A capital mineira foi palco nesta sexta-feira de um importante encontro voltado para as discussões sobre o campo. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promoveu o Ato pela Reforma Agrária Popular em Minas Gerais, reunindo militantes, lideranças sociais e representantes do governo federal no centro da cidade para debater os rumos das políticas agrárias no estado.
O evento, que teve início durante a tarde no tradicional Viaduto Santa Tereza, contou com a participação da ministra substituta ou representante da pasta do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli. A programação foi estruturada para abrir espaço ao diálogo direto entre o poder público e os movimentos sociais, colocando no centro do debate a necessidade urgente de redimensionar o acesso à terra no país e fortalecer os agricultores familiares e camponeses.
Foco na produção sustentável e soberania alimentar
Durante as mesas de discussão e conversas com o público presente, um dos motes principais foi a promoção da agroecologia e o incentivo à produção de alimentos saudáveis em larga escala para o abastecimento interno. A pauta da soberania alimentar ganhou forte destaque, correlacionando a posse da terra com a capacidade do país de garantir comida de qualidade na mesa da população urbana e rural.
Além disso, os debates abordaram o impacto socioeconômico da reforma agrária para o desenvolvimento regional de Minas Gerais. Especialistas e lideranças pontuaram que a redistribuição de terras improdutivas funciona como um motor relevante para a geração de postos de trabalho, fomento da renda local e dinamização da economia nos municípios do interior do estado.
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Novos assentamentos e regularização de terras
Mais do que discursos políticos e debates conceituais, o ato em Belo Horizonte também foi marcado por entregas concretas e assinaturas de documentos oficiais aguardados há anos por trabalhadores rurais da região.
Entre os momentos de maior relevância institucional da agenda esteve a assinatura formal da portaria de criação do Assentamento Terra Prometida. A área, que anteriormente correspondia à antiga Fazenda Nova Alegria, fica situada no município de Felisburgo, localizado na região do Vale do Jequitinhonha. A desapropriação por interesse social da propriedade ocorreu em janeiro deste ano, culminando agora na efetivação do assentamento que possui uma extensão total de 1.156,0750 hectares e tem capacidade para estruturar e atender cerca de 60 famílias de agricultores.
Outro ponto alto da programação foi a entrega simbólica e oficial de 42 Contratos de Concessão de Uso (CCU) destinados aos moradores e produtores do Assentamento Quilombo Campo Grande III. A emissão desses contratos possui um valor prático imensurável para as famílias beneficiadas, pois juridicamente formaliza a permanência legal delas no território que já ocupam, garantindo a segurança jurídica necessária para que possam acessar créditos agrícolas, investir em melhorias produtivas e dar continuidade às suas atividades econômicas com tranquilidade.
A mobilização realizada no Viaduto Santa Tereza sintetizou, portanto, a união entre a cobrança por avanços estruturais na política agrária nacional e a materialização de direitos através da entrega de terras regularizadas e títulos de concessão em solo mineiro.
Fonte:: canalrural.com.br


