Brasil precisa prestar atenção no potencial da Antártida, diz especialista da USP durante o SPIW

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

A Antártida desponta como a próxima fronteira nas relações internacionais, e os países que buscam se destacar no cenário global precisam adotar uma abordagem geopolítica que transcenda suas fronteiras superficiais. Essa foi a mensagem central apresentada na mesa redonda intitulada “Fronteiras geopolíticas na nova era: Ártico e a Lua”, mediada por Alberto Pfeifer, coordenador do Grupo de Análise de Estratégia Internacional em Defesa, Segurança e Inteligência (DSI) da USP, realizada na última sexta-feira, 15, durante a São Paulo Innovation Week.

Pfeifer destacou que, apesar das recentes tensões vinculadas à disputa por territórios no Ártico, especialmente após o plano do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, de expandir o domínio sobre a Groenlândia, o verdadeiro foco das disputas geopolíticas futuras será a Antártida. Segundo o especialista, o potencial do continente gelado ultrapassa a simples ocupação territorial, englobando recursos naturais inexplorados e um acesso ainda indefinido a áreas de interesse.

“Enquanto o Polo Norte é majoritariamente oceânico e coberto por calotas de gelo, a Antártida representa um continente terrestre, repleto de potencial para a exploração de uma variedade de recursos. O Tratado da Antártida, em vigor desde 1961, permite que países com bases estabelecidas no continente conduzam pesquisas científicas, desde que conservem a integridade do território. Vale lembrar que esse tratado será revisto em 2049, um prazo considerado curto por países como a China,” ressaltou Pfeifer.

O coordenador enfatizou que o Brasil deve se inserir ativamente nesse debate geopolítico. Com sua localização estratégica, o País tem a oportunidade de desenvolver um plano eficaz para explorar as possibilidades de atuação na Antártida assim que essa se torne uma opção viável. “Caso não voltemos nossos olhares para esses espaços e estabeleçamos um controle sobre eles, corremos o risco de nos tornarmos vulneráveis. Existe um potencial significativo para que o Brasil exerça domínio sobre sua vizinhança. A Antártida, portanto, pode ser vista como uma nova fronteira para o desenvolvimento econômico e tecnológico,” alertou Pfeifer.

Pfeifer concluiu ressaltando a importância da preparação e da negociação em um futuro próximo, e que é vital que o Brasil reconheça a relevância dessa questão. “Considerar a projeção da Antártida em relação ao Atlântico Sul é análogo ao que se buscava na exploração do Centro-Oeste ou da Amazônia há várias décadas. O Brasil precisa estar atento e se preparar para esse novo cenário,” finalizou.

Sobre o São Paulo Innovation Week

A São Paulo Innovation Week, que se consagra como o maior festival global de tecnologia e inovação, está sendo realizada pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, com término na sexta-feira, 15. O evento conta com a participação de mais de 2 mil palestrantes, abrangendo especialistas brasileiros e internacionais em diversas áreas, como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia.

No próximo fim de semana, o festival promoverá uma série de eventos paralelos gratuitos em quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) da cidade, em colaboração com a Prefeitura de São Paulo. Os Centros envolvidos são: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar). A participação não requer inscrição prévia e o acesso será realizado por ordem de chegada, respeitando a capacidade dos espaços. A programação oferecerá debates e experiências imersivas com nomes de destaque, como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo.

Fonte:: estadao.com.br

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