Unidos tem buscado estreitar laços de segurança com governos aliados através de iniciativas como o “Escudo das Américas”. O bloco, voltado formalmente para o combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnational, tem servido de base para o fortalecimento de exercícios militares conjuntos e acordos de cooperação em solo sul-americano.

No Paraguai, o Congresso aprovou recentemente o Estatuto das Forças, permitindo a presença temporária de pessoal militar e civil americano para atividades de treinamento e defesa, além da instalação de um escritório antidrogas em Assunção. Essas movimentações somam-se a uma rede de posições estratégicas já existentes na América Central e no Caribe, ampliando a capacidade de projeção de poder militar na região.

Por outro lado, nações governadas pela esquerda, a exemplo de Brasil e México, mantiveram-se distantes dessas articulações formais. Analistas avaliam que o cenário atual reflete uma mudança drástica na ordem global, na qual o multilateralismo perde espaço para a competição direta entre superpotências, transformando o comércio e a infraestrutura em questões diretas de segurança nacional para a Casa Branca.

Fonte:: estadao.com.br

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