Aula Magna do Projeto A Liberdade Tem Asas leva ensino superior a mais de 400 apenados no Paraná

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Policiapenal.pr.gov.br

Na última terça-feira (30), um evento significativo ocorreu em todo o Paraná, marcando um avanço histórico no sistema prisional do estado. A aula magna do projeto “A Liberdade Tem Asas: O Conhecimento como Travessia” foi realizada simultaneamente em 23 unidades penitenciárias, oferecendo a mais de 400 apenados a chance de ingressar no ensino superior. A iniciativa inédita, que busca conectar o ambiente acadêmico à realidade do sistema prisional, contou com a participação efetiva de tutores e o apoio das direções das unidades.

Este projeto é resultado de uma parceria sólida entre a Polícia Penal do Paraná (PPPR), a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), através do Núcleo de Educação à Distância (NeaDuni), e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC), em consonância com as diretrizes do Plano Pena Justa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

No início desta primeira fase, mais de 400 pessoas privadas de liberdade (PPL) começaram suas trajetórias acadêmicas na modalidade de Educação a Distância (EaD). Os cursos oferecidos foram atentamente distribuídos com base nos interesses e na vocação dos estudantes: 216 foram matriculados no curso de Tecnólogo em Edificações Sustentáveis, 145 em Tecnólogo em Gestão Pública e 61 em Tecnólogo em Gestão Organizacional e Inovação. Durante a aula magna, os novos alunos tiveram a oportunidade de conhecer a plataforma virtual de aprendizagem e a estrutura da Unioeste, além de refletirem sobre como o ingresso na faculdade pode servir como um passaporte para a transformação de suas vidas.

A disponibilização dos cursos é direcionada a estudantes oriundos de unidades prisionais que possuem telecentros e laboratórios de informática adequados para as atividades acadêmicas. A seleção dos participantes é meticulosamente realizada por meio das equipes pedagógicas, dos setores de segurança e das direções das unidades, seguindo critérios pré-estabelecidos. Para se inscrever, os candidatos precisam ter concluído o ensino médio, apresentar um tempo de pena compatível com a duração dos cursos — que são estimados em três anos ou mais — e manifestar interesse voluntário em participar da formação oferecida.

Uma inovação notável nesta fase do projeto é a democratização da tutoria. Anteriormente, apenas os policiais penais atuavam como tutores principais; agora, o projeto foi ampliado para incluir a participação de monitores e profissionais terceirizados, o que amplia a rede de apoio aos estudantes privados de liberdade.

Para a Polícia Penal do Paraná, essa iniciativa representa uma política pública de extrema importância. Lisiane Haag Antonelli, chefe da Divisão de Educação e Capacitação da PPPR, expressou seu agradecimento pela parceria com a Unioeste: “A cooperação técnica e pedagógica estabelecida se mostra essencial na capacitação dos policiais penais, permitindo que liderem processos de reinserção social através do acesso ao ensino superior. Projetos inovadores como ‘A Liberdade Tem Asas’ demonstram na prática o poder transformador da educação no sistema prisional, valorizando e dignificando os profissionais de segurança pública, que não são apenas agentes de custódia, mas fundamentais na mudança da realidade dos apenados.”

A professora doutora Beatriz Helena Dal Molin, coordenadora-geral do NeaDUNI da Unioeste e responsável pelo projeto, não escondeu sua emoção ao ver a teoria sendo colocada em prática: “É maravilhoso ver esse projeto acontecer. Estou profundamente emocionada com o comprometimento dos tutores, dos policiais penais e todos os servidores da Polícia Penal do Paraná, além do compromisso dos estudantes. Estamos iniciando um grande projeto que, sem dúvida, vai transformar vidas”, enfatizou.

O impacto do projeto é notável em várias unidades prisionais. Em Guaíra, que faz parte da regional de Umuarama, 25 apenados começaram suas aulas em um laboratório que foi implantado em parceria com a Justiça Federal. O diretor da Penitenciária Estadual de Guaíra, Edilson Aparecido de Medeiros, ressaltou a importância da educação no processo de reintegração social: “A educação é fundamental, pois desenvolve a inteligência, qualifica profissionalmente e abre novas perspectivas para o futuro, permitindo que nossos internos conquistam uma formação de nível superior na UNIOESTE, uma instituição pública de alto padrão. Investir em educação nas unidades prisionais é investir em dignidade e cidadania”, afirmou.

O coordenador regional da Polícia Penal em Umuarama, Arnobe Lemes dos Reis, detalhou a visão institucional da PPPR: “Nosso compromisso é com ações que proporcionem oportunidades reais de mudança. A reintegração social se constrói através da educação, do trabalho e iniciativas que ajudem os indivíduos a desenvolver novas competências. A oferta de graduação técnica em nível superior reforça esse compromisso com a transformação social, ampliando oportunidades e criando caminhos concretos para a reconstrução das trajetórias de vida.”

No município de Guarapuava, 26 alunos privados de liberdade estão matriculados, com cursos voltados para inovação, sustentabilidade e administração, preparando-os para o retorno à sociedade. O diretor da Penitenciária Estadual de Guarapuava – Unidade de Progressão (PEG-UP) destacou a significância desse avanço: “Oferecer ensino superior é um marco histórico para nós, e a educação é uma ferramenta poderosa de transformação. Ver esses 26 apenados ingressando na faculdade nos dá a certeza de que estamos oferecendo uma oportunidade real de mudança em suas vidas.”

No complexo prisional de Cascavel, na Penitenciária Industrial Marcelo Pinheiro – Unidade de Progressão (PIMP-UP), a inauguração das aulas foi celebrada com uma exposição de artes criadas pelos próprios apenados, além de uma palestra de um ex-interno. Anderson Imperator, agora ativista social e presidente do Instituto Veneza Skate House, compartilhou sua experiência: “A educação é fundamental para qualquer ser humano. O sistema deve oferecer oportunidades a quem cumpre pena para que possam se capacitar e ter acesso a um futuro que nunca imaginaram. Isso cria as bases para o retorno ao convívio social”, enfatizou.

O retorno à educação representa, para muitos apenados, uma chance de mudar suas realidades. Um dos novos acadêmicos, que prefere não se identificar por questões de segurança, compartilhou sua emoção: “Cumpri mais de seis anos de pena e, ao ver a oportunidade de fazer um curso superior em uma universidade pública, sinto uma gratidão imensa. A educação tem mudado minha vida. Quando eu concluir esse curso, poderei voltar e transformar a vida da minha família. Serei o primeiro de minha casa a ter essa oportunidade”, finalizou.

Fonte:: policiapenal.pr.gov.br

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